Orquestra Imperial: o melhor de tudo
Mas, me perco. Vamos voltar à noite de ontem, em que fomos, eu e a amiga Luise, assistir ao show da Orquestra Imperial. Na entrada, um susto - tocava funk! "Moço, hoje é a noite da Orquestra, mesmo?" "É, sim, é que tá na hora do intervalo." Depois, outro susto - Rubinho Jacobina, meu vizinho de prédio, havia se esquecido de colocar meu nome na lista de convidados - e eu tinha falado com ele no dia anterior! O promoter, gentil, ofereceu desconto na entrada para nós. Aceitamos - afinal, já estávamos lá...
Começamos a dançar; os funks do intervalo são irresistíveis, clássicos: "Ala la ô... ala lauê, deixa de ser violento e deixa a paz renascer, ê ê..." A juventude dourada dança alegremente e canta todas as letras. Digam o que disserem, o funk deixa esta cidade menos partida. Metade dos presentes é formada por playboys, muito, muito parecidos entre si. A outra metade é de "alternativos", muito, muito parecidos entre si. Em qual rótulo estamos?
Começa o show. Rubinho - ele mesmo, o desmemoriado - canta uma música que não conheço, com letra surreal e balanço delicioso, meio Jorge Ben - sim, Beeeen... No palco, reconheço alguns rostos - um do caras do trombone, um integrante do Los Hermanos, Kassin, Moreno Veloso (que estudou no meu ex-colégio, CEAT)... Todos os músicos são excelentes. Rubinho manda outra, com suíngue igualmente gostoso e letra espertinha: "Nega... vem me tirar do varejo..."
As músicas se seguem, de estilos, épocas e sonoridades variadas, tendo em comum apenas a qualidade. A megaromântica "Love me", a cinematográfica "Be my baby" (lembra? era da cena sexy de "Dirty Dancing"!), a nostálgica "C´est si bon", as calientes "Cachito" e "Perfidia" e... o samba, claro, que eles não são bestas, né? Tinha Zé Kéti, Elton Medeiros Dona Ivone Lara... Há arranjos surpreendentes, como música "lenta" com cuíca!
Dá pra dançar junto, dá pra dançar sozinho e dá pra ficar só assistindo, se maravilhando com o tanto de coisa boa existe no mundo.





