Quarta-feira, Outubro 11, 2006

123 comunicadores

Foram três meses e meio de convivência intensa, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Nas duas primeiras semanas, eram todas as carreiras juntas num auditório, ouvindo palestras o dia inteiro, sobre as mais diversas áreas da companhia. Cerca de 300 profissionais juniores, de jornalistas a geofísicos, de psicólogos a engenheiros de petróleo, de economistas e enfermeiros. Sotaques de toda parte do Brasil. O início da rotina de engorda de dois coffe-breaks por dia. Descobertas como o que faz um engenheiro de geodésia (por onde andarão Rafael, gaúcho, e Érica, paranaense?). Surpresas como conhecer uma doutora em física de 25 anos, loura, bonita e patricinha (Gisele, catarinense). Lições como a do processo de identificação de um poço de petróleo dada por uma jovem geofísica norte-riograndense, cujo nome não lembro, mas de quem guardei bem o rosto.
Depois, ficamos só nós, os 123 comunicadores. A partir daí, ouviríamos à exaustão o discurso de que não somos mais jornalistas, relações-públicas ou publicitários, mas comunicadores, profissionais híbridos, completos, que "agreguem valor" – só uma das muitas expressões do vocabulário empresarial que ainda nos arranham os ouvidos – ao trabalho.
Dividimos o orgulho de ter entrado para uma empresa tão grande e poderosa, num concurso tão disputado. Compatilhamos também a angústia da incerteza sobre a lotação de cada um, o medo de ser mandado para algum canto obscuro do país – o bicho-papão maior atendia pelo nome de Manaus. E comemoramos ou lamentamos juntos a vaga conseguida.
Mais dois meses e meio de curso de formação. E a consolidação das amizades. Muitas idas nos restaurantes naturais do Centro, uma novidade para mim. Almoços de sexta-feira com direto a um chope ou um vinho. Happy hours em Santa Teresa ou comando acarajé na Praça Tiradentres. Open houses de mineiros, paulistas, paranaenses.
Ontem uma festa marcou nossa despedida: a partir de segunda-feira, cada um vai trabalhar no seu setor. Hoje quem vai para unidades fora do Rio está partindo. Quem fica promete um almoço mensal, um happy hour quinzenal, para estarmos sempre em contato. E quem vai já planeja nosso encontro de um ano. Se nunca nos convencemos do tal conceito de empresa como uma família que nos vendiam a todo momento, entendemos que uma companhia pode ser, sim, um grande grupo de amigos.