Aprender a chorar
Um dia eu vou aprender a chorar. Vou deitar na cama e verter lágrimas uma noite inteira e acordar com a cara inchada e a alma renovada. Um dia eu vou saber desfazer o nó na garganta e as lágrimas vão escorrer livres. Um dia eu vou me emocionar com filmes, shows, declarações de amor, histórias tristes.
Um dia eu vou saber transformar a angústia em uma crise de choro, vou até soluçar. Um dia eu vou chorar na frente de todo mundo e vão me oferecer lenços para secar o rosto. Um dia eu vou dizer, sim, que chorar é bom, que ajuda a desabafar.
Mas quem ensina? Tem gente que faz isso fácil, chora à toa. E não faz a menor questão de esconder. Tem gente que não tem a menor vergonha da voz embargada, do nariz e dos olhos vermelhos. Tem gente que até se orgulha, vive dizendo que chora até em comercial de margarina. Tem gente que nunca se contém.
A minha dor, porém, é sólida. Ela não se desfaz. Ela não se funde em líquido. É pedra que trava a voz, que fecha a glote. Tenho que engoli-la para voltar a respirar. Ela não sai pelos olhos, nem pela boca. Fica dentro de mim e de mim se alimenta.
A minha dor é discreta e nunca se mostra. Ela não transparece nem deixa sinal aparente. Ela só permite uma ou duas lágrimas, ainda assim se não tiver ninguém olhando. Depois ela seca.
Um dia eu vou aprender a chorar para dissolver a dor.
Um dia eu vou saber transformar a angústia em uma crise de choro, vou até soluçar. Um dia eu vou chorar na frente de todo mundo e vão me oferecer lenços para secar o rosto. Um dia eu vou dizer, sim, que chorar é bom, que ajuda a desabafar.
Mas quem ensina? Tem gente que faz isso fácil, chora à toa. E não faz a menor questão de esconder. Tem gente que não tem a menor vergonha da voz embargada, do nariz e dos olhos vermelhos. Tem gente que até se orgulha, vive dizendo que chora até em comercial de margarina. Tem gente que nunca se contém.
A minha dor, porém, é sólida. Ela não se desfaz. Ela não se funde em líquido. É pedra que trava a voz, que fecha a glote. Tenho que engoli-la para voltar a respirar. Ela não sai pelos olhos, nem pela boca. Fica dentro de mim e de mim se alimenta.
A minha dor é discreta e nunca se mostra. Ela não transparece nem deixa sinal aparente. Ela só permite uma ou duas lágrimas, ainda assim se não tiver ninguém olhando. Depois ela seca.
Um dia eu vou aprender a chorar para dissolver a dor.





