<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657</id><updated>2011-12-28T14:24:51.770-02:00</updated><title type='text'>Dedos das moças</title><subtitle type='html'>Na ponta dos dedos das moças, o sabor apimentado de seus textos... 
Dedo de moça é o nome popular de uma espécie de pimenta típica brasileira. Se caracteriza pelos frutos finos e delicados e por seu sabor refinado. Exatamente como as cinco autoras e convidadas desta casa: Fortes e femininas!</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>275</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116239488826986552</id><published>2006-11-01T12:22:00.001-03:00</published><updated>2006-11-01T12:30:24.550-03:00</updated><title type='text'>Amor de encomenda</title><content type='html'>Ah, meu amor, não me venha com amor pouco.&lt;br /&gt;Não me chegue com sentimento incompleto, faltando pedaço.&lt;br /&gt;Preciso de amor completo, cheio, transbordante até.&lt;br /&gt;Ah, meu amor, não me traga amor pelo meio, dividido.&lt;br /&gt;Não me ofereça só uma parte do seu coração.&lt;br /&gt;Quero amor inteiro, sem cortes, sem ceder nada a ninguém.&lt;br /&gt;Ah, meu amor, não me apareça com amor de segunda mão.&lt;br /&gt;Não me entregue paixão usada, surrada, batida.&lt;br /&gt;Desejo amor novo, reluzente, de primeiro dono.&lt;br /&gt;Ah, meu amor, não me mande amor genérico.&lt;br /&gt;Não me dê o que poderia ser de qualquer uma.&lt;br /&gt;Espero amor exclusivo, personalizado, feito para mim.&lt;br /&gt;Ah, meu amor, não me mostre amor frágil.&lt;br /&gt;Não me apresente encantamento quebradiço, que se parta na primeira queda.&lt;br /&gt;Procuro amor forte, resistente, que suporte choques.&lt;br /&gt;Ah, meu amor, não me oferte amor com validade.&lt;br /&gt;Não me estenda envolvimento perecível, com data para acabar.&lt;br /&gt;Necessito de amor que não se estrague, que dure, que não mofe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116239488826986552?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116239488826986552'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116239488826986552'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/11/amor-de-encomenda_01.html' title='Amor de encomenda'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116199222510188798</id><published>2006-10-27T20:36:00.000-03:00</published><updated>2006-10-27T20:37:05.146-03:00</updated><title type='text'>Ele e o Espírito Natalino</title><content type='html'>Finais de outubro, novembro à beira de.  Pra dezembro, um suspiro.  E eis que ele já está por aí, para que os olhares mais atentos possam divisá-lo em meio à multidão, e para que os mais críticos e suscetíveis comecem desde já a serem molestados.  Não é o espírito natalino o que mais me deixa transtornada, aquele que prevê que todos somos amigos, que as famílias se amam, que temos que doar roupas e brinquedos para aqueles que permanecem invisíveis durante onze meses e meio no ano.  É o Papai Noel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dizem que eu sou frustrada, que não tive infância.  Sim, acho que tive problemas na infância, é certo, mas não creio que tenha sido estes a causa da repulsão que sinto ao ver aquela figura com excesso de adiposidade toda vestida de vermelho.  Vou tentar explicar, embora admita que para muitos o sonho, a fantasia, ou mesmo o tal do espírito natalino eu vá perder feio nessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito bem.  Ele é um velhinho que mora no Pólo Norte e recebe cartinhas de todas as crianças do mundo em dezembro, e atende seus pedidos infantis com bolas, bonecas – ou hoje em dia Ipods, MP3 players, parafernálias de toda natureza que incrivelmente eu já não tenho idade para saber o nome.  Bem coerente.  É claro que o fator imaginação é parte constitutiva de toda criança, mas faça-me o favor.  E quando ele não vem?  Pegou engarrafamento?  As renas (renas!) fizeram greve?  O trenó (meu Deus, o que é, para nós, brasileiros, um trenó?  Seria um bom meio de transporte alternativo ao consumo excessivo de energia oriunda do petróleo, e, conseqüentemente, uma boa solução para evitar o esgotamento dos recursos naturais do planeta?) quebrou?  Ou ele é mesmo um cara mau, parcial, voluntarioso e capitalista, que só dá presentes para alguns, sob critérios que vão mais além daquele das boas notas no boletim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem McDonald’s na Groenlândia? Pelo peso do bom velhinho, ele deve comer lá todos os dias.  Não que eu esteja em meu peso ideal, veja bem.  Nem que discrimine os mais&lt;br /&gt;‘fofinhos’.  Mas peralá.  Obesidade mórbida é uma enfermidade grave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qual é a média de temperatura no Brasil em dezembro?  Não raro chegamos aos quarenta graus aqui no Rio de Janeiro.  E ele lá, com aquela roupa sufocante.  Não avisaram que aqui não tem neve?  Coitadinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a barba branca?  O famoso “Ho ho ho”?  E o fato de que ele desce pela chaminé das casas (sua casa tem chaminé?)? Deixa pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tem jeito.  Em todas as oportunidade que tiver, vou execrar essa criatura abominável importada de uma cultura alienígena que nada tem a ver com a nossa.  Me desculpem os mais sensíveis por falar assim, cruamente (mas...):  eu odeio o Papai Noel.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116199222510188798?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116199222510188798'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116199222510188798'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/ele-e-o-esprito-natalino.html' title='Ele e o Espírito Natalino'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116180160162985965</id><published>2006-10-25T15:20:00.000-03:00</published><updated>2006-10-25T15:40:52.306-03:00</updated><title type='text'>Escrevo</title><content type='html'>Escrevo porque preciso. Desde sempre, desde que me dei conta de que sou gente.&lt;br /&gt;Escrevo porque minhas mãos pedem, meu cérebro manda, meu coração suplica.&lt;br /&gt;Escrevo porque os textos se criam mesmo contra a minha vontade. Em todas e diferentes situações.&lt;br /&gt;Escrevo porque me sufoca a dor, porque me transborda a alegria, porque me inquieta a angústia. Escrevo porque as letras dizem o que não sei falar. Sobre todos os assuntos.&lt;br /&gt;Escrevo porque é profissão, porque me traz o sustento.&lt;br /&gt;Escrevo porque é terapia, porque me organiza a alma.&lt;br /&gt;Escrevo porque é lazer, porque as palavras me divertem.&lt;br /&gt;Escrevo porque é vaidade, porque me vejo aos olhos do mundo. Todo dia ou tudo num só dia. Escrevo porque me revela, porque me mostro nas entrelinhas.&lt;br /&gt;Escrevo porque me esconde, porque me cubro com as figuras de linguagem.&lt;br /&gt;Escrevo por prazer ou por pressão.&lt;br /&gt;Escrevo com felicidade ou com sofrimento.&lt;br /&gt;Escrevo com facilidade ou com trabalho.&lt;br /&gt;Escrevo o que gosto e o que detesto.&lt;br /&gt;Escrevo por tudo que já li e por tudo que ainda vou ler.&lt;br /&gt;Escrevo pelo que já vivi e pelo que ainda vou viver. Ontem, hoje, amanhã.&lt;br /&gt;Escrevo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116180160162985965?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116180160162985965'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116180160162985965'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/escrevo.html' title='Escrevo'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116172170413112972</id><published>2006-10-24T17:28:00.000-03:00</published><updated>2006-10-24T17:28:24.326-03:00</updated><title type='text'>Em apoio a Daniella Cicarelli</title><content type='html'>Às vezes penso tão diferente do resto do mundo que acho que sou doida. Ou o mundo é que está doido? Não consigo achar divertida essa história da transa da Daniella Cicarelli na praia. E acho que ela deve estar sofrendo à beça, mesmo tendo aparecido na MTV rindo do ocorrido. Você gostaria que o mundo todo te visse transando com o (a) seu (sua) namorado (a)? Olha, deve ter gente que gosta, mas é zero vírgula sei lá por cento. A maioria quer que esses momentos fiquem só entre o casal. Claro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora a garota entra num restaurante e o garçom faz aquela cara: “eu vi, tá?” Vai ao cinema e o bilheteiro grita (com o pensamento, claro): “Eu vi, tá?” A faxineira nova, com aquele sorrisinho subserviente, faz aquele olhar de “eu vi, tá?”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fico imaginando a Daniella olhando na cara do pai dela e me vejo olhando na cara do meu pai. E minha mãe? Minhas tias lá de Cuiabá, minha avozinha de oitenta e poucos anos? Meu irmão mais novo? O porteiro do meu prédio? Meu chefe? O ascensorista do meu trabalho? Cruuuzes! Ah, gente, tenha dó. Coitada da mulher!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra piorar, essa história toda veio acompanhada de muita hipocrisia. Ah, quem nunca fez algo parecido num carro, num elevador...?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O fato de a garota aparecer direto em revistas e casar com um cara famoso não quer dizer que ela tenha que ter a vida privada dela devassada de forma tão desumana por um fotógrafo, o qual utilizou-se de meios os mais pífios possíveis para a filmagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é isso, gente. A Dani, meu apoio.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116172170413112972?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116172170413112972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116172170413112972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/em-apoio-daniella-cicarelli.html' title='Em apoio a Daniella Cicarelli'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116128166793795746</id><published>2006-10-19T15:13:00.000-03:00</published><updated>2006-10-19T15:14:27.976-03:00</updated><title type='text'>Do lado esquerdo do peito</title><content type='html'>Eu sou adepta das camisetas fofas e engraçadas. Amo, tenho várias. De filmes, com o gato Félix maquiado como o Kiss, com a estampa de saco de padaria ("Feito com Amor"), da Mulher Maravilha, a clássica "como é bom ter amigos"... Todas elas fazem sentido para mim. Elas significam algo, seja porque alguém lembrou de mim e me deu de presente ou porque eu vi e precisei comprar, mesmo elas me custando os olhos da cara. Mas não é desse tipo de camiseta que eu pretendo falar hoje. A pergunta da semana que não quer calar é: por que cargas d´água as pessoas usam camisetas com frases cujo significado não conhecem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje de manhã, no caminho para o trabalho, uma mulher já beirando os quarenta ostentava no peito a expressão "teen club". Me questiono o motivo de uma jovem senhora com filhos alardear por aí que pertence ao "clube dos adolescentes". Será que é por seus filhos já serem adolescentes e ela pertence a uma confraria de mães de adolescentes? Ou será que ela está tendo uma adolescência tardia e resolveu adorar o RBD e cantar músicas do KLB para se sentir mais moça?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mesmo se dá para camistas ostando a marca em letras garrafais: uma linda blusa com ótimo caimento e estampa de bom gosto não precisaria dos dois "C" entrelaçados para provar que é de qualidade. Coisa que acho cafonéééérrimo é camiseta Tommy Hilfiger. São todas iguais, com suas listras vermelhas, azul marinho e branca, e com a marca escrita gigantesca no peito e nas costas. Bolsas Louis Vuitton também não me enchem os olhos - as da Victor Hugo, uma imitação Tabajara LV, deveriam ser incineradas em praça pública. Se esses itens citados forem de camelô, pior ainda! O mesmo não vale para o símbolozinho do cavaleiro da Raplh Lauren ou o jacarezinho da Lacoste. São marcas discretas que não pretendem ser esfregadas no nariz de ninguém. Dá para perceber a diferença?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando às frases: expressões em inglês são as campeãs. Em lojinhas populares é clássico encontrar alguma roupa legal, mas que carrega uma palavrinha em inglês totalmente fora de contexto que a torna investível (neologismo). Blusinhas com a inscrição "gilrs","yummy", "love", "holiday" e saias com a barra escrita "rock" ou "wild" e coisas do gênero não dá para querer... Camisetas com expressões toscas como "caribbean highway" ou "evolution" também são de querer morrer. A pessoa que usa realmente quer estar numa auto-estrada caribenha? E a menina precisa informar que é uma menina, ou que é saborosa? Garanto que se o dono soubesse o significado do que traz inscrito no peito pensaria duas vezes antes de vestir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já ouvi histórias, não sei se verídicas, de pessoas que tatuaram ideogramas japoneses achando que eram palavras como "força", "amor", "saúde" e na verdade não passava de um amontoado de tracinhos. Ou pior, significava algo surreal, como "boi". Será verdade? Bom, se aconteceu com alguém ou não, o que eu sei que presto muita atenção no que digo para o mundo, seja falando, seja carregando no peito ou na pele. "Em boca fechada não entra mosca" é uma boa frase para camiseta. Quem sabe eu não aproveite a idéia, já que é uma de minhas filosofias de botequim preferidas?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116128166793795746?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116128166793795746'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116128166793795746'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/do-lado-esquerdo-do-peito.html' title='Do lado esquerdo do peito'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116116985395329163</id><published>2006-10-18T08:09:00.000-03:00</published><updated>2006-10-18T08:23:14.623-03:00</updated><title type='text'>De fidelidade</title><content type='html'>Jamais deixe que outra toque sua pele&lt;br /&gt;Enquanto forem minhas mãos que o percorram inteiro&lt;br /&gt;Nunca permita que outra beije seus lábios&lt;br /&gt;Enquanto for minha língua que dance dentro da sua boca&lt;br /&gt;Em tempo algum se entregue para que outra o dispa&lt;br /&gt;Enquanto for para meus olhos que exiba suas formas&lt;br /&gt;De forma alguma alimente desejo por outra&lt;br /&gt;Enquanto for meu corpo que lhe desperte as vontades&lt;br /&gt;Em nenhum momento peça para que outra lhe faça dormir&lt;br /&gt;Enquanto for em meus braços que adormeça&lt;br /&gt;Não divida com outra qualquer segredo&lt;br /&gt;Enquanto forem meus ouvidos que guardarem suas palavras&lt;br /&gt;Por nada abra para outra espaço nos seus planos&lt;br /&gt;Enquanto for comigo que construa seus sonhos&lt;br /&gt;Por nenhum motivo diga a outra frases de amor&lt;br /&gt;Enquanto for para mim que declare "eu te amo"&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116116985395329163?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116116985395329163'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116116985395329163'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/de-fidelidade.html' title='De fidelidade'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116109573618024497</id><published>2006-10-17T11:35:00.000-03:00</published><updated>2006-10-17T11:35:36.326-03:00</updated><title type='text'>"Os olhos de Maysa eram dois oceanos não pacíficos"*</title><content type='html'>(*frase de Manuel Bandeira)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem eu conversei com um amigo que disse que adorava sambas tristes. Daí eu falei: ó, então você tem que começar a ouvir fossa. É tudo de bom! Maysa, Tito Madi, Nora Ney... E o Lupi, claro, que o gaúcho fez samba-canção mas samba-canção é irmão da fossa, né?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nessa linha, Maysa é a minha favorita. Adoro a voz grave, o repertório (que tem músicas de fossa, mas também bossa-nova, inclusive compostas por ela), sua história de vida tumultuada... Nós, meninas que amamos a noite, devemos muito a ela, a Aracy de Almeida, Suely Costa... todas pioneiras na arte de sair na noite, beber... Hoje parece tão normal! Mas imagine no final dos anos 50, para uma moça de uma família tradicional, que casou com um milionário de família mais tradicional ainda, encher a cara por aí. Pois é, os porres da paulista eram famosos, e se agravavam pelo temperamento explosivo dela. Também era uma “mulher que amava demais”; vivia intensamente o que sentia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cantora tem histórias famosas. Quando começou a se relacionar como Ronaldo Bôscoli, ele ainda namorava Nara Leão – namoro sério, em casa e pra casar. Conta-se que Maysa começou a ter um caso com ele e aí chamou a imprensa para anunciar... que eles dois iriam se casar! E o cara nem sabia de nada! Anos depois, com Ronaldo já casado com a não menos temperamental Elis Regina, as duas quase se atracaram num bar. Felizmente, o compositor conseguiu separá-las - para sorte da baixinha Elis, porque Maysa era muito maior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até morrer num acidente de carro na ponte Rio Niterói, com apenas 41 anos, ela se manteve linda, mesmo bem acima do peso, tanto que seus olhos famosos foram homenageados por Manuel Bandeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dezenas de cantores ao redor do mundo gravaram o hino romântico “Ne me quitte pas”. Mas nenhum como ela. De rasgar a alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116109573618024497?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116109573618024497'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116109573618024497'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/os-olhos-de-maysa-eram-dois-oceanos-no.html' title='&quot;Os olhos de Maysa eram dois oceanos não pacíficos&quot;*'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116092426572980165</id><published>2006-10-15T11:42:00.000-03:00</published><updated>2006-10-15T11:57:45.766-03:00</updated><title type='text'>É normal ser normal?</title><content type='html'>Faz muito tempo que não me sinto assim.  Aliás, posso dizer que nunca me senti assim, já que na vida nem os dias nem a forma de vivê-los se repetem.  Calma demais, centrada demais, equilibrada demais.  Pra quem me viu nas fases mais críticas – bom, e se preocupa comigo de alguma forma -, está achando formidável.  Eu também estou.  É vantajoso ter o mundo sob controle, ter as dores compatíveis com o tamanho do coração, ter o horizonte à vista.  Viver só e somente só no mundo real.&lt;br /&gt;Até as minhas paixões estão burocráticas.  Muitas desilusões e nada de idealizar o que não é:  melhor trabalhar a realidade fio a fio, pedra a pedra, "lágrima a lágrima" (entre aspas propositadamente, sabe há quanto tempo eu não choro?  nem eu).  O que é pra ser será, nada de fogo no coração dormente.&lt;br /&gt;Ademais, ter uma boa pessoalidade a zelar é dificultoso.  Não se permitem certas atitudes.  Afinal, eu sou eu, eu e todo mundo somos mais eu.&lt;br /&gt;Mas se não sou mais aquela à flor da pele de outrora, toda coração, que se alimentava de grande amor por tudo, quem sou eu, enfim?  Anestesiada, me perdi um pouco de mim.  Eternamente grata ao tempo e ao momento de reciclagem, preciso me meter de novo nessa puta vida e redescobri-la.  Preciso sentir, de outra forma não sei viver;  sobreviver é quase morrer.&lt;br /&gt;Sei que não quero o furacão de antes.  Melhor assim, tocando o barco na calmaria.  Andar de mãos dadas com a tempestade é cansativo.  Porém, vejo que agora é hora de buscar (ou resgatar)  o que há de melhor em minha essência.&lt;br /&gt;Uma certa ventania para brincar com meus cabelos rebeldes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116092426572980165?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116092426572980165'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116092426572980165'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/normal-ser-normal.html' title='É normal ser normal?'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116066940395818140</id><published>2006-10-12T13:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-12T13:10:03.983-03:00</updated><title type='text'>Era bom demais para ser verdade...</title><content type='html'>Pois é, quase tudo o que parece ser muito bom para ser verdade acaba se revelando isso mesmo: era muito bom MESMO para ser verdade. Mas isso não precisa necessariamente ser uma decepção completa. Sempre dá para tirar o lado bom.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1) COMEÇANDO NUM NOVO EMPREGO:    na hora da entrevista tudo era maravilhoso: o salário não era nenhuma fortuna, mas paga as suas contas e ainda sobra um troquinho para o chope. O escritório é amplo, os computadores novos, os colegas atenciosos, o trabalho é desafiador. Aos poucos você vai descobrindo que aquele bônus "garantido, pode contar como salário" não é assim tão regular. Que o clima de família existe para beneficiar alguns e calar a sua boca quando você decide reclamar ("se fosse em outra empresa você já teria sido demitido"). Que os computadores são de última geração, mas só tem o Word e o Outlook. E que sua função é tão chata que dá vontade de se enforcar no banheiro na hora do almoço. Mas tudo bem, é melhor do que trabalhar numa fábrica. Era mesmo era bom demais para ser verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2) MUDANDO DE APARTAMENTO:    o aluguel é absurdamente barato. Você vai ver o imóvel e se depara com pintores deixando tudo limpinho. A localização é excelente! Você fecha o negócio na hora! Quando muda descobre que o aquecedor de gás está lacrado pela CEG e não tem água quente (você se mudou em junho). Tudo bem, ninguém morre por uns dias de banho frio, o custo-benefício de um apartamento tão bom por tão pouco vale a pena. Mas aos poucos você descobre que mora numa rua onde há pelo menos um acidente de trânsito por mês, com direito a bombeiros a noite toda e vizinhos fofoqueiros. E que a síndica é maluca e bate na porta dos condôminos com o salto do sapato de madrugada. E que os pintores fizeram um serviço porco, travando as fechaduras e maçanetas com uma camada grossa de tinta. Ainda assim, você mora a uma quadra da praia, mesmo que nunca ponha os pés na areia. Era mesmo bom demais para ser verdade....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3) TENTANDO COMEÇAR UM NOVO RELACIONAMENTO:    você conhece o gatinho. Faz uma rápida consulta com a amiga que o conhece e descobre que ele cansou de relacionamentos fugazes, quer uma namorada. Você também quer um namorado. Ele olha para você, vocês conversam e descobrem muita coisa me comum. O flerte rola devagar e você vê isso como um bom sinal: "ele não quer cair matando, sinal de que está a fim de algo mais, quer ter certeza do que vai fazer". Ele te leva até a porta de casa e não te beija. Você acha lindo o respeito que ele tem em não te atacar. Você manda um email no dia seguinte e não obtém resposta, mas sua amiga fala "não, ele está super a fim, me falou que estava doido para te beijar!" e você acredita. Depois de uma semana sem notícias, você o odeia. Mas tudo bem, o friozinho na barriga, mesmo sem o resultado final, já vale. Era mesmo bom demais para ser verdade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;4) APRENDENDO A COZINHAR:    você acha a receita na internet e a classificação é "super fácil". Imprime, vai ao supermercado, compra os ingredientes (o melhor de cada item, o que faz uma simples mousse de chocolate custar quase R$ 50,00). Chega em casa, põe o avental e começa a seguir os passos. Quando o braço começa a ficar dormente você se dá conta de que bater o creme por 10 minutos com um fouet não é assim tão fácil. E que incoporar as claras em neve sem quebrar o aerado não é uma operação para principiantes. Você serve uma mousse de chocolate de R$ 50,00 molenga e com agüinha no fundo. Seus amigos fingem que gostam. Mas tudo bem, serve para aprender a testar as receitas antes de servi-la ao público. Era mesmo bom demais para ser verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5) SAINDO A NOITE SOZINHO PELA PRIMEIRA VEZ:    "Não tem erro: quando chegar ao centro da cidade o taxista já vai saber qual é a rua. E não tem como não ver, vai estar cheio de gente! Vai que todo mundo já confirmou presença" Você pega o táxi e explica para o moço que ele tem que ir até perto da Praça Mauá e lá entrar na rua tal. Ele fala que não conhece a rua e você diz que não tem problema, que é só encontrar um lugar com muita gente. Ao chegar perto da praça o taxímetro já bate na casa dos R$ 30,00 - como você não sabe o caminho, nem sabe se ele deu voltas para te enrolar ou não. Chegando lá é tudo deserto e não há jeito de encontrar a dita rua. Depois de muito rodar ele encontra o endereço. Você entrega uma nota de R$ 50,00 e recebe três de R$ 1,00 de troco. Tudo bem, você vai encontrar amigos que não vê há tempos. O lugar está lotado, os amigos bêbados e cerveja é caríssima. Você resolve pagar a sua conta e ir para casa (R$ 20,00 por 15 minutos de música ao vivo que você não ouviu, pois chegou no intervalo). Você paga mais algumas preciosas notas de R$ 10,00 para chegar ao conforto do seu lar apenas duas horas depois de ter saído de lá. E está quase R$ 100,00 mais pobre. Mas tudo bem, serve para que da próxima vez você se organize melhor, saia mais cedo e vá com alguém que conheça o lugar. Era mesmo bom demais para ser verdade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116066940395818140?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116066940395818140'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116066940395818140'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/era-bom-demais-para-ser-verdade.html' title='Era bom demais para ser verdade...'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116057941902372420</id><published>2006-10-11T12:08:00.000-03:00</published><updated>2006-10-11T12:10:19.040-03:00</updated><title type='text'>123 comunicadores</title><content type='html'>Foram três meses e meio de convivência intensa, das 8h às 17h, de segunda a sexta-feira. Nas duas primeiras semanas, eram todas as carreiras juntas num auditório, ouvindo palestras o dia inteiro, sobre as mais diversas áreas da companhia. Cerca de 300 profissionais juniores, de jornalistas a geofísicos, de psicólogos a engenheiros de petróleo, de economistas e enfermeiros. Sotaques de toda parte do Brasil. O início da rotina de engorda de dois coffe-breaks por dia. Descobertas como o que faz um engenheiro de geodésia (por onde andarão Rafael, gaúcho, e Érica, paranaense?). Surpresas como conhecer uma doutora em física de 25 anos, loura, bonita e patricinha (Gisele, catarinense). Lições como a do processo de identificação de um poço de petróleo dada por uma jovem geofísica norte-riograndense, cujo nome não lembro, mas de quem guardei bem o rosto.&lt;br /&gt;Depois, ficamos só nós, os 123 comunicadores. A partir daí, ouviríamos à exaustão o discurso de que não somos mais jornalistas, relações-públicas ou publicitários, mas comunicadores, profissionais híbridos, completos, que "agreguem valor" – só uma das muitas expressões do vocabulário empresarial que ainda nos arranham os ouvidos – ao trabalho.&lt;br /&gt;Dividimos o orgulho de ter entrado para uma empresa tão grande e poderosa, num concurso tão disputado. Compatilhamos também a angústia da incerteza sobre a lotação de cada um, o medo de ser mandado para algum canto obscuro do país – o bicho-papão maior atendia pelo nome de Manaus. E comemoramos ou lamentamos juntos a vaga conseguida.&lt;br /&gt;Mais dois meses e meio de curso de formação. E a consolidação das amizades. Muitas idas nos restaurantes naturais do Centro, uma novidade para mim. Almoços de sexta-feira com direto a um chope ou um vinho. Happy hours em Santa Teresa ou comando acarajé na Praça Tiradentres. Open houses de mineiros, paulistas, paranaenses.&lt;br /&gt;Ontem uma festa marcou nossa despedida: a partir de segunda-feira, cada um vai trabalhar no seu setor. Hoje quem vai para unidades fora do Rio está partindo. Quem fica promete um almoço mensal, um happy hour quinzenal, para estarmos sempre em contato. E quem vai já planeja nosso encontro de um ano. Se nunca nos convencemos do tal conceito de empresa como uma família que nos vendiam a todo momento, entendemos que uma companhia pode ser, sim, um grande grupo de amigos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116057941902372420?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116057941902372420'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116057941902372420'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/123-comunicadores.html' title='123 comunicadores'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116049244430505127</id><published>2006-10-10T12:00:00.000-03:00</published><updated>2006-10-10T12:00:45.193-03:00</updated><title type='text'>O inverno do meu tempo</title><content type='html'>Ontem eu estava olhando uma velha no ônibus (haha, sempre os ônibus). Vestido de florzinha comprido, cabelo esgandaiado (esta palavra tinha morrido; acabo de ressuscitá-la) preso, cara de crente. Fico pensando na liberdade que é ser velho. O vestido não precisa ser muito bonito, o cabelo pode ser meio despenteado, ninguém liga. Ah, e você pode puxar conversa com os outros que não será tido como maluco – é coisa de velho, normal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como serei eu daqui a cinqüenta anos? Sim, porque na minha família o povo vive muito – um tio avô morreu com 103 anos, ano passado. Meu Deus, ninguém vai olhar pra mim na rua! Nem os boys do Centro da cidade me chamarão de gostosa! Eu poderei andar pela rua lambendo um sorvete em paz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também aquelas velhinhas chiques que freqüentam o CCBB, a Casa Maison de France, o Municipal... fazem aquelas viagens de ônibus pela Europa... tomam chá na Colombo... Vou aproveitar pra comer ainda mais do que eu como. Afinal, uma velhinha gordinha é aceitável! Até mais engraçadinha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentirei vontade de fazer plástica? Brincar com os netos? Ver televisão?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esta é mais uma vantagem do mundo do samba. A velhice é valorizada, sinal de experiência e sabedoria. E todo mundo tem um velhinho que ama de paixão – eu tenho uma amiga que adorava agarrar o seu Jair do Cavaquinho (haha, ele também adorava).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No fundo, o que eu quero mesmo é ser uma mistura de Cristina Buarque com Tia Surica. Ter uma casa cheia de livros e discos, um quintal onde rolarão disputadas rodas de samba... e uma cozinha de onde sairia uma feijoada incrível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final das contas... não será tão ruim assim. Te espero lá.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116049244430505127?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116049244430505127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116049244430505127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/o-inverno-do-meu-tempo.html' title='O inverno do meu tempo'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116032344765952730</id><published>2006-10-09T13:03:00.000-03:00</published><updated>2006-10-08T13:31:07.040-03:00</updated><title type='text'>Eu não sou chiclete!</title><content type='html'>Você acorda cedo e arruma a casa. Afinal de contas, uma casa cheia de pelos felinos e com cheiro de veterinário, parafraseando o querido amigo Bini, não causaria uma boa impressão a nenhum visitante, por mais simples que fosse.&lt;br /&gt;Aí você procura a receita do bolo que ele gosta, faz o recheio da torta salgada, como combinado. Tudo com muito cuidado, pensando nele, lembrando das coisas boas que já haviam acontecido e que certamente voltariam a acontecer.&lt;br /&gt;O amigo Bini liga e pra não recusar o convite tentador, você faz tudo rápido, bota um vestido qualquer e sai correndo. Deixa tudo encaminhado, mas a casa já ta arrumada.&lt;br /&gt;Você volta do compromisso inadiável com o amigo, carrega ele pra bater claras em neve, amassar massa de torta e tudo correndo, tudo pra dar tempo de tomar banho e ficar pronta antes dele chegar.&lt;br /&gt;Pronto. Tudo no forno, amigo entretido na internet, outro amigo chegando pra ir tomar chopp e nos deixar a sós. Conforme previsões.&lt;br /&gt;Você toma banho, passa hidratante, creme no cabelo, desodorante, bota outro vestido bonitinho e espera.&lt;br /&gt;Amigos fumando. Você não. Boca de cinzeiro é deprê demais.&lt;br /&gt;Pronto. Ele chega. E ficamos perdidos. Um do outro no cubículo de 3x4 que deve ser a sala da minha casa. Loucos de fome. Um do outro.&lt;br /&gt;Amigos vão embora. E ficamos sós. Continuamos sós.&lt;br /&gt;Porque o cara chuta seus gatos, dá tapa na cara de qualquer aproximação amigável que eles tentem. Porque o cara cruza os braços o tempo todo, não fala nada. Não manifesta. Não expressa o que sente. Talvez porque não sinta nada. Será? É seco, duro. Até demais. Não permite. Nem sequer por essa noite. Não permite se entregar, carinhar, falar no ouvido, dizer coisinhas que a gente gosta de ouvir. Nada. Ele é teórico. Sexo teórico, rap teórico, filmes expressionistas teóricos. Ele é ateu. E eu não. Acredito que mesmo sem se querer nada com ninguém, a gente pode rir juntos, pode se espalhar na cama, pode dormir abraçados e pelados e ser maravilhoso. Ainda que seja por uma noite. Ninguém quer nem precisa nada serio agora. E o temor ao compromisso é meio caminho andado em direção à ele. É só porque eu acho que o carinho faz parte da vida. Porque eu acredito que depois do sexo, é ruim ir embora correndo. É ruim deixar uma mulher recém visitada sozinha na cama, sem o braço, sem o cheiro, sem o peito de seu visitante.&lt;br /&gt;Ele quer acordar em casa porque o pai não sei o quê. O pai?&lt;br /&gt;Ta certo. Existem hierarquias afetivas na vida das pessoas. Mas... o pai? Agora, quatro da manha de sábado???????????? Sorrio pela ingenuidade da desculpa e gargalho pela falta de delicadeza do meu recém devorador.&lt;br /&gt;E assim é. Eu subo no sofá pra ficar da mesma altura que ele e dou um beijo frio. Estou com sono e puta da vida. Que vá logo antes que eu mande pra puta que pariu! E desejamos cuidados um ao outro.&lt;br /&gt;Por que eu tenho que achar isso ótimo?&lt;br /&gt;Porque talvez ele ache que eu sou muito tranqüila e acho bom dar por dar. É, eu acho mesmo, mas eu cuido. De mim e do outro.&lt;br /&gt;Não vou embora, não falo do meu pai, não conto a noite anterior com os amigos, não calo diante da nossa beleza. Não economizo afeto. Eu sou da prática, inclusive da prática do amor livre.&lt;br /&gt;E sinceramente não ando nem um pouco disposta a me sentir chiclete em boca de menino.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116032344765952730?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116032344765952730'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116032344765952730'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/eu-no-sou-chiclete.html' title='Eu não sou chiclete!'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116010484181366085</id><published>2006-10-06T00:17:00.000-03:00</published><updated>2006-10-06T00:39:03.680-03:00</updated><title type='text'>Fim de semestre no Mestrado</title><content type='html'>Aqui estou, com tanto sono e tão cansada que chego a rir de nervoso por dentro (isso deve fazer parte do processo de delírio). Sim, rindo da minha ilusão / pretensão de achar que iria conseguir escrever um trabalho monográfico (Ou melhor, são três trabalhos no total, o mesmo com variações. Entendeu ou quer que eu desenhe? Não, eu sei, você não tem nada a ver com isso. Claro, claro, desculpe, é o stress, vida pós-moderna, tudo isso junto, sabe como é...) Bem, o fato é que deixei para escrever tudo hoje, aliás, ontem, na quinta-feira. Era, na verdade, o único dia disponível na semana (eu trabalho, trabalho e trabalho), e as leituras estavam em andamento. Claro, há aquele gosto pela adrenalina – ou tendência a auto-flagelação – que também foram responsáveis por eu estar aqui, diante deste computador, à meia-noite de quinta pra sexta, certa de que minhas horas de sono tendem a zero no decorrer do período. O prazo é dia 06, gente. E eu estou aqui. Prazo, eu, Microsoft Word. Escrevi a palavra 'índice' e achei engraçada.  Já pararam pra pensar?  Índice, índice.  Eu, hein.  Deixei o Messenger aberto para 'gritar' ou escrever quaisquer palavras desconexas com algum desavisado insone nas próximas horas. Penso muito em cerveja e libertinagem. A base teórica ainda nem comecei a escrever. Alguém tem aí alguma droga pesada a me oferecer? Só hoje, eu prometo. Não? Um cigarrinho, um chazinho... qualquer coisa... Eu juro que guardo o que sobrar para o final da dissertação, vai...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116010484181366085?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116010484181366085'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116010484181366085'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/fim-de-semestre-no-mestrado.html' title='Fim de semestre no Mestrado'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-116007339436281677</id><published>2006-10-05T15:35:00.000-03:00</published><updated>2006-10-05T15:36:34.383-03:00</updated><title type='text'>Organizações Tabajara</title><content type='html'>Dia desses, lendo um texto da Garotas que Dizem Ni, me dei conta que estou em plena curva descendente da despensa. Para quem não leu, o texto fala que o uso cada vez maior de marcas genéricas no supermercado demonstra o sintoma inegável de desemprego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, eu não estou desempregada. Mas sou dona de meus próprios domiínios há pouco mais de um mês e, por consequencia, reponsável pelo pagamento integral das contas. Depois de um período de auto-indulgência-consumista (leia-se, cartão de crédito estourado), preciso pagar, além das contas domésticas, os custos de badulaques comprados em momentos "eu mereço!" e que estão encostados em casa, lembrando-me que ainda não foram quitados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ora é preciso baixar os custos onde dá. E o caminho mais fácil para isso é restringindo o supermercado. Ah, o supermercado! Lugar outrora adorado por mim e que agora se tornou um pesadelo, justamente por causa do inevitável momento de ver os produtos passando pelo caixa e o total ultrapassando com folga o valor separado para a empreitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na época em que fui escrava na terra do Tio Sam sobrevivi me alimentando basicamente de produtos da marca Great Value, a marca-tabajara mais famosa de lá. Tinha de tudo: de iogurte de banana a sabão em pó! Como ganhava muito pouco e não queria cair nas tentações junk food de lá, logo fiquei mais do que familiarizada aos potinhos com a logo horrorosa que salvaram meu sustento por três meses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por aqui estou começando nessa empreitada. Ainda não me acostumei com a idéia de experimentar novos caminhos na área das minhas marcas de produtos favoritos, mas aqui há alguns que já pratico sem grandes danos ao resultado final:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PODEM SER SUBSTITUÍDOS POR GENÉRICOS OS SEGUINTES ITENS:&lt;br /&gt;+ Condicionador de cabelo: o meu condicionador pode ser um Neutrox da vida e portanto agradeço todos os dias pelos meus cabelos lisos. Atualmente nem Neutrox tem, estou na fase de lavar uma vez (nadade repetir a operação) e secar ao vento. Uma coisa bem natural.&lt;br /&gt;+ Produtos de limpeza em geral: Para que comprar o Omo Progress em uma caixa quando posso comprar o Ace com perfume de erva-doce num saco? Para que pagar mais caro pela embalagem, se eu posso evitar a melação do pacote colocando o produto num pote de sorvete (eles dão cria lá em casa)? Para que não se perca o glamour, eu posso decorar o pote - projeto para futuro próximo. Vai ficar fofo e econômico. Ok, o Veja Multiuso perfume-de-laranja não pode ser mexido.&lt;br /&gt;+ Azeite de oliva: calma, calma! Gourmets de plantão, não precisam me execrar. Eu sou uma que preza muito pela qualidade dos alimentos, mas desde que o Zona Sul parou de vender minha marca de fé de azeite, Borges, passei a comprar o da promoção do dia e até hoje não me arrependi. É claro que não dá para ir a extremos e comprar um azeite que custe cinco reais, mas diversifiquei as marcas e nenhum barato saiu caro até o momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NÃO PODEM SER DAR LUGAR A OPÇÕES GENÉRICAS:&lt;br /&gt;+ Café: minha marca nem é tão cara, mas tem que ser Melitta Tradicional ou nada. Aqui no trabalho compraram uma outra marca que não lembro o nome e que não há cristo que faça o café ficar forte... Sem condições.&lt;br /&gt;+ Manteiga: o mesmo caso do café, nem escolhi para preferida uma muito cara. Mas não me venha com manteiga Batavo ou pior: margarina! Isso serve para untar forma de bolo e olhe lá!&lt;br /&gt;+ Nuggets: item essencial para emergências alimentares, especialmente as que ocorrem de madrugada. Tem que ser nuggets da Sadia, o tradicional (o extinto de legumes era uma delícia, mas não deve ter feito sucesso). Nada de chickenitos ou mini-qualquer-coisa de outras marcas. O tempero entrega tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há outras formas de diminiur a despesa doméstica. Na área das frutas, por exemplo, é fácil: basta escolher as da época, sempre bem mais baratas. Há, é claro, as básicas como laranja, maçã e banana, que adoçam a vida, são saudáveis, e não pesam no bolso. Nas verduras é melhor prestar atenção: hoje de manhã descobri que o quilo do pimetão amarelo custa absurdos R$ 9,90 contra R$ 1,79 do verde. Eu sempre compro um de cada cor pelo colorido, vou ter que segurar a onda e achar outro legume amarelo para a minha salada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só assim para evitar que mês que vem meu saldo já pisque vermelho no dia 05.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-116007339436281677?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116007339436281677'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/116007339436281677'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/organizaes-tabajara.html' title='Organizações Tabajara'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115995904632714961</id><published>2006-10-04T07:49:00.000-03:00</published><updated>2006-10-04T07:50:46.366-03:00</updated><title type='text'>Eu não sei dançar</title><content type='html'>Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei te ver de longe e te querer.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei tentar acompanhar teus passos e me atrapalhar.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei te dar a mão e te pedir para me guiar.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei pisar nos teus pés e me desculpar.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei pensar em te seguir e me perder.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei ficar parada e te admirar.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei te oferecer outros pares e me sentar.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei sentir teu ritmo e não conseguir me mexer.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;br /&gt;Só sei te ver evoluir e me recolher.&lt;br /&gt;Eu não sei dançar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115995904632714961?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115995904632714961'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115995904632714961'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/eu-no-sei-danar.html' title='Eu não sei dançar'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115988411498560646</id><published>2006-10-03T11:01:00.000-03:00</published><updated>2006-10-03T11:06:22.096-03:00</updated><title type='text'>"Coisa com Coisa", de Pedro Miranda: coisa (muito) fina"</title><content type='html'>"Chula Cortada", música do baiano Roque Ferreira, conta com uma viola caipira tocada pelo também baiano Júlio Caldas. Este é um dos "detalhes" que tornam tão especial o primeiro disco solo do cantor e percussionista Pedro Miranda, "Coisa com Coisa" (gravadora DeckDisc). Cada faixa foi executada de forma diferente, de maneira que o estilo de cada música fosse respeitado. E as interpretações... bem, não é à toa que os fãs do Semente há muito exigiam uma carreira solo do moço. Com menos de trinta anos, Pedro canta com a simplicidade dos grandes mestres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O disco inicia prestando tributo aos mestres Paulinho da Viola e Candeia. A melancólica composição dos portelenses é defendida de igualmente dolorida. Depois, vêm os acordes malemolentes de "Chula Cortada". Difícil escolher, mas acho que essa é a faixa mais bonita do disco. A chula tem um verso que fica na memória: "se o amor é um mar, sou seu marinheiro", melodia linda e uma letra poética que faz referência a mares, manguezais, canaviais...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A valsa (sim, o disco tem uma linda valsa!) "Ciúme sem razão" (Alberto Ribeiro/João de Barro) lembra as serestas de antigamente. Também tem jeito de antigamente a amaxixada "Cumplicidade" - mas trata-se de obra nova, da lavra de Teresa Cristina (sempre com excelentes composições) e de Marcelo Menezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sucesso nas rodas, "O Samba é Meu Dom" (Wilson das Neves e Paulo César Pinheiro) é, nos dizeres de Eduardo Gallotti, "o samba que todo sambista gostaria de ter feito". Pedrinho personaliza a letra trocando o nome de João Gilberto pelo de João Nogueira e, na segunda vez que canta, fala "baquetas" ao invés de pandeiro. Destaque para a clarineta de Rui Alvim. Outra letra muito boa é a da marchinha de carnaval "Vírgula" - os versos brincam com os sinais de pontuação. A participação dos músicos do bloco Cordão do Boitatá (do qual Pedro participa) é fundamental para o clima carnavalesco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A bem-humorada "Caixa Econômica" (Antônio Nássara e Orestes Barbosa) tem oportuna participação de Eduardo Gallotti. Outro momento engraçado é "Sapo no Saco", embolada do alagoano Jararaca, da famosa dupla Jararaca e Ratinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico Buarque, sempre presente no repertório do Semente, comparece com "Doze Anos". Retrato de uma infância que não existe mais, a música fala de coisas cândidas como pião, figurinhas e fruta no pé. Mas também relembra hábitos politicamente incorretos como matar passarinhos, "troca-troca" e os concursos de... pipoca ;) (repare na pausa que o Pedro faz neste trecho quando canta a música pela segunda vez). A flauta e o sax do experiente Eduardo Neves fazem a diferença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Dona Joaninha" é a chance para Pedro e Teresa fazerem um daqueles duetos que nós, fãs do Semente, adoramos. Aliás, os compositores dessa música são Ary Monteiro e Zé da Zilda, e é de Zé da Zilda, também (com José Thadeu Mangione), a divertida "O Calo de Estimação", sempre cantada pelo dois e gravada no disco do Semente "A vida me Fez Assim". Outra perfeita para o estilo "show man" de Pedro - que já foi ator de teatro - é a faixa que dá nome ao disco. "Coisa com Coisa", de Zé Kétti. Muito boa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A panfletária "Nada de Rock Rock", de Heitor dos Prazeres tem participação dos Anjos da Lua (Pedro é cantor e percussionista dos Anjos). Aliás, a performance ao vivo do Pedrinho nessa música é ótima; ele faz aquela pose famosa do John Travolta em "Os embalos de sábado à noite" :)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A produção é de Paulão Sete Cordas, que sabe tudo de samba. Os músicos são figuras tarimbadas da noite do Rio: Luís Filipe de Lima, Maurício Carrilho, Rui Alvim, Eduardo Neves, Bernardo Dantas, João Callado, Pedro Amorim, Esguleba, Márcio Almeida, Alfredo Del-Penho, Paulino Dias... Vale ressaltar também o projeto gráfico criativo do encarte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Decididamente, "Coisa com Coisa" é coisa finíssima.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115988411498560646?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115988411498560646'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115988411498560646'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/coisa-com-coisa-de-pedro-miranda-coisa.html' title='&quot;Coisa com Coisa&quot;, de Pedro Miranda: coisa (muito) fina&quot;'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115974014349622844</id><published>2006-10-02T09:01:00.000-03:00</published><updated>2006-10-01T19:03:48.536-03:00</updated><title type='text'>O sol a lua iluminou*</title><content type='html'>A gente se conheceu no Bar do Alemão, aqui em São Paulo, numas dessas noites frias de amor e samba. E foi lindo o primeiro papo, a primeira impressão foi a de um homem íntegro, consciente e de uma amplitude humana impar.&lt;br /&gt;E assim foi durante meses. Encontros sempre regados a boa música, às vezes nem tão boa, mas a gente fazia a nossa conversa, a gente falava da vida, da poesia, da arte, dos amores e desamores, do sofrimento e de cada um de nós.&lt;br /&gt;Nos aproximamos de maneira inexplicável. Como cúmplices de uma experiência remota onde nossas almas já haviam se encontrado em algum lugar desse espaço astral que nos invade.&lt;br /&gt;Na casa dele, conversas, gravações, canções de poesia sutil, de melodias refinadas. Fotos, amigos, chopp, cigarro, noite, festas, rodas, samba, pessoas, esse universo que compõe e minha realidade e a dele.&lt;br /&gt;Sempre disposto a nos ajudar em tudo, sempre aberto com alguma sugestão e solução certeira e inteligente. Onde quer que estivéssemos lá estava o Chico Blanco, num telefonema de voz alegre, sincera e um rosto cheio de reflexos e espelhos da vida intensa que este homem levou até agora, de maneira visceralmente apaixonada. Sempre um encontro as duas da manha pra tomar a saideira e bater aquele papo tão nosso.&lt;br /&gt;Ontem, conversando com um conhecido, no meio da escolha de um figuro pro meu próximo show, veio a noticia pungente de que o Chico estava com leucemia.&lt;br /&gt;Calei por alguns segundos e pensei em tudo, como em um filme. O bom e o ruim de todos os nossos encontros, a alegria dos abraços de saudação, as atitudes nobres do meu amigo.&lt;br /&gt;Telefono. Ele atende com a mesma voz de sempre e penso: - Haverá sido um engano! O Chico não pode estar doente.&lt;br /&gt;E ele confirma: - É querida, o que eu tenho passado não se explica.&lt;br /&gt;Estive com ele hoje, a tarde toda no hospital Nove de Julho. Domingo cinzento, de decisão democrática. Ele optou pela vida. E luta vitoriosamente pelo seu lugar ao sol aqui perto da gente.&lt;br /&gt;E venceu a primeira batalha. Matou as células cancerosas, depois de um tratamento violento, venenoso e curativo. Irônica dualidade!&lt;br /&gt;Choramos ao lembrar dos nossos amigos e de suas reações diante de tudo isso. Chorei com o relato emocionado dos efeitos devastadores da droga, dos delírios de consciência de vida, de valorização de um novo mundo nunca antes vislumbrado.&lt;br /&gt;Falamos, como sempre, de música, da beleza dos versos de fulano, da complexidade da melodia de cicrano, da generosidade do compositor poeta, que não pôde porque não soube lidar com a dor de ver o amigo em quase morte e vida.&lt;br /&gt;Tomamos um café e fizemos planos. Por que não? Vaticinar o fim é não viver o agora.&lt;br /&gt;Ele sai amanhã do hospital.&lt;br /&gt;Volto pra casa com um peso nos ombros e no peito. Uma vontade de viver de verdade cada momento, cada dia e cada noite. Vontade de amanhecer e anoitecer inteira, podendo estar num domingo chuvoso num quarto de hospital dividindo a dor de um amigo, amparando o desespero do futuro, a ansiedade do por vir e todo o alivio do que já passou.&lt;br /&gt;Eu quero viver cada momento e ser forte pra quem precisa e pra mim. Minha morte eu já vi de perto e renasci como flor em primavera recente.&lt;br /&gt;Eu quero que o Chico se recupere logo, que ele aproveite a vida que ainda lhe resta e que será longa, estou certa de que assim será de uma maneira nova, com um ar de festa serena e um turbilhão de amanheceres a cada passo.&lt;br /&gt;Hoje a vida ganhou pra mim roupa nova através da historia de um sobrevivente convicto de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;* O titulo do texto é verso de um samba enredo do Chico Blanco em parceira com o Jurandir da Mangueira. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115974014349622844?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115974014349622844'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115974014349622844'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/10/o-sol-lua-iluminou.html' title='O sol a lua iluminou*'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115945825187275026</id><published>2006-09-28T12:42:00.000-03:00</published><updated>2006-09-28T12:44:11.910-03:00</updated><title type='text'>Cat nap</title><content type='html'>Eu sou uma pessoa diurna. Acordo cedíssimo, mesmo em fim-de-semana ou feriado, adoro o sol da manhã e se dependesse de mim chegaria ao trabalho as sete para poder estar livre as três no máximo as quatro. Por volta dessa hora eu começo a olhar para o relógio no cantinho do computador torcendo para ele andar mais rápido e marcar logo o redentor seis. Quando trabalhava como guest relations num grande hotel eu pegava minha bicicleta as quinze para as seis, pedalava quarenta minutos pela orla, chegava as seis e meia, tomava um banho e aparecia quicando para mais um dia de labuta, enquanto meus colegas queriam me dar um tiro, para ver se eu me aquietava. Em compensação, quando outro grande hotel me colocou para trabalhar no horário das quatro a meia-noite eu queria morrer. Lá pelas oito, o segundo horário de maior movimento no room service - só perdendo para o café-da-manhã que, aliás, seria perfeito para mim - eu dormitava sobre os três telefones que deveriam ser atendidos ao mesmo tempo e ainda precisava lembrar das precárias lições de que-vinho-combina-com-o-quê dadas pelo maître, pois os hóspedes achavam que a atendente do outro lado da linha era uma enóloga-gourmet e não uma recém-formada em hotelaria que mal sabia o que a vida lhe reservava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, depois de ralar nos mais diversos horários e em todos os feriados e fins-de-semana possíveis, trabalho num horário de gente normal, com folga sábados e domingos e feriados como é de direito (só não alcancei ainda o privilégio do enforcamento de dias pós-feriado, mas um dia eu chego lá). Mesmo começando a trabalhar as nove e morando a dez minutos a pé do escritório continuo acordando cedo por puro gosto. Acordar com o Djou me cutucando, dar comida aos gatos, preparar meu chimarrão e tomá-lo com calma enquanto leio um pouco ou assisto "Barrados no Baile" - sim, já é terceira vez que a temporada se repete, mas eu acompanho como se fosse inédita - para depois tomar um banho sem pressa enquanto o café é passado, são coisas que não tem preço para mim. Não vejo vantagem nenhuma em dormir até o último minuto para aproveitar o tempo e chegar esbaforida e de mau humor no escritório. Eu chego ótima, completamente acordada e já pronta para trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que há o outro lado: tenho sono cedo. Ultimamente tenho ido dormir lá pelas onze, mas até pouco tempo atrás antes das nove eu já estava no décimo sono. Nas primeiras semanas foi difícil ficar acordada durante a novela, mas agora já consigo começar a sono só lá pelas nove e meia e ir para a cama perto das onze. Me forcei a isso porque quem tem sono cedo sofre com as incompatibilidades de horários sociais: sair de casa depois da novela era um absurdo, enquanto outras pessoas me diziam que "nove horas da noite ainda é dia". O mesmo vale para a manhã seguinte: depois de quase trinta anos acordando cedo, mesmo de ressaca meu corpo não permanece dormindo até onze horas, meio-dia. Oito da manhã já é lucro. Daí a minha aversão a virar noites na rua. Chegar em casa com o sol raiando é um pesadelo, pois sei que meus olhos só vão fechar de novo quando o sol se pôr e eu terei um dia de zumbi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom mesmo seria ser como os gatos: eles cochilam toda vez que têm vontade, nem que seja por cinco minutinhos. Somando todas essas "cat naps" - daí a expressão - eles chegam a dormir dezoito horas por dia!! Por isso estão sempre dispostos a tudo e conseguem brincar de madrugada como se fosse dia! Já pensou poder ir ao banheiro da empresa, dar uma dormidinha de cinco minutos e voltar renovado, sem que ninguém percebesse? Seria a solução para dias de noites pouco dormidas - como hoje. Ou na hora do almoço, depois de um sanduichinho, tirar um cochilinho de vinte minutos que dariam energia para a tarde toda? Sei que tem gente que consegue chegar perto disso, mas ainda não é o meu caso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Portanto hoje eu fico é no café preto. Cada dia mais eu desejo voltar gato na próxima encarnação.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115945825187275026?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115945825187275026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115945825187275026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/cat-nap.html' title='Cat nap'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115932905290629924</id><published>2006-09-27T00:47:00.000-03:00</published><updated>2006-09-27T00:50:52.930-03:00</updated><title type='text'>Almas sebosas</title><content type='html'>&lt;em&gt;Segundo o Wickidicionário, do Wickipedia, a expressão é um regionalismo recifense, que serve para denominar uma pessoa nociva à sociedade, como um ladrão, um estelionatário ou um estuprador. O verbete teria sido criado pelo matador pernambucano Helinho, o Pequeno Príncipe que dá nome ao filme “O rap do pequeno príncipe contra as almas sebosas”. Condenado a 99 anos de prisão por ter “justiçado” 65 bandidos, dizia ele: “Não suporto ver alma sebosa solta”.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Almas sebosas são espíritos rançosos, feito salgadinho velho. Têm aspecto ensebado, como cabelos escovados que ficam dias sem ser lavados para não estragar o penteado. Emanam o mesmo cheiro de gordura das barracas de x-tudo. São viscosas e escuras feito óleo de fritar pastel no fim da feira. Brilham de sebo igual a pele de adolescente cheio de espinhas.&lt;br /&gt;São almas emplastradas, que pingam rastro por onde passam. Ensebam o caminho de quem cruzam, melam o chão, embaçam os vidros.&lt;br /&gt;Há almas sebosas de vários tipos. Todas compartilham o prazer em estragar a alegria alheia e o gozo com o infortúnio dos outros – mesmo que não obtenham qualquer vantagem nisso. Existem as almas com seborréia, sempre oleosas. Algumas até desenvolvem caspa de tanto que produzem gordura. Outras se ensebam eventualmente, devido às condições climáticas ou àquilo de que se alimentam. Cada alma deste mundo provavelmente já se engordurou ao menos uma vez. A diferença é que umas almas correm para o banho, para eliminar logo o sebo, outras só acumulam ranço.&lt;br /&gt;E quem nunca encarou um espírito ensebado? Como chefes, eles se satisfazem em empatar sua trajetória profissional para afirmar seu pequeno poder. Como amigos, só aparecem do seu lado quando você está mal, para oferecer o ombro, e somem quando você fica bem. Como conhecidos ou vizinhos, especulam sobre a sua vida para transformar tudo em fofoca. Como amores, não deixam você ter sucesso pessoal para não atrair atenções. Como ex-amores, impõem presença aonde você vá para emperrar qualquer tentativa sua de ser feliz com outra pessoa.&lt;br /&gt;Ainda não se inventou repelente contra as almas sebosas. Ao identificá-las, resta sair de perto e depois jogar limpador multi-uso por onde elas andaram. E não custa sempre levar um xampu anti-oleosidade na bolsa, para a sua própria alma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115932905290629924?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115932905290629924'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115932905290629924'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/almas-sebosas.html' title='Almas sebosas'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115928881127867937</id><published>2006-09-26T13:40:00.000-03:00</published><updated>2006-09-26T13:40:12.120-03:00</updated><title type='text'>572</title><content type='html'>Maria Alice gostava de andar de ônibus. Pediatra bem-sucedida, moradora do manoeliano bairro do Leblon, ninguém entendia como ela poderia não só não ter carro, mas sequer gostar de dirigir. De segunda a sexta, ela pegava o ônibus na Praia do Flamengo, onde tinha consultório, e deixava os pensamentos fluírem, admirando ora a paisagem da orla, ora a fisionomia dos passageiros, ora a última edição da "Marie Claire".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos 41 anos, vivia cercada por três carinhosos labradores, uma infinidade de discos de jazz e vinhos bem escolhidos numa délicatessen perto de casa. Com o namorado dois anos mais velho, da mesma profissão, cumpria todos os sábados o ritual cinema-japonês-sexo. Descasados ambos, sem filhos ambos, não eram apaixonados, mas se davam bem. Paixão dá trabalho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa quarta-feira qualquer, Maria Alice olhava pela janela do ônibus um labrador quando levou um susto. Um rapaz parou de andar na calçada e a encarou! Ela corou. Ruiva, e em boa forma física, achava-se bonitinha... mas não bela... não a ponto de chamar a atenção de um mancebo de no máximo vinte e cinco anos. Deu um sorrisinho sem-graça. Seria um ex-paciente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O rapaz sorriu de volta e... embarcou no ônibus! MEU DEUS! "Isto é Impulse", pensou, atarantada. Olhou para trás - vai ver ele ia mesmo pegar o ônibus, eu é que estou viajando... Bem, fato é que o belo moço sentou-se ao lado da nossa pediatra. Seguiu-se o seguinte diálogo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi, tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ahnn... Tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Cara, vi você na janela e te achei linda... Não resisti, preciso te conhecer!... Que ônibus é esse mesmo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  É o 572... Glória/Leblon...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, tá. Nem reparei. Qual é seu nome?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Conversaram sem parar. Maria Alice até inventou que saltaria no ponto final, só para ficar mais tempo com ele. Thiago tinha 24 anos, era ator desempregado e havia acabado de chegar de Pernambuco. Descobriram afinidades - o prato preferido dele também era lasanha! Na hora de ir embora, trocaram telefones. Num impulso, ele a abraçou forte, durante um tempão. Maria Alice se apaixonou!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Horas depois, prestes a se deitar, não resistiu a cheirar o blazer para sentir se ali estaria o perfume de Thiago.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No blazer estava o cheiro do moço, mas não sua carteira.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115928881127867937?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115928881127867937'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115928881127867937'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/572.html' title='572'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115919688061118216</id><published>2006-09-25T12:04:00.000-03:00</published><updated>2006-09-25T12:08:00.636-03:00</updated><title type='text'>Anima</title><content type='html'>Estou estudando a obra do Chico Buarque na faculdade, em literatura brasileira. Já achei maravilhosa uma matéria com esse tema, uma eletiva com uma professora incrível; me inscrevi mais que rápido. E consegui vaga.&lt;br /&gt;E ando me aprofundando na obra do gênio. E que gênio!&lt;br /&gt;Esse final de semana assisti a um dos DVDs das quatro caixas lançadas com sua obra. E por coincidência (será?) escolhi o que tratava do feminino em sua obra.&lt;br /&gt;A música tema do filme é À flor da Pele,(“o que será que me dá, que me bole por dentro, será que me dá/ que brota à flor da pele, será que me dá...”) e eu já tenho uma análise previa sobre e insisto em dizer que o que é que nos dá se chama amor, paixão.&lt;br /&gt;E como ele fala do que ele entende pelo feminino: &lt;em&gt;“- Quando uma pessoa faz algo não muito legal, é uma pessoa que não foi legal, mas quando é uma mulher.... Existe o feminino. A mulher tem seus motivos, ela é mulher, é sempre passível de perdão”.&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;Confesso que me tranqüilizei com essa declaração. Sim, eu sou mulher, tenho meus ataques de daminha, mulherzinha, tenho TPM, sangro uma vez por mês, fico de saco cheio de ter cólica e carregar compras do supermercado sozinha. E sou perdoável, porque sou mulher e o Chico disse que pode. Rá!&lt;br /&gt;Bem superficial essa minha declaração, até acho que nada justifica nada, mas que me deu alivio em saber que existe um homem como o Chico que nos entende com essa magnitude, com essa generosidade, isso deu!&lt;br /&gt;E me apaixonei um pouquinho mais por ele, pelo o que ele escreve, pelo o que ele é. Na aula a gente polemiza dizendo que a obra dele é elitista, intelectual, que não chega aos ouvidos mais necessitados de arte de categoria, mas em casa, num domingo frio, eu acho o cara um mestre, uma pessoa admirável, um ícone da nossa cultura.&lt;br /&gt;Ainda bem que ele existe!&lt;br /&gt;Vou lá ser bem feminina e já volto!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115919688061118216?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115919688061118216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115919688061118216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/anima.html' title='Anima'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115897200069358219</id><published>2006-09-22T21:38:00.000-03:00</published><updated>2006-09-22T21:40:00.713-03:00</updated><title type='text'>Ônibus</title><content type='html'>Eu já passei muito tempo da minha vida dentro de um ônibus.  Nasci na Abolição, onde morei até meus oito anos de idade.  Desta época não tenho muitas lembranças minhas nos coletivos.  Elas, na verdade, se restringem a remotas passagens na minha memória de idas ao “trabalho da minha mãe”.  Um dia perguntei a uma tia onde era a Praça Xis-vê.&lt;br /&gt;Fui morar em Jacarepaguá, mas foi por pouco tempo:  alguns anos depois já nos mudávamos para a Vila da Penha.  Por questões maritais e bem litigiosas da minha mãe, houve um hiato de tempo em que não havíamos saído do apartamento do Riocentro ainda, mas eu já tinha que estudar na Vila da Penha, para garantir minha vaga no colégio.  Isso quer dizer que minha mãe me buscava todos os dias de lá para mais lá ainda.  São lembranças fatigantes.&lt;br /&gt;Logo chegou a adolescência.  O segundo grau era numa escola em Vaz Lobo.  Lá íamos nós no 928.  Foi no ponto, esperando o ônibus pra voltar para casa, que beijei o Rafael e começou meu primeiro namoro sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Último ano do colégio concomitantemente com o estágio.  Tinha que estar no Centro da cidade às duas da tarde.  No começo, ia direto de Vaz Lobo;  depois passava em casa para almoçar antes.  De lá, saía às seis e, aquilo sim, era uma verdadeira maratona:  fui apresentada à Avenida Brasil na hora do rush.  Me lembro bem que a dita cuja estava em obras na época, o que fazia com que as viagens durassem não raro duas horas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim, sucessivamente, tantas e tantas viagens de ônibus.  Em pé, amassada, sentada (que sorte!), ouvindo fita no walk-man.  Destaque para os tempos de UERJ, curso à noite, eu às dez voltando pra casa no 629 – também conhecido como ‘meia-vinte-e-morte’.  Esse trajeto é um dos mais surreais que já tive de encarar, nunca vi passar por tanto lugar onde o bicho pega.  Depois que saí do subúrbio, lugar delicioso mas cruel de se viver para quem não possui veículo automotivo próprio e tem uma vida minimamente agitada, jurei para mim mesma:  Avenida Brasil nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda ando muito nos coletivos.  Me orgulho de possuir vasta cultura acerca de linhas e trajetos.  Adoro quando me consultam sobre que ônibus pegar para não-sei-onde e eu respondo na ponta da língua.  Passo ainda muito tempo neles.  Há dias em que tenho que fazer oito viagens, mais ou menos algo como casa-trabalho1-mestrado-reunião-trabalho2-trabalho3-casa.  Dentro deles, eu leio, estudo, corrijo prova.  Choro, canto sozinha, me meto onde não fui chamada.  Durmo.  Já passei mal e disse pra todo mundo que estava grávida, para as pessoas não me odiarem (muito).  Vejo o mundo - outro dia vi uma casa de papelão que devia ter um ou dois metros quadrados, na Avenida Paulo de Frontin.  Não tinha teto nem nada, mas tinha um espelho.  Vejo a Enseada de Botafogo, que linda.  Sinto raiva e amor pelos seres humanos.  Conheço as gírias dos trocadores e motoristas, os códigos.  Defendo velhinhas e estudantes com seus problemas com o Riocard.  Acho uma sorte quando vem um com ar-condicionado ou um menos barulhento.  Pra voltar pra casa do Pedro II, eu escolho:  prefiro pegar o 157, no 158 já subiu uma barata no meu pé, e o 179 vai muito mais cheio.  E quando a gente não quer?  Aí vêm dois ou três daqueles difíceis, que não passam nunca quando se precisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho que posso dizer que vivo no ônibus - e nem acho tão ruim assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115897200069358219?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115897200069358219'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115897200069358219'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/nibus.html' title='Ônibus'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115885409433552718</id><published>2006-09-21T12:53:00.000-03:00</published><updated>2006-09-21T12:54:54.360-03:00</updated><title type='text'>Tipinhos Irritantes</title><content type='html'>É claro que eu também devo irritar muita gente por motivos que sequer imagino, por isso escrevo esse texto sem culpa. Sou chata sim, já até escrevi um dia desses sobre isso - o conjunto de malas Louis Vuitton citado ao final do texto era eu - mas existem pessoas que são ainda piores. E se uma dessas me pega num dia "edmundo" as chances de um ser humano a menos habitar a Terra aumentam. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já me disseram que não é bom eu me mostrar assim, tão intransigente. Mas quem me conhece sabe que eu sou um pouco intolerante sim, mas não a ponto de me tornar intratável. Apenas sei o que quero e não pretendo me cercar de pessoas que exaltam meus ânimos - infelizmente de vez em quando é inevitável. Resolvi, portanto, fazer uma listinha dos meus "Top 5 Tipinhos Irritantes". Do menos ao mais, aqui vão eles:&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;5) Gente sem pressa no MEIO da calçada: é claro que também tenho os meus dias de passeio, mas eu sou civilizada e não bloqueio a calçada obrigando os transeuntes a formar uma fila em passo de procissão atrás de mim. Gente, a calçada é larga e seria muito mais lógico todos andarem sempre pela direita, como os carros - eu sei que isso é uma utopia, mas eu juro que ainda tenho esperança de encontrar um lugar onde pensem como eu e esse lugar definitivamente não é Copacabana. Tudo bem, se não dá para fazer isso, pelo menos vamos deixar um dos lados livres para que os outros possam ultrapassar sem que haja aquele desagradável roçar de braços. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;4) Gente que fala alto, principalmente se for ao celular: sim, eu também as vezes preciso falar alto no celular. Mas para isso me retiro da mesa ou de onde quer que eu esteja e falo alto com meu interlocutor surdo ou com dificuldades para me entender. Quando se está tomando um chope com amigos ou sentado no ônibus, não é nada agradável ouvir uma pessoa falando de coisas que não te interessam em altos brados. Se os brados vierem acompanhados de perdigotos e/ou risadas histéricas o quadro se agrava ainda mais. Nesses casos, eu fecho os olhos e mando a pessoa para todos os lugares que se possa imaginar, não mudando jamais a minha fisionomia. Pode ser meu melhor amigo: se falar tão alto ao celular a ponto de encobrir meus pensamentos, será mandado para aquele lugar. Mesmo que nunca saiba disso.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;3) Gente que quer mostrar serviço: esse é aquele tipinho que manda um email e te liga para perguntar se você recebeu. Ou ainda aquele que recebe um email para o qual você foi copiado e pergunta em alto e bom-tom: "fulano, viu o email que fulana mandou para mim e para você? Vou responder tá, não precisa se preocupar". Normalmente isso acontece duas horas depois que você já respondeu o email e o assunto está encerrado. E copiou esse cara aí. (no dia seguinte ele vai dizer, também em alto e bom-tom, que vocês dois responderam ao cliente e pedirá que você o copie da próxima vez. Nessa hora, quebrar um lápis ou amassar um clipe é a melhor solução para que um homicídio seja evitado). Há milhões de outras situações - como mexer em papéis sem parar quando o chefe passa do lado - mas essas duas citadas são as que mais me deixam louca. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;2) Gente que fala de perto: tem coisa pior do que sentir o bafo alheio? Mesmo que não seja de onça, ninguém merece respirar ar já respirado, ainda mais de uma pessoa que não precisa ficar assim tão próxima. Eu não consigo ser discreta nessas situações e quando vejo já estou toda torta para o lado oposto e empurrando a pessoa para longe de mim com uma uma careta de desaprovação. Não consigo evitar, é mais forte do que eu.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;1) Gente que adora uma conversinha fiada: conversar, bater papo, falar bobagem é uma coisa. Agora, falar qualquer coisa só para não ficar calado não dá para aguentar. Sabe aquela pessoa que fala sem pensar, mas fala qualquer coisa MESMO, só para não ficar de bico calado? Com essas pessoa seu faço testes, falando absurdos para ver o que vem de volta. Normalmente vem um absurdo ainda maior e quando eu confronto vem a respostinha "ah, é!" e fica por isso mesmo, como se a criatura não tivesse concordado com um absurdo do naipe "adoro matar cachorrinhos fofos". Esse mesmo tipo pessoa, a que não consegue manter os lábios selados por mais do que cinco segundos, também adora repetir a mesma sentença só mudando a posição das palavras, como por exemplo "ontem eu andei de bicicleta na Lagoa. Eu andei de bicicleta na Lagoa ontem! Sabe a Lagoa? Pois é fui lá andar de bicicleta, ontem..." Ah, e tem também aquele tipo de pessoa que pergunta uma coisa para a qual já sabe a resposta. Grrrrrrrr, já to ficando sem ar! Em boca fechada não entra mosca!!!&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ando mesmo meio Seu Saraiva, personagem do falecido Francisco Milani cujo bordão era "tolerância zero". Em breve, espero, os mantras entoados hão de me tornar uma pessoa mais serena e tolerante. Ommmmmmm...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115885409433552718?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115885409433552718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115885409433552718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/tipinhos-irritantes.html' title='Tipinhos Irritantes'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115876361255062419</id><published>2006-09-20T11:46:00.000-03:00</published><updated>2006-09-20T11:46:52.773-03:00</updated><title type='text'>Eu quero ganhar na loteria</title><content type='html'>Tá, eu sei que todo mundo quer. Mas eu quero ganhar na loteria não é pra comprar uma tremenda casa ou um tremendo carro. Isso é secundário. Simplesmente quero parar de trabalhar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maioria das pessoas diz que não pararia de trabalhar se ganhasse na loteria, que a vida seria chata, que enjoaria logo de "não fazer nada".&lt;br /&gt;Cara, não entendo. Pra mim é tão claro que tem tanta coisa boa a se fazer na vida... Na verdade, uma vida só é pouco para se fazer tudo o que se deve e que não é trabalhar. Por exemplo, uma vida é pouco para se conhecer tudo de música brasileira, sabia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nesse dias em que estou de férias, me convenci ainda mais de que o trabalho NÃO enobrece o homem. Pô, tá sendo tão legal... Viajei para Guapi-Mirim, tomei banho de cachoeira, dormi à tarde, fui ao Samba do Trabalhador (pra quem não sabe, é segunda à tarde...) Enfim, vivi!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trabalho não é "a" vida, não tem que ser sinônimo de prazer, você não precisa ser amigo de quem trabalha. Trabalho é uma forma honesta de se ganhar a vida, só isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não ia ficar "sem fazer nada". Iria à praia de tarde, tomaria um chope às seis, curtiria um samba à noite, dormiria até as 10... E ainda leria no Jardim Botânico, visitaria amigos que moram em Sepetiba e Niterói, meditaria sobre o futuro da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lotofácil ou Megasena?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115876361255062419?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115876361255062419'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115876361255062419'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/eu-quero-ganhar-na-loteria.html' title='Eu quero ganhar na loteria'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115872156132778836</id><published>2006-09-20T00:03:00.000-03:00</published><updated>2006-09-20T00:06:01.386-03:00</updated><title type='text'>Saudades de você, Didi*</title><content type='html'>Ela é ariana, é impulsiva e não costuma avaliar conseqüências.&lt;br /&gt;Ela tem ascendente em capricórnio, trabalha muito e cumpre prazos.&lt;br /&gt;Ela ganhou um apelido reduzido do nome, mas "Maluca" é seu principal codinome.&lt;br /&gt;Seus pés são simpaticíssimos e sua voz é inconfundível.&lt;br /&gt;Sua alimentação é à base de café, pastéis e chocolate.&lt;br /&gt;Ela diz que o acaso a protege e anda sozinha de madrugada sem que nada lhe aconteça.&lt;br /&gt;Ela é capaz de desmarcar um programa com os amigos dez minutos antes do combinado simplesmente porque perdeu a vontade.&lt;br /&gt;Ela vai a uma festa com roupa de ir ao supermercado e ao supermercado com roupa de ir a uma festa.&lt;br /&gt;Ela toma cachaça pura e dorme em boates.&lt;br /&gt;Ela adora uma discussão, só para discordar de todos.&lt;br /&gt;É dela o mais alto coeficiente de zoabilidade do planeta.&lt;br /&gt;Ela já amou um alemão e, quando ele foi embora, tomou um porre e vomitou no meu gato.&lt;br /&gt;Ela já pegou um argentino e não gostou.&lt;br /&gt;Ela ama um australiano.&lt;br /&gt;Ela acha que tudo é possível – e para ela parece ser.&lt;br /&gt;Ela era conhecida como "a devassa de Paraty" e ficou um ano casta esperando por um homem.&lt;br /&gt;Ela não crê que os terroristas do Egito nem que o frio do Nepal possam lhe fazer mal.&lt;br /&gt;Ela não tem medo de correr o mundo – e, se não der certo, não terá medo de voltar.&lt;br /&gt;Ela jura que a Austrália não é tão longe assim – e talvez não seja mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;* &lt;em&gt;Verso do samba-enredo "De bar em bar, Didi, um poeta" (União da Ilha, 1991)&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115872156132778836?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115872156132778836'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115872156132778836'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/saudades-de-voc-didi.html' title='Saudades de você, Didi*'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115858385816333537</id><published>2006-09-18T09:50:00.000-03:00</published><updated>2006-09-18T09:53:14.740-03:00</updated><title type='text'>A árvore</title><content type='html'>&lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Plantei semente. Reguei com adubo e paciência na terra mais tenra que existe. Superei as tempestades e chuvas mais violentas acreditando em ver o primeiro broto. E vi. Surgiu bonito e forte como nascem os de cuidado manso. E venci enchentes e tormentas sempre arando com carinho e persistência por acreditar que viriam flores. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;E surgiram os galhos graúdos, as folhas verdes e veio o sol pra abrilhantar nosso recente pé de esperança. Nasceram flores de cor carmim e de felicidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Mas surgiram as primeiras doenças e cuidei de cada folha como se fossem filhos, remediando a cada dia com esmero e beleza cicatrizando as feridas de cada vinco. E sanaram muitas. As mais profundas deixaram marcas que logo ao ver o primeiro sorriso se suavizaram. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;E hoje foi podado o galho mais nobre, a parte mais florida do nosso encantamento. Foi arrancado com violência o broto mais alto e lindo da nossa árvore.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Algumas flores caíram ao chão e choraram a seiva mais doce que puderam chorar. E gritaram, as lascas da madeira ferida, o grito mais intimo que alguém pode ouvir. O grito de uma dor tão imensa que em nenhum outro momento teve que expressar. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Estão sós: A árvore, o galho e as flores. Deitadas ao relento de uma terra fria, de um abandono lúgubre, de uma solidão sórdida. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p style="font-family: georgia;" class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-size:100%;" &gt;&lt;span style=""&gt;Sentada perto da morte está a força de todo este tempo de dedicação e cuidado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Trebuchet MS;font-size:100%;"  &gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:12;"  &gt;&lt;span style="font-family: georgia;font-size:100%;" &gt;Haverá outra terra em outro jardim pra eu plantar nova semente?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115858385816333537?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115858385816333537'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115858385816333537'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/rvore.html' title='A árvore'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115836943907768380</id><published>2006-09-15T22:15:00.000-03:00</published><updated>2006-09-15T22:17:19.096-03:00</updated><title type='text'>Está tudo bem, não aconteceu nada</title><content type='html'>“Ai, droga, aconteceu de novo.  Vou ligar para a minha mãe e ver se amanhã vamos a um médico.”  Pensei e, mesmo não querendo preocupá-la nem ocupá-la, rendi-me ao movimento que aprendi a fazer, agora que descobri que não sou sozinha no mundo.  Com essa novidade nas mãos, já me questionei:  e se eu não tivesse mãe?  e os que não têm mãe?  Talvez seja medo de perder o que agora, depois de adulta, ganhei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe não é mais a adolescente que me pariu.  Aos quarenta e quatro anos, aprendeu também ela a amar os filhos.  Bem a seu jeito, claro, afinal as pessoas são o que são.  E ela é aquela de quem preciso e sempre precisei.  A criancinha que guarda na caixa de fotos antigas seus olhos tristes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Liguei para ela antes mesmo de chegar em casa, do ônibus, e, reconhecendo-lhe a voz diferente, quis saber, sem perguntar, se ela ainda estava nervosa como hoje no almoço ruim que era pra ser bom, mas que por conta de uma discussão com meu irmão foi indigesto para nós três mesmo antes do prato ser servido.  Estava tudo bem, tudo bem, não tinha acontecido nada, graças a Deus, ela só estava na delegacia, eles levaram o carro dele, a gente estava voltando pra casa, queriam me levar junto, me empurraram para o banco de trás, eu consegui sair, apanhei muito, eles me bateram muito, mas eu consegui sair, graças a Deus, eles tinham escopetas, mas consegui sair com minha bolsa, ele com os documentos na carteira e os documentos do carro, eles me bateram tanto, só levaram minha mala da viagem de ontem com minhas coisas, estou aqui pensando se tem algum endereço meu lá, acho que eram só os terninhos e meus livros, carregador do celular, a conta de telefone que paguei hoje está na minha bolsa, ainda bem, estamos bem, não aconteceu nada, quando sair daqui te ligo com mais calma, vamos pra casa de táxi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se eles têm mãe.  Ela deve ter se lembrado de mim quando passava por apuros, também sabe que não pode me deixar sozinha agora, não agora.  Sabe que estou me reestruturando e que não posso fazê-lo sem ter em quem me ajude.  Logo essa semana, meu Deus, tão significativa, de tantos pequenos acontecimentos e decisões.  Será que argumentou com eles?  Será que disse que eu precisava de uma mão de mãe na minha, a mãozinha da criança melancólica que já nasceu com vergonha de estar viva?  Eles sabem que agora essa criança está conquistando seu lugar ao mundo, aprendendo a caminhar, a resignificar a vida, com grandes possibilidades de ser mesmo feliz?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se eles não sabem, vão ter que saber.  Ou melhor, nunca vão saber.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115836943907768380?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115836943907768380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115836943907768380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/est-tudo-bem-no-aconteceu-nada.html' title='Está tudo bem, não aconteceu nada'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115825606318703428</id><published>2006-09-14T14:47:00.000-03:00</published><updated>2006-09-14T14:47:43.453-03:00</updated><title type='text'>O anel que tu me deste</title><content type='html'>(queridos, desculpem pelo atraso de dois dias, fiquei enrolada!)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Malandro é o pato, que nasce com o dedo grudado pra não usar aliança”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do amigo Henrique Rodrigues, 30 anos. Solteiro, claro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já usei aliança. Tinha uns 18 anos e um namoradinho suburbano da mesma idade. Ele cismou de colocar um anel no meu dedo, tipo noivado. O namoro não durou nem quatro meses, mas a alegria que ele tinha de desfilar com o anelzinho me enterneceu. Ninguém nasce em Padre Miguel impunemente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um professor contou a história da aliança. Nada romântica. É uma espécie de caução, o que a gente chama no Direito de arras. Você não dá um dinheiro de depósito, pra garantir que pagará o aluguel? Então, a raiz da aliança está nisso,  na entrega de um bem para garantir o casório.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse mesmo professor disse que acha aliança brega. Ele foi noivo oito anos. Eu, hein. Brega é ficar noivo. Aliança é o de menos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu vi uma aliança diferente em Tambaba, paradisíaca praia no sul da Paraíba. Dois recém-casados. A aliança era uma tatuagem de um pássaro no ombro, igualzinha para os dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, pelo menos era um pássaro. Outro dia vi uma garota com as costas nuas, e nelas estava escrito algo do tipo “Walmir e Fabielly, amor eterno”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cara, você fazer uma tatuagem com o nome do namorado é muito amor. Ou maluquice. Ou é tudo a mesma coisa, sei lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diálogo numa repartição pública:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O dr. Fulano é um gato!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ele é casado, fofa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não é, não! Ele não usa aliança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É sim. É que ele tá no segundo casamento. No segundo casamento a gente não tem mais saco pra isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem gente que jura que mulher adora cara com aliança. Um amigo falou: “quando quero pegar alguém, ponho uma aliança de noivado que comprei no camelô”. Eu, hein. Eu e minhas amigas sempre demos preferência aos solteiros – especialmente aos que sabem cantar sambas do João Nogueira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-/-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro dia, comentei com uma amiga que um menino tão novinho já usava aliança de casado. Mas ela deu risada e disse que aquilo era um single ring. O quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Single ring. É uma moda nova que veio da Holanda. Uma aliança de solteiro...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, a aliança de compromisso, quando a gente tá namorando? Peraí, isso é antigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, é uma aliança de solteiro mesmo. Quer dizer que você NÃO tá namorando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu Deus! O que está acontecendo com o mundo? Agora você põe aliança pra dizer que NÃO está com ninguém? Pergunta óbvia: não é mais fácil NÃO usar aliança? Pergunta não tão óbvia: o que exatamente quer dizer a aliança? Que você está casado com a solteirice, ou seja, não quer nada sério? Ou a idéia é sinalizar que você está solteiro e sim, está em busca de alguém?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outra coisa com as alianças cada vez mais diferentes de hoje em dia (de osso, de madeira...), já é difícil distingüir as alianças dos anéis comuns. E agora, então? Alguém sabe algo sobre esta moda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Holanda já teve idéias melhores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115825606318703428?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115825606318703428'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115825606318703428'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/o-anel-que-tu-me-deste.html' title='O anel que tu me deste'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115823942572175964</id><published>2006-09-14T10:09:00.000-03:00</published><updated>2006-09-14T10:10:25.743-03:00</updated><title type='text'>Fora da Casinha</title><content type='html'>Essa é uma expressão que eu trouxe comigo e que grudou mais do que chiclete morno na sola do tênis. Posso dizer que quase 100% das pessoas que a escutam a adotam. Inclusive ela já cruzou o Atlântico, indo parar na boca de um cliente italiano que mandou um e-mail de agradecimento por ter sido convidado para o churrasco da empresa. "provenivo fuori dalla casa picolla", dizia o e-mail, prontamente traduzido às gargalhadas pelo meu chefe, que ensinara a expressão a ele. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;É uma expressão corrente no Rio Grande do Sul e eu nunca havia pensado muito nela até chegar aqui. Todo mundo pergunta "mas o que é estar fora da casinha?" e diante da explicação o rosto se ilumina e a o significado se torna claro, redondo, perfeito. Até a minha analista me pediu permissão para usar, "pois achou a expressão perfeita". &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Certa vez, quando trabalhava numa pet shop para animais ricos e famosos, o entregador do dito estabelecimento me interpelou na escada e, diante do meu susto, me perguntou, matreiro: "iiih, tá fora da casinha, é?" Comecei a rir e perguntei de onde ele tinha tirado isso. Ele falou que tinha me escutado no celular. Levou ainda umas boas semanas até finalmente me perguntar o que significava, não sem antes me sacanear em diversas situações diferentes tentando matar a charada do que seria "estar fora da casinha". Quando soube, também passou a usar e disse que a muita gente gostou lá na Rocinha, onde ele mora. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O engraçado é que eu não era uma usuária das mais frequentes desta expressão. Lembro dela mas, como chimarrão, tomou um significado maior para mim depois que vim morar aqui. Da mesma forma que o mate só se tornou meu companheiro de todas as manhãs recentemente, "fora da casinha" virou uma de minhas marcas registradas pós-Rio de Janeiro. Não estar fora da casinha - apesar de muitos mencionarem "só para variar" ao me flagrar largando a casinha de mão - mas usar a expressão com frequencia. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Já houve, inclusive, o desdobramento da expressão por parte dos que comigo compartilham seu uso. Quem é muito chique não sai da casinha, sai da mansão. O bagaceiro sai do barraco. Quando se sai só um pouquinho, se chega apenas até a porta de vidro (do hall do prédio). Quando o estrago é grande, se sai do bairro, da cidade, do país e até do planeta - mas este último só é usado em casos extremos. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;"Mas afinal de contas o que é sair da casinha?", os não-iniciados devem estar se perguntando. Respondo eu: sair da casinha é virar o pote, encher a cara, enfiar o pé na jaca, perder a linha, se esbaldar na água que passarinho não bebe, se afogar na manguaça, tomar um porre, ficar louco, enfim... embriagar-se. Convenhamos que não fica bem para uma moça dizer, ao fim da noite "ai, tô bêbada". Agora, se a mesma mocinha, candidamente declarar "ai, estou fora da casinha", mesmo após vomitar diante do pretendente, a coisa muda de figura. Fica uma coisa menos explícita - até porque os atos falam por si - e agressiva. Uma coisa, digamos assim, meiga.    &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Aos que não são chegados à essa prática, tudo bem: a expressão pode ser usada para os amigos que não estão nem aí e deixam as casinhas regularmente para dar uma arejada. Assim como eu. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Um brinde.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115823942572175964?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115823942572175964'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115823942572175964'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/fora-da-casinha.html' title='Fora da Casinha'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115811738285426179</id><published>2006-09-13T00:15:00.000-03:00</published><updated>2006-09-13T00:16:22.870-03:00</updated><title type='text'>Três mulheres</title><content type='html'>Rua Mem de Sá, quase esquina com Rua Frei Caneca, limites de Lapa, Cidade Nova e Estácio, Rio de Janeiro. Sexta-feira, mês de maio, ano de 2006, cerca de 21h, pouco mais de 20 graus. Três mulheres ganham ali o sustento.&lt;br /&gt;Em trajes mínimos, esperam a clientela passar. Naquele trecho, não há bares ou casas noturnas, apenas sobrados abandonados e um solitário camelô de bebidas. A rua é escura e, àquela hora, são poucos os pedestres.&lt;br /&gt;A mulher mais velha aparenta uns 40 anos de idade, tem os cabelos pintados de louro e, apesar dos quilos a mais, usa microssaia. Como se sentisse vergonha, esconde-se dos postes de luz e pára numa sombra. Fuma vários cigarros seguidos.&lt;br /&gt;A mais nova não teria mais de 20 anos. Morena, cabelos pretos e compridos, bem magra. Seu figurino se compõe de um short bem curto e um top que cobre somente os seios. Sem medo, vai para o meio da rua se expôr para os carros.&lt;br /&gt;A terceira das mulheres talvez beire os 25 anos. Pele branca, cabelo curto, corpo malhado. Veste saia e coturno e exibe um decote profundo. Escolhe a calçada no ponto mais iluminado e abre uma lata de cerveja.&lt;br /&gt;Um homem se aproxima. Mulato, alto, forte. Parece conhecido da mulher de cabelo curto. Conversam, discutem, ele a segura pelo braço, ela se desvencilha. Ele sai de perto e vai falar com a mais velha. Vão embora juntos.&lt;br /&gt;Pára uma Cherokee preta com película escura nos vidros. O motorista chama a morena por uma fresta. Em segundos, ela entra no carro, que sai em disparada.&lt;br /&gt;Fica a mulher de cabelos curtos. Ela abre outra cerveja. Acende um cigarro. Anda de um lado a outro da calçada. E espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115811738285426179?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115811738285426179'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115811738285426179'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/trs-mulheres.html' title='Três mulheres'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115792504510152319</id><published>2006-09-11T08:49:00.000-03:00</published><updated>2006-09-10T19:05:05.633-03:00</updated><title type='text'>PISA (Partido Individualista dos Sem Alternativa)</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Há dias em que acordo tirana, na TPM principalmente. Há outros, nem tanto, que sou mais anarquista. Graças a Deus! Tenho uma birra declarada pelos regimes de direita e ultimamente também pelos da esquerda radical. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Tenho meu lado déspota, meu lado capitalista, minha parcela sindicalista e “justiça seja feita”, mas confesso que em tempos de eleição a confusão toma conta do meu governo interior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Queria que todos tivessem direitos iguais, que as classes não existissem, que o acesso à tudo fosse de todos, que vivêssemos em paz com nossas conquistas materiais e que não fossemos forçados a aderir a este ou aquele recurso do sistema ao qual estamos condenados. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fico furiosa em ter que pagar taxa prá tudo, imposto sobre tudo e ainda assim aderir às iniciativas privadas pra garantir um futuro decente, uma tranqüilidade talvez inócua. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Num arroubo ingênuo, desejo paz para todos, direitos iguais, desapego e estabilidade. Desejo que sejamos reconhecidos pelo nosso trabalho, que sejam nobres as causas pelas quais se luta diariamente. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Vivemos num tempo de exceções. Sempre há aquele que não cumpre, aquele que tem o egoísmo na testa, aquele que acha que no radicalismo, seja desde qualquer ponto de vista, está a solução.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Hoje li sobre a candidatura do Clodovil a deputado federal pelo PTC de São Paulo. Ao ser questionado com a máxima &lt;i style=""&gt;“Direita ou esquerda?”,&lt;/i&gt; ele lança ferino: “Ereto”. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Sim, senhor, também desejo algo de ereto na minha vida, não há dúvida disso, mas... Aonde vamos parar com toda essa ironia e despreparo evidente diante de uma pergunta dessas?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu talvez respondesse o mesmo, fico pensando. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não sei mais pra que lado ir. Visito os sites dos candidatos, procuro por opiniões amigas e nada me convence a querer ser cidadã. Mas prá quê mesmo a gente precisa ser isso aí?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Desde que tirei meu CPF, abri minha conta no banco e pago meus impostos, tenho tido dor de cabeça, ânsia de vomito, nojo e nem sequer conto com um médico da rede pública capacitado em me atender em um lugar limpo, decente e eficiente. E os que não podem pagar por isso, meu Deus? E agora? Tento, muitas vezes em vão, ajudar a quem precisa, com alguma iniciativa da sociedade medianamente preocupada com os “sem oportunidade”.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E me perco sempre. Não me identifico, não me acho no meio dessa briga toda pelo poder e pelo “fazer bem”. Esse famoso catolicismo!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Fecho o jornal e reflito com um bocado de tristeza: O individualismo deveria se tornar uma maneira de governar o mundo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Que merda!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:11;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E você, vai votar em quem&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;?&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-family:georgia;"&gt;   &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115792504510152319?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115792504510152319'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115792504510152319'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/pisa-partido-individualista-dos-sem.html' title='PISA (Partido Individualista dos Sem Alternativa)'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115773866078974702</id><published>2006-09-08T14:55:00.000-03:00</published><updated>2006-09-08T15:06:09.900-03:00</updated><title type='text'>Cinemadalena</title><content type='html'>Disseram-lhe, quando criança, que tinha nome de mulher sofredora. Não sabe se acreditou ou não, mas jamais esqueceu a sentença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua beleza era grotesca, de Almodóvar. Seus traços foram desenhados a giz de cera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua expressão de todos os dias, fosca. Pouca luz, lúgubre. No Banco do Brasil, onde trabalhava, conheciam-na como 'morta-viva'. Cumpria rigorosamente seus deveres como se sua presença não se fizera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No pequeno apartamento onde vivia, a mobília era escassa e funcional.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando dormia, tinha sonhos alegres. Comédias românticas. Roupas claras, maquiagem suave e narural, cabelos ao vento, sorrisos salgados de felicidade. Abraços e árvores. Sempre acordava com o rosto em brasas, coração afogueado. Madrugadas de outras vidas, disparatadas, não-suas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O compromisso de sua alma era com sair do trabalho e colocar-se diante da tela. Ali exibia-se o sagrado de sua vida. Ação diária na semana, alguns filmes repetidos. Fins de semana geralmente atribulados, as histórias se sobrepunham.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Madalena tinha uma rotina de cinema.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115773866078974702?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115773866078974702'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115773866078974702'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/cinemadalena.html' title='Cinemadalena'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115763972025707402</id><published>2006-09-07T11:34:00.000-03:00</published><updated>2006-09-07T11:36:47.296-03:00</updated><title type='text'>On line</title><content type='html'>&lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Meu computador de casa é uma relíquia  e eu não tenho banda larga. Juntanto o valor de todas bugigangas que já comprei  desde que herdei meu super Pentium (assim mesmo, Pentium puro) eu poderia  comprar mais do que uma máquina super completa, mas confesso que não ligo muito  para internet quando estou em casa. Já no escritório, a coisa é bem diferente...  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A primeira coisa que faço ao chegar,  antes mesmo de tirar a bolsa do ombro, é ligar meu super-power-mega computador,  que tem até monitor LCD (lindíssimo!). Digito a senha, conecto no messenger,  abro minha caixa de e-mails profissional e começo a selecionar o que é lixo, o  que deve ser impresso, o que deve ser respondido imediatamente e o que deve ser  lido mais tarde. Em dez minutos já estou na caixa pessoal, de onde vou para o  Globo Online. Só então começo o trabalho pesado e básico que meu job description  define para a minha função. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Nos dias em que chego e a internet  está fora do ar a minha vontade é de girar nos calcanhares e voltar para casa. O  que fazer num mercado globalizado como o meu sem internet? Hoje em dia falo  pouquíssimo ao telefone, é tudo via messenger ou skype que, além de ser uma  economia absurda, me permite xingar a vontade a pessoa do outro lado e ainda  assim "soar" com uma polizez impecável (falo "soar" porque só me comunico  escrevendo, para evitar que minha voz-edmundo assuste alguns clientes e  fornecedores em momentos de tensão). &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mas a internet oferece uma infinidade  de atividades que podem ser feitas no conforto de nossas cadeiras Giroflex e que  vão muito além de mandar e receber emails. Eu usufruo de todas e de mais  algumas, tais como: &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Conversar com  amigos:&lt;/strong&gt; atividade básica para a sobrevivência de um ser humano entre as  09h00 e as 18h00. Uma excelente definição do messenger (&lt;a title="http://www.msn.com.br/" href="http://www.msn.com.br/"&gt; www.msn.com.br&lt;/a&gt;)  é "boteco virtual". Nada como chorar as pitangas no ombro da amiga ou  simplesmente jogar conversa fora enquanto mantemos o semblante sério de quem  está compenetradíssimo em um complicado relatório. Viva o inventor das santas  janelinhas que pulam do lado inferior direito da tela! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+&lt;/strong&gt;  &lt;strong&gt;Aperfeiçoar conhecimentos gerais&lt;/strong&gt;: pode ser a última  fofoca sobre a gravidez da Britney Spears, fotos inéditas das filmagens de  "Lost" com Rodrigo Santoro ou a vida de Hector Bonilha (o homem mais bonito do  mundo, segundo declaração da Dona Florinda). A verdade é que o Google tudo sabe,  o Google tudo vê ( &lt;a title="http://www.google.com.br/" href="http://www.google.com.br/"&gt;www.google.com.br&lt;/a&gt;). Nos dias em que o tempo  demooooora a passar eu lanço um assunto qualquer, clico em "estou com sorte" e  leio o que aparece sobre o tema. Atividade educativa e interessante, além de ser  excelente para apressar o ponteiro grande a se alinhar com o pequeno.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Comprar livros:&lt;/strong&gt; o  meu Visa que o diga... Minha superfaturada boleta do cartão de crédito chega a  ser monótona: Submarino 01/03; Submarino 03/05; Submarino; Submarino 02/10 (ok,  essa não é prestação de livro...); Submarino 02/02... Com alguns raros casos de  E-bay (vide item abaixo), minha fatura de cartão é praticamente um anúncio desse  site do mal ( &lt;a title="http://www.submarino.com.br/" href="http://www.submarino.com.br/"&gt;www.submarino.com.br&lt;/a&gt; )&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;que, além de ter absolutamente de  tudo, adivinha os meus desejos. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Participar de leilões no  E-bay:&lt;/strong&gt; depois que descobri o E-bay (&lt;a title="http://www.e-bay.com/" href="http://www.e-bay.com/"&gt;www.e-bay.com&lt;/a&gt;), minha vida mudou. Itens que eu  nem sonhava serem essenciais tornaram-se casos de vida ou morte. Foi  assim quando perdi o leilão de uma Barbie Breakfast at Tiffany's: após quatro  dias de lances constantes e unhas roídas, uma chinesa deu o lance final de quase  o dobro do valor pedido pelo vendedor e arrematou meu tão sonhado objeto de  desejo dois minutos antes do término do prazo. É claro que eu não pagaria o  valor exorbitante que a moça pagou pela boneca, mas minha frustração foi  tamanha que quase chorei sobre o teclado. Só não o fiz porque, teoricamente, eu  estava trabalhando. Em compensação finalmente adquiri meu Ray Ban modelo aviador  (tá bom, não era leilão, era só entrar e comprar... droga, eu não sei mesmo  mentir). Continuo atrás de um gloss da MAC que sempre perco no último  minuto. Competir por produtos supérfluos é tão viciante que pode, em casos  extremos, se tornar um caminho sem volta. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Aprender receitas:&lt;/strong&gt;  tenho uma pastinha nos meus Favoritos onde há somente sites culinários. Alguns  são bem trash -  como o da TV Gazeta (&lt;a title="http://www.tvgazeta.com.br)/" href="http://www.tvgazeta.com.br%29/"&gt; www.tvgazeta.com.br)&lt;/a&gt; e o Cyber Diet (&lt;a title="http://www.cyberdiet.com.br/" href="http://www.cyberdiet.com.br/"&gt;www.cyberdiet.com.br&lt;/a&gt;)-, outros são fofos  - como o Mixirica (&lt;a title="http://mixirica.v6.com.br/" href="http://mixirica.v6.com.br/"&gt;http://mixirica.v6.com.br/&lt;/a&gt;) e o Cooking  with the Monkey ( &lt;a title="http://www.himonkey.net/cooking/index.html" href="http://www.himonkey.net/cooking/index.html"&gt;www.himonkey.net/cooking/index.html&lt;/a&gt;)  - e há ainda os que são muito úteis e interessantes - como o Top Secret Recipes  (&lt;a title="http://www.topsecretrecipes.com/home.asp)" href="http://www.topsecretrecipes.com/home.asp%29"&gt;  www.topsecretrecipes.com/home.asp)&lt;/a&gt; e o da Nigella Lawson (&lt;a title="http://www.nigella.com/" href="http://www.nigella.com/"&gt;www.nigella.com&lt;/a&gt;). Fico horas escolhendo  alguns quitutes para depois tentar reproduzir em casa. Copio e colo tudo num  documento de Word, imprimo e depois passo a limpo no meu caderninho de receitas.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Rir até não poder  mais:&lt;/strong&gt; esse quesito fica basicamente a cargo do site das Garotas que  dizem Ni (&lt;a title="http://www.garotasquedizemni.com/" href="http://www.garotasquedizemni.com/"&gt;www.garotasquedizemni.com &lt;/a&gt;), cujos  textos me arrancam lágrimas de tanto rir e acabam me entregando. Não consigo  manter minha cara-de-trabalho quando estou lendo os textos dessas meninas. Junto  com elas há ainda alguns sites e blogues que não são bloqueados pelo firewall  aqui da empresa, tais como o Pensar Enlouquece ( &lt;a title="http://www.gardenal.org/inagaki" href="http://www.gardenal.org/inagaki"&gt;www.gardenal.org/inagaki&lt;/a&gt;),  Serendipidade (&lt;a title="http://www.serendipidade.com/" href="http://www.serendipidade.com/"&gt;www.serendipidade.com&lt;/a&gt;), Coluna Digital  (&lt;a title="http://www.colunadigital.com.br/" href="http://www.colunadigital.com.br/"&gt;www.colunadigital.com.br &lt;/a&gt;), Mundo  Perfeito (&lt;a title="http://www.mundoperfeito.com.br/" href="http://www.mundoperfeito.com.br/"&gt;www.mundoperfeito.com.br&lt;/a&gt;) entre  outros.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;strong&gt;+ Ouvir música:&lt;/strong&gt; essa  é outra revolução na minha vida. Sou muito mais feliz depois que fui apresentada  ao Pandora (&lt;a title="http://www.pandora.com/" href="http://www.pandora.com/"&gt;www.pandora.com &lt;/a&gt;). Lá basta colocar o nome de  um artista ou música para que uma infinidade de músicas relacionadas toque  infinitamente até que o computador seja desligado ou a conexão caia. O  preço? Apenas um zip code dos USA (que eu roubei de um cliente) para a validação  do cadastro. Eu já tenho um sem-número de rádios personalizadas, entre elas a do  Paulinho da Viola, do Chico Buarque, da Billie Holiday, dos Beatles, do Elvis,  Do Cole Porter... o mais estranho é que, não importa qual das rádios eu esteja  ouvindo, sempre aparece a Beth Carvalho! Mistérios do mundo virtual... Ah, há  também a rádio Trash80 ( &lt;a title="http://www.trash80s.com.br/radio_tv_trash.php" href="http://www.trash80s.com.br/radio_tv_trash.php"&gt;www.trash80s.com.br/radio_tv_trash.php&lt;/a&gt;),  que conta com clássicos como "Tumbalacatumba" da Vovó Mafalda e "A pipa do vovô"  do Sílvio Santos, junto com as já batidas músicas de qualquer festa anos 80.  &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como além de tudo isso ainda tenho que  trabalhar, meu dia acaba sendo mesmo muito corrido. Afinal de contas, alguém tem  que ganhar a ração dos felinos. Dia desses fui ao cartório e enquanto esperava a  escrevente validar minha assinatura fiquei observando o Madureira, vizinho de  mesa dela. Ele devia ter uns 70 anos, usava camisa aberta, calça jeans  desbotada, mocassim e trabalhava diante de uma máquina de escrever e de um  risque-e-rabisque. Fiquei tentando imaginar o que Madureira fazia durante as  oito horas diárias que ficava ali no cartório... Pobre daquele que não tem  acesso a esse portal mágico para o mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vicki&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt; &lt;div  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt; &lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115763972025707402?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115763972025707402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115763972025707402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/on-line.html' title='On line'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115753724530257416</id><published>2006-09-06T07:02:00.000-03:00</published><updated>2006-09-06T07:07:25.316-03:00</updated><title type='text'>Me ame</title><content type='html'>Me ame por todos os meus acertos, por tudo o que eu tenho de mais bonito e de mais cativante.&lt;br /&gt;Me ame por todos os meus erros, pelo meu lado mais feio e mais repugnante.&lt;br /&gt;Me ame pelo tanto que o faço feliz e me ame também pelo tanto que o incomodo.&lt;br /&gt;Me ame pelo que, em mim, é para você espelho e casa.&lt;br /&gt;Me ame pelo que lhe é oposto e estranho.&lt;br /&gt;Me ame pelo que mostro de mais perfeito e me ame também pelos meus defeitos.&lt;br /&gt;Me ame pelo meu sorriso e pela alegria que lhe provoco.&lt;br /&gt;Me ame pelo meu pranto e pelas lágrimas que lhe causo.&lt;br /&gt;Me ame pelo que o desperta e pelo que o faz adormecer.&lt;br /&gt;Me ame pelas minhas conquistas e pelos meus fracassos.&lt;br /&gt;Me ame pela minha força e pelas minhas fraquezas.&lt;br /&gt;Me ame pelo que lhe trago de novo e pelo que o faço recordar.&lt;br /&gt;Me ame pelo que falo e também pelo que calo.&lt;br /&gt;Me ame pelo que lhe dou de conforto e pelo que o machuco.&lt;br /&gt;Me ame pelas minhas palavras mais doces e pelas minhas piores ofensas.&lt;br /&gt;Me ame pelo tanto que lhe faço ter orgulho e pelo tanto que lhe envergonho.&lt;br /&gt;Me ame pelo que sou e pelo que nunca vou ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115753724530257416?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115753724530257416'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115753724530257416'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/me-ame.html' title='Me ame'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115746945225726956</id><published>2006-09-05T12:17:00.000-03:00</published><updated>2006-09-05T12:17:33.233-03:00</updated><title type='text'>A lágrima é tão maldita*</title><content type='html'>Ontem eu vi um homem chorando. Eu estava no ônibus e ele se sentou no banco à minha frente. Encostou a cabeça no vidro e chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei chocada. Faz tempo demais que não choro, e eu sou mulher, eu posso. Ah, não, não senhor. Não admiti que um homem, um HOMEM, fizesse isso no meu ônibus, o ônibus que eu pego todo dia, às quatro da tarde de uma tarde chuvosa, atrapalhando a minha viagem. Haha, o passatempo da minha viagem. Não consegui me concentrar mais no jornal. A palavra que me veio à mente foi estorvo. Eu desprezei aquele homem. Eu tenho que parar de ler no ônibus. O pai da minha amiga teve descolamento de retina por causa disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha uns 35 anos, era mulato, usava um casaco azul-marinho de lã. Não chorava feito a gente, mulher: era um choro seco, sem soluços – um choro de homem. As lágrimas saíam e ele as enxugava meio que fingindo que limpava o nariz. Não tirava o rosto da janela. Disfarçava di-rei-ti-nho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensando se ele descobriu que tinha câncer, Aids... Sei lá, ele podia ter acabado de receber o resultado de um exame... Homem que chora assim, num lugar público, a gente pensa logo em tragédia, né? Mas podia ser uma tragédia menor: chifre. “Homem que é homem não chora/quando a mulher vai embora”, cantava o samba antigo. O homem não era um homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei de uma falecida amiga que dizia: “nunca confie num homem que chora na sua frente”. Motivo? "Homem que chora pra você, um dia vai fazer VOCÊ chorar". Talvez fosse verdade, eu já chorei muito por um ex que um dia chorou na minha frente e eu tinha achado a coisa mais romântica do mundo na hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente nem era nada sério. Homem chora por coisa boba? A gente chora. Chora porque foi destratada pela vendedora. Chora de felicidade. Noivas sempre choram. Mas é de felicidade ou é de medo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente ele é sensível, tá chorando porque vai ser papai... Ai, que saco. Tenho a mania de fazer isso: olhar para uma pessoa qualquer no ônibus ou numa sala de espera e imaginar seus dramas e alegrias. Aquela ali acabou de saber que está grávida. É solteira. Engravidou do namorado de um mês. Tira ou não tira? Aquele ali, com ar distraído, ganhou na loteria e calcula se precisará trabalhar de novo nesta vida. Vamos ver: se eu colocar no banco e conseguir um rendimento de R$ 10.000 por mês...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu já fui muito chorona. Sobretudo em filmes. Chorei até em “O Casamento do Meu Melhor Amigo”, que é uma comédia, mas é que eu me identifiquei tanto com a personagem da Julia Roberts que eu fiquei tão triste de ela ficar sem o cara que ela gostava... Ele preferiu a sem-graça da Cameron Diaz. Ah, você não sabia do final? Sorry. Peraí, peraí que o homem parou de chorar. Olhou desconfiado pra trás, mas eu fui mais rápida e baixei os olhos para o jornal. A dor da gente não sai no jornal, alguém escreveu. Ele se virou para trás. Ai, meu Deus...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moça...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hanran? - pavor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A senhora tem um lenço de papel aí? Essa gripe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Claro, toma aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele parou. Ufa. Agora posso chorar por dentro em paz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*título retirado do samba-canção “Um favor”, de Lupicínio Rodrigues. Verso completo: “A lágrima é tão maldita/Que a pessoa mais bonita/cobre o rosto pra chorar”.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115746945225726956?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115746945225726956'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115746945225726956'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/lgrima-to-maldita.html' title='A lágrima é tão maldita*'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115730098673511256</id><published>2006-09-04T10:25:00.000-03:00</published><updated>2006-09-03T16:15:25.510-03:00</updated><title type='text'>Primavera fria</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A Ximbica é uma cachorrinha linda, pretinha, vira-lata, cheia de personalidade e muito, muito feliz. Foi salva das mãos de um morador de rua violento pelo Cosme, que não aturou as pauladas. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Cosme é um moço que cuida dos carros numa ruazinha onde eu paro o meu duas vezes por semana para dar aulas na empresa x. Ele é um homem do bem, e não sei por que nem como fomos ficando amigos. Eu chegava, ele vinha logo com a Ximbica me cumprimentar, me contar as últimas peripécias da sua cadelinha, que ela havia ido com ele até Osasco atrás da sua bicicleta, sempre companheira, sempre apaixonadamentre grata por ter sido liberta. Ele olha nos olhos, lá dentro, é inteligente, emocionalmente sábio.  &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E eu levava um ossinho num dia, uma tigelinha no outro, um cobertorzinho, dava receita de anti-pulgas natural e baratinho, falava um pouco das minhas experiências com meus gatos.... Vinte minutos de conversa e de uma cumplicidade secreta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Um dia o Cosme apareceu com um olhar esquisito, com olheiras profundas e aparentemente cansado.  Pensei logo em bebida. &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A Ximbica sempre lá, do lado dele.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Depois disso ele sumiu. E apareceu após algumas semanas dizendo ter estado gripado, de cama. Ele mora ali na rua de cima com a Élcia, a mulher dele, que eu conheço. Uma nortista arretada, maluca por um bingo e cheia de dignidade. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mais algumas semanas de olhar estranho, cansado, triste, longe. Sempre respondendo que estava cansado, que havia trabalhado muito e essas desculpas ocas até o sumiço total. De vez.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Eu passava de carro na ruazinha só pra ver se os encontrava. E senti uma falta louca daquela festa toda, daquele pedacinho de dia de troca, de brincadeira, papo com um homem digno, honesto e do bem. Como o Cosme é do bem!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Terça-feira passada, frio de rachar a pele da alma, saio da aula, cheia de silêncio dentro e dobrando a esquina, ta lá o Cosme sem a Ximbica, arrastando uma perna: &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Estive internado. Quatro dias no HC. Tive convulsões, fiquei mal mesmo, quase morri. Tudo por causa do litro de pinga que eu tava bebendo por dia. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Minha cara deve ter sido de espanto, horror ou dor, ou tudo ao mesmo tempo, sabe lá...)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- E a Ximbica, Cosme?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;- Ta lá em casa com a minha mulher. Ela ficou triste! Agora  fica deitada do meu lado toda hora, fazendo carinho em mim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;(Uma lágrima escorre pelo rosto daquele pedaço de humanidade exposta)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ficamos quase uma hora conversando. Ele me contou como tinha sido tudo, que foi a pé até o hospital porque tava sem grana, que tremia muito, que teve medo de morrer. Me contou das cartas que recebera da mãe em tom de súplica, da visita às pressas da irmã lá de Minas, as vezes que ele tinha parado e as recaídas, as dores mais profundas. Me falou  do desejo de melhora, da vontade  e da força que  precisa e não sabe onde achar. Me contou da dívida de R$ 100,00 que tem nas Casas Bahia e de que como está preocupado em saná-la. Disse até que tava rezando e chorou baixinho pra eu não perceber. Quisera mesmo não ter percebido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O Cosme é um cara querido. Todo mundo na rua o ajuda dando roupas, carinho, trabalho, coisas para a Ximbica; todos estão engajados em fazer com que ele pare de beber. O moço do boteco disse que ele podia consumir o que quisesse, mas que álcool ele não lhe serviria mais. Ele precisa querer e sabe disso.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O frio da noite caindo, as lágrimas dele, meu coração rasgado, a rua deserta e uma certeza de falta de fé, tanto minha quanto dele. Renovamos esse pacto, os dois, cúmplices. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"  style="font-family:georgia;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Na quinta-feira levei um cachecol pro Cosme. Ele tava lá, um pouco mais forte, separando alumínio do lixo da esquina, ocupando a mente e pensando em sabe lá o quê. Disse que terça-feira leva a Ximbica pra eu ver. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Cada um com seus pensamentos e encontros. Cada um com sua história, voltei pensando  e sentindo a esperança que talvez tivesse já esquecido que se pode sentir.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style=";font-family:Arial;font-size:11;"  &gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;"  &gt;Enquanto isso eu fico &lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:georgia;font-size:100%;color:black;"   &gt;aqui separando as pedras do meu caminho, pra poder plantar flores em breve e sempre mais uma vez. &lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115730098673511256?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115730098673511256'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115730098673511256'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/primavera-fria.html' title='Primavera fria'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115712525995153649</id><published>2006-09-01T12:39:00.000-03:00</published><updated>2006-09-01T12:40:59.976-03:00</updated><title type='text'>Da divisão do tempo</title><content type='html'>Sonolenta – como sempre pela manhã – ouvi no prestativo rádio-relógio:  “Sexta-feira, primeiro de setembro.  Em Brasília, oito horas”.  Foi quando me dei conta que o agosto conturbado desse ano havia ficado pra trás.  O tempo frio continua como nesses dias anteriores, a preguiça de sair da cama é a mesma .  Mas veja bem, é setembro.  É um primeiro dia.  Que seria de nós se não houvesse primeiros dias?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia do ano.  Nem bem chega, já é recebido com festa e exigências.  Que esse ano seja melhor do que o passado.  Que eu consiga isso ou aquilo.  Que tudo se realize no ano que vai nascer.  As primeiras horas de um dia, sempre dispostas a mostrar que o tempo se renova - de maneira fictícia, que seja – que é tempo de recomeçar.  Refazer, reconstruir, prosseguir.  Viver, enfim.  Faz dez anos, faz vinte anos, faz uma semana que se nasceu, morreu, deixou de fumar, que a vida mudou em determinado dia.  E assim vamos somando e renovando entre dias e vidas nos dias.  Colocando mais um pedaço de existência na história da nossa existência.  Aos poucos, cada dia, cada ano, cada mês ou semana.  Tempo de falar, tempo de calar, de rir e de chorar, divididos para serem dominados e para que se tornem compreensíveis a nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque estou me sentindo muito bem no primeiro dia deste mês, e estou dançando pela casa e ouvindo Chet Baker, e planejando um fim de semana bom, produtivo, tranqüilo e divertido, é que recebo esta nova vida que setembro hoje me traz com suspiros de novas perspectivas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115712525995153649?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115712525995153649'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115712525995153649'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/09/da-diviso-do-tempo.html' title='Da divisão do tempo'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115703976549192566</id><published>2006-08-31T12:55:00.000-03:00</published><updated>2006-08-31T12:56:05.510-03:00</updated><title type='text'>"Um elefante incomoda muita gente..."</title><content type='html'>Os chatos estão em todo o lugar. Mas há pessoas que ultrapassam tanto o limite da chatice que acabam sendo queridos por isso. Não foram poucos os "chatos tâo chatos" que passaram pela minha vida (alguns permanecem).&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O "chato tâo chato" é aquele que consegue te divertir e até agradar com sua chatice. Ele não é o que cutuca: ele é o que te finca o braço com o dedo até deixar roxo! E você acha engraçado! Se outra pessoa o fizer, leva um soco, mas não o seu amigo "chato tão chato". Ele fala alto e cospe, diz as maiores barbaridades sem ruborizar, te causando um constrangimento absurdo, mas a história é contada as gargalhadas mais tarde. Fosse outro... melhor nem pensar.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O "chato tão chato" conta sempre as mesmas piadas. Ele ri e bate nas costas do seu avô, que se engasga e é socorrido por quem? Pelo "chato tão chato", que ergue os braços da vítima enqunto profere "São Brás! São Brás!" ao mesmo tempo que tenta empurrar-lhe goela abaixo um copo d´água. Depois do susto, o avô agradece e conta por anos a fio a história do dia em que seu amigo o salvou de morrer engasgado ao rir de uma piada tão engraçada que quase causa uma tragédia. O "chato tão chato" causa a quase-tragédia e ainda sai como herói.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O "chato tão chato" canta "parabéns à você" a todo o momento no dia do seu aniversário. Você fica de saco cheio, mas também acha bonito o cara lembrar o dia todo que aquele é seu dia. Ele manda mensagem fonada com "Jesus Alegria dos Homens" tocando ao fundo e você se emociona. Ele te dá de presente um bibelô (ou camiseta) horroroso, mas com um tema bem específico que ele acha que você gosta - como sapos, por exemplo - e você acha legal ele ter pensado com carinho do que te dar ao invés de te dar um vale-CD (mais aproveitável, porém impessoal). Na verdade ele te deu um sapo cafona uma vez - lembrança de Miami - e você fingiu que gostou para não ferir os sentimentos. Agora você tem uma estante de sapos... &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Ele adorou "Quem Mexeu no meu Queijo?" e te obriga a ler dizendo que esse livro mudou sua vida. E você lê. E acaba achando que tirou lições da leitura que nunca faria por conta própria.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;O melhor de tudo é que o "chato tão chato" nem sonha que é chato. Ele inclusive comenta "fulaninho é chatinho, né?", franzindo o nariz e imitando alguma coisa que o fulaninho fez ou disse de forma infantilizada. Tem coisa mais chata do que isso? Mas o "chato tão chato" faz isso sem ser repreendido. Faz parte de sua personalidade e você aceita isso. &lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Chato por chato, todo mundo é, em maior ou menor grau. Mas se é para ser chato, vamos ser direito: não basta ser mala, tem que ser um conjunto completo Louis Vuitton.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115703976549192566?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115703976549192566'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115703976549192566'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/um-elefante-incomoda-muita-gente.html' title='&quot;Um elefante incomoda muita gente...&quot;'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115693312076275601</id><published>2006-08-30T07:17:00.000-03:00</published><updated>2006-08-30T07:18:40.780-03:00</updated><title type='text'>O Líbano em mim</title><content type='html'>Nunca fui ao Líbano, não sei uma palavra de árabe além de "hammus tahine" (pasta de grão de bico). A ascendência é de três gerações atrás, de bisavós maternos que imigraram no início do século. Com os parentes que lá ficaram, foi perdido o contato há muitos anos. Os sobrenomes, Calil Tanuss, minha avó não passou aos filhos. Mas o Líbano está em mim.&lt;br /&gt;O Líbano está nos traços do meu rosto, nas sobrancelhas grossas e escuras. O Líbano está no meu corpo, de quadris largos, que uma tia irmã da minha avó chamava de "bunda de turca", brincando com a famosa rivalidade entre dois povos tão semelhantes.&lt;br /&gt;O Líbano está no meu paladar, desde sempre acostumado a arroz com lentilhas, hammus tahine, quibe, tabule, folha de uva. O Líbano está na minha implicância com invenções em cima da comida árabe, como quibe de ricota, tabule sem trigo, hammus carregado no alho.&lt;br /&gt;O Líbano está na minha infância, nas ruas de um Saara ainda cheio de "patrícios", esta talvez uma das primeiras palavras cujo significado tenha me intrigado, tão parecida com meu nome. O Líbano está nas minhas lembranças, de manhãs de sábado com a minha avó na Rua Senhor dos Passos, comprando tahine (óleo de gergelim) para fazer hammus, nas únicas lojas que vendiam o produto num Rio ainda sem Casas Pedro, voltando para casa carregadas de esfihas de carne e de verdura e de balas de goma.&lt;br /&gt;O Líbano está na minha religiosidade, no recurso ao "Pai Nosso", à "Ave Maria", ao Credo e à "Salve Rainha" aprendidos ainda bem pequena com a minha avó, na primeira comunhão na Igreja Maronita, na Tijuca, que o meu bisavô ajudou a construir, erguida do orgulho de libaneses católicos que fugiram do Império Otomano muçulmano.&lt;br /&gt;O Líbano está na minha história particular do Rio, dos sobrados do Centro onde meus bisavós abriram a loja de velas e criaram os filhos nos fundos. O Líbano está na minha geografia particular do mundo, da guerra civil que quis entender desde que entrei na escola, da reconstrução de Beirute que acompanhei pela imprensa.&lt;br /&gt;O Líbano está hoje nos meus lamentos, na minha perplexidade diante da destruição daquilo que nunca vi de perto e possivelmente nunca veja, mas que, inexplicavelmente, faz parte de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115693312076275601?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115693312076275601'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115693312076275601'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/o-lbano-em-mim.html' title='O Líbano em mim'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115686672141959278</id><published>2006-08-29T12:19:00.000-03:00</published><updated>2006-08-29T12:52:01.583-03:00</updated><title type='text'>Das mentiras sinceras</title><content type='html'>Entrou no 464, Maracanã-Leblon, e sentou-se ao lado de uma velha. Sentiu-lhe o cheiro de carne antiga e ficou com nojo. Mansamente, a velhinha falou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você também vai ficar velho, Carlos Alberto!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assustado, olhou para a velha sem entender nada. Antes que pudesse esboçar um movimento, ela saltou do ônibus e desapareceu no turbilhão da Barata Ribeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a ficar paranóico. Cismou que as pessoas podiam ler seus pensamentos. A velha os lera – e ainda adivinhara seu nome! E agora? E se outras pessoas tivessem tal dom? Se a mulher tivesse, estava ferrado. Nos momentos de alcova, pensava ora nas carnes duras da vizinha adolescente, ora na dureza da vida de desempregado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As entrevistas de emprego se tornaram uma tortura ainda maior do que já são. Enquanto lhe perguntavam sobre suas aptidões pelo cargo, Carlos cismava que o entrevistador sabia que era mentira que tinha noções de inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua vida social ficou seriamente abalada. Nunca dantes imaginara que a vida social era, ela mesma, uma mentira. “Não, não tenho dinheiro para te emprestar...” “Seu filho é uma gracinha!” E se, com um simples olhar, o amigo adivinhasse a terrível verdade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meses depois do acontecido, tomava uma cerveja com o irmão mais novo no Amarelinho.&lt;br /&gt;Contou-lhe seus temores, envergonhado. Júnior deu risada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Por isso que tu tá magro assim. Ninguém vive feliz se não puder mentir. Mas ninguém lê o pensamento dos outros não, pô. Eu aposto que a velha te conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não conhece! Juro! Nunca vi aquela velha na minha vida!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Júnior era policial civil e garantiu que iria investigar. Carlos, sem esperanças, nem na Polícia Civil nem em nada, respondeu que aguardaria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois, atendeu ao telefonema do irmão. Recusou-se a falar por telefone, porque a mulher estava perto e ouviria, não suas palavras, mas seus pensamentos! Júnior, a contragosto, aceitou encontrá-lo no Amarelinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Já descobri tudo – o policial foi logo dizendo ao se sentar. - A velha era essa aqui? - perguntou, jogando uma foto na mesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Era! - exclamou o desempregado, exultante. - E aí? É alguma paranormal famosa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É a tia Aparecida, seu burro. Pensei em quantas velhinhas te conhecem e poderiam morar em Copa e lembrei dela. Tu não falou que ela saltou na Barata Ribeiro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Saltou, saltou, sim! Mas que tia é essa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É uma prima distante da nossa mãe, do Espírito Santo. Mudou agora para o Rio. Ela estava no último Natal. Você estava tão bêbado que não deve lembrar dela. Eu lembrei porque ela tinha um cheiro esquisito, mesmo, até comentei com a minha mulher depois da ceia. Com certeza ela te reconheceu e sacou pela sua cara que você achou a mesma coisa que eu – riu gostosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Carlos Alberto respirou aliviado. Pagou os chopes e caminhou sem destino pelas ruas do Centro. O admirável mundo das mentiras, o único possível, se lhe abria de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À noite, enquanto via novela com a mulher, suspirou pela vizinha das carnes duras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115686672141959278?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115686672141959278'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115686672141959278'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/das-mentiras-sinceras.html' title='Das mentiras sinceras'/><author><name>Eugenia Rodrigues</name><uri>http://www.blogger.com/profile/08875019655682287446</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115681408317641580</id><published>2006-08-28T22:10:00.000-03:00</published><updated>2006-08-28T22:14:43.213-03:00</updated><title type='text'>Para um amor qualquer</title><content type='html'>&lt;p class="MsoNormal"&gt;Eu também tenho medo da vida. Medo de me entregar pra um amor por inteiro. Medo de sofrer a ausência e a dor das saudades de um amor morto. Eu também tenho medo de passar noites relembrando as coisas que a gente já viveu. E tenho medo inclusive que tudo acabe de repente e que eu me apaixone em uma esquina qualquer por alguém que não você. E que com você aconteça a mesma coisa. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Meu tempo tem sido de revolta. Tem sido de não querer entregar o amor que te tenho, de não achar que somos merecedores do sentimento que nutrimos. Meus dias tem sido, meu amor, de profunda reflexão acerca da vida, dos rumos que as coisas tomam, das escolhas e decisões que as pessoas fazem e da carga de alegria e magoa que tudo isso possa ter em cada vida que começa ou que acaba em um apartamento qualquer da zona sul.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E porque penso muito, às vezes acabo sentindo pouco e me deixando levar pelos castelos de mentira que a mente constrói, pelos cristais foscos que habitam os pensamentos tolos a respeito de nós dois. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E é te dando certeza e te dando carinho, que me sinto tranqüila. É me entregando aos poucos que me sinto feliz. Embora você não seja muito daquilo que eu sonhei pra mim um dia, aprendo a cada passo que o sonho é mesmo sonho e que a realidade e o amor por uma pessoa vão um pouco alem daquilo que a gente erroneamente espera e que o amor se aprende, se adquire. O demais é vicio.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E o cotidiano tem me dado surras, tem me mostrado os caminhos, tem me ensinado curvas e ruas sem saída. E o dia-a-dia às vezes dói. Mais ainda porque não tenho o seu abraço, porque não tenho o seu beijo e a sua voz sempre por perto e ainda mais também por saber que a solidão é condição sine qua non e que depois de se nascer só, o próximo passo é morrer. E morrer só. E tenho medo.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E minha alma se enche de pressa, meus dias correm sem pausa e eu me canso.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Canso de acreditar nos amigos, canso de inventar ideologias e filosofias para viver menos pior. Me canso de tentar entender a dor dos aflitos, o sofrimento dos abandonados. E me canso porque já entendi que a vida faz com a gente aquilo que a gente faz consigo mesmo e que não adianta se vitimizar nem fingir sofrer, nem esperar respostas, porque a força pra seguir adiante mora dentro do peito e cada um tem a sua e se quiser pode achar a saída através de um pequeno silencio. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;È na chama de uma vela que eu sinto toda a força do fogo, no soar de uma nota que sinto o poder de uma canção dentro de mim. Como ecoam em cada canto as lembranças de tudo o que vivi e sou. Das coisas que sofri. Dos amores que deixei e que me deixaram. E como chorei por isso! E como doeu cada abandono, cada lagrima, cada ponto final.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E às vezes me esqueço das coisas que prometi pra mim mesma. Que me prometi não tocar naquele assunto, que me prometi te amar sem medo e sem pressa, que me prometi esperar e viver o máximo que eu puder ao seu lado, com a intensidade e pureza de um desabrochar. Esqueço que prometi te amar por inteiro, que prometi não me deixar levar pela sedução que me fascina e que se te tenho longe me é cara companheira. E logo sofro, e sinto a falta rasgando meu peito e logo choro e me confundo e não sei bem porque. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E então vem a certeza de estar amando confusa, de ter medo e dúvida e o mar se revira dentro. E como sói ser, depois de tudo vem a calma. E percebo, meu bem, que eu amo sim estar ao teu lado, que você tem sido companhia para os dias atribulados e para os serenos e que seu jeito ora doce ora rude tem sido força bruta para alguns importantes passos na minha estada no mundo e que os últimos traços desta minha vida ganharam mais um pouco de cor depois da sua chegada.&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;Amanso o peito. Tranqüilizo meus sentidos e repouso meu sexo na lembrança do seu toque, do seu jeito, do seu peso, do seu gosto. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E volto a te amar com força e desejo novamente vida em minhas veias e faço planos de cuidar da minha voz, de ouvir novas músicas pro meu repertorio, de pensar novas soluções para os meus problemas. &lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal"&gt;Seria hoje um dia feliz se não fosse a noticia do abandono estúpido que vem de longe. Seria hoje um dia feliz se pudesse dormir ao seu lado, com serenidade em seu peito. Seria hoje um dia feliz se eu ainda acreditasse nas verdades intocáveis da minha infância e adolescência. Mas virei adulta assim quase de repente. E insisti não perceber, mas não deu certo. A mulher que mora em mim rasga minha pele de menina, com a força das suas atitudes atropela meus brinquedos de criança. &lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;E o desejo que sinto pelo meu homem, e o cheiro dele que me visita, e o mundo que me põe a prova a cada dia e a toda hora... Sou sim uma mulher recente, uma flor de primavera nova, com pétalas de quase luz.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;E disso não tenho medo.&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;Talvez apenas disso.&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;p.s: Queridos leitores e pimentinhas, desculpem o atraso na postagem do texto. Cheguei do Rio correndo e com muita coisa pra fazer. Só consegui agora mesmo!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115681408317641580?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115681408317641580'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115681408317641580'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/para-um-amor-qualquer.html' title='Para um amor qualquer'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115652801873719578</id><published>2006-08-25T14:46:00.000-03:00</published><updated>2006-08-25T14:46:58.766-03:00</updated><title type='text'>Qual é a sua cara?</title><content type='html'>Pense nos presentes que você ganhou no seu último aniversário.  Ou nos anteriores.  Desde os mais desejados até aquela lembrancinha dos colegas de trabalho ou da vizinha mais simpática.  Possivelmente, te vieram à mente os mais representativos.  Ou os mais sofríveis:  de onde tiraram a idéia de que eu preciso de um par de meias brancas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estive pensando que, muito provavelmente, até os que aparentemente (ou de fato) foram comprados para um destinatário que não era sua pessoa, têm algum ponto de contato com algo que você deixa à mostra.  Afinal, nossa identidade se constrói – inclusive – pelo que falamos, vestimos, levamos, trazemos, olhamos, calamos.  E isso nós jogamos no mundo para misturar com tantas outras identidades e formar o mesmo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ocasião destes meus 27 anos incríveis, ganhei hoje uma caneta, presente da professora de Química.  É uma caneta forrada com fita de cetim cor de rosa e uma rosa também cor de rosa, algo desproporcional de tão grande, feita de tecido.  De tecido também as folhas verdes da florzinha.  Quantos ganhariam um presentinho assim?  Eu adorei.  “É a sua cara”, todos dizem, unânimes.  É, deve ser.  Qual seria essa cara que eu mostro?  A de moça delicada e feminina com algo de personalidade, pois não ousaria em usar sua caneta-flor.  Livros, ganho sempre, em todos os aniversários.  Obrigada, realmente sou uma boa e apaixonada leitora.  Muitos são de poesia.  Blusinhas, saias, sempre bem charmosos.  Coisinhas para casa com toque ‘pessoal’ – ganhei duas canecas com o motivo ‘gatos’.  Bombons – vamos entender como doçura e esquecer as calorias.  CDs para a fundamental música na minha vida.  Um exemplar de “Mulheres Alteradas” dispensando comentários.  Um chaveiro de coração das alunas. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa devo ser eu.  Sim, é uma parte de mim.  Uma tradução, uma leitura feita pelos que me cercam.  Me mostro essa, essa me lêem, essa eu sou, não total, mas muita.  É a minha cara.  E você, o que ganhou ou espera ganhar de aniversário?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115652801873719578?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115652801873719578'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115652801873719578'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/qual-sua-cara_25.html' title='Qual é a sua cara?'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115641596620515229</id><published>2006-08-24T07:38:00.000-03:00</published><updated>2006-08-24T07:39:26.220-03:00</updated><title type='text'>Luz de freio nelas!</title><content type='html'>Eu já comentei com muita gente que tenho a intenção de mandar uma carta ao meu vereador pedindo que ele encaminhe um projeto de lei onde as velhinhas-de-copacaabana sejam obrigadas a instalar luz de freio na retaaguarda. Sob penalidade de multa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não estou discriminando os idosos, de forma alguma. Aliás, eu defendo os idosos pois acho um absurdo a forma como as pessoas mais velhas são geralmente tratadas por todos. Eu gosto e tenho muita paciência com os idosos da minha vida, sejam eles meus vizinhos ou minha vó (que, sem dúvida, é uma de minhas melhores amigas). Mas Copacabana tem a maior concentração de velhinhos por metro quadrado do mundo. Garanto que a densidadde demográfica acima das 65 primaveras  é mais alta que a de Miami. Portanto eles são senhores das calçadas. E dos supermercados. E dos bancos – normalmente bem na hora do almoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acho maravilhoso que todos ponham o nariz para fora de casa e vivam a vida, indo à praia, almoçando com ao amigos e jogando bingo como se não houvesse amanhã. Minha lei beneficiaria as pessoas que – como eu – andam na rua por motivos práticos e nem sempre podem acompanhar o ritmo de vida tranquilo destes habitantes de cabeça branca – ou acaju. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é de hoje que estou andando a caminho do trabalho ou de casa e trombo com uma velhinha de decidiu parar bruscamente no meio da calçada para olhar uma pomba ou simplesmente rever metnalmente a lista da feira. Eu já não sou a pessoa mais atenta do mundo então o  fator-surpresa é fatal: pexada na certa. Canso de pedir desculpas – o que minimiza o embaraço da situação, mas não resolve a longo prazo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já prevejo o dia em que acabarei por me chocar com uma velhinha barraqueira que resolva me processar. Ou com uma que não aguente o tranco – apesar de serem velhinhas-de-copacabana que se exercitam no calçadão há sempre o risco de uma fratura ou mesmo de um “ferimento leve”. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso, já desenvolvi até o protótipo do equipamento. Me baseei numa promoção do Nescau de muito tempo atrás, onde um dos prêmios era uma mochila com luz de freio que “funcionava de verdade” (nunca consegui descobrir como a gurizada ensinava a mochila a acender a luz quando o skate parava. Mas isso os cientistas irão resolver ao montar meu protótipo). N caso das velhinhas seria uma pochete fiinha, dessas de guardar dinheiro em viagem, que fica imperceptível son a roupa. Seria usada por cima, obviamente, e seria multiutilitária, contendo espaço para guardar o dinheiro da água-de-côco, os óculos de leitura, a chave de casa e o celular. Poderia ssr neutra, para ir da praia ao Bingo, ou mais fashion. A neutra seria distribuída gratuitamente na Caixa Econômica. Já a fashion poderia ser adquirida nas melhores casas do ramo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamos de um número xis de assinaturas para a aprovação de uma nova lei. Alguém está comgo?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115641596620515229?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115641596620515229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115641596620515229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/luz-de-freio-nelas.html' title='Luz de freio nelas!'/><author><name>La Môme</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115630267382836214</id><published>2006-08-23T00:09:00.000-03:00</published><updated>2006-08-23T00:12:49.886-03:00</updated><title type='text'>Recomeços</title><content type='html'>É o fim. Não há mais como, não tem mais solução, não existe saída.&lt;br /&gt;O fim de um ciclo, o fim de um tempo, o fim de um amor, o fim de um futuro, o fim de uma vida.&lt;br /&gt;E se for um começo? Outra vez, outro dia, outra chance.&lt;br /&gt;Talvez a dor jamais passe, mas novas alegrias a abafem.&lt;br /&gt;Talvez o sofrimento não seja esquecido, mas venham motivos frescos de felicidade.&lt;br /&gt;Talvez o vazio continue sem ser preenchido, mas cheguem tantas companhias que o façam menor.&lt;br /&gt;Talvez os sonhos estejam mortos, mas seja possível planejar a realidade.&lt;br /&gt;Talvez a esperança tenha mesmo se perdido, mas a vontade de acreditar ainda resista.&lt;br /&gt;Talvez o tempo nada apague, mas traga outras histórias para serem escritas por cima.&lt;br /&gt;Talvez não haja para onde ir, mas se abram caminhos na direção oposta.&lt;br /&gt;Talvez a vida nunca tenha o mesmo sabor, mas se descubram gostos inusitados.&lt;br /&gt;Talvez não fique igual, mas se torne diferente e fique bom.&lt;br /&gt;Talvez você não volte a ser quem era, mas seja alguém que não sabia que poderia ser.&lt;br /&gt;E se mais uma vez tiver um fim, que começe outro recomeço.&lt;br /&gt;Mas talvez um recomeço não tenha mais fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115630267382836214?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115630267382836214'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115630267382836214'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/recomeos.html' title='Recomeços'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115626066241023431</id><published>2006-08-22T12:28:00.000-03:00</published><updated>2006-08-22T12:31:02.433-03:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>Acordou com a tia feia mexendo no seu pé. O nome dela era complicado e a menina nunca lembrava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Acorda, meu amor. Hoje a gente vai ter que sair ra-pi-di-nho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esfregou os olhos, afastando os pedaços de sonho. Como um zumbi, deixou que a tia a arrumasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tia, você tá machucando o meu cabelo...&lt;br /&gt;–  Desculpa, meu amor, é que a gente está com tanta pressa hoje!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do corpo da mulher saía um cheio enjoativo, daquele desodorante barato do frasco azul. Continuou a sentir dor, mas ficou quieta. Doía porque ela não gostava de pentear o cabelo ou ela não gostava porque doía?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(No lençol não ficara cabelo algum. Haha. Isso daria música. Pensou se haveria muitas ligações para celular na próxima conta.) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;–  Tia, eu não gosto de roupa preta...&lt;br /&gt;–  Boba, é chique, eu mesma fiz esse casaquinho pra você!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia conduziu a menina para a cozinha. Da sala vinham murmúrios de vozes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Porque a mãe não vem me dar café?&lt;br /&gt;–  Ela tá ocupada, tem visita na sala. Come meu amor, come que a gente tá com pressa, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Viu que a tia molhava o pão no café e ficou com nojo. Não conseguiu comer o pão. O pai dizia que isso era coisa de pobre. O pai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Cadê meu pai?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Levou um susto. A campainha! E agora? Se enrolou ainda mais no edredom. Era ele? Ou o porteiro? Tinha que ser o porteiro. Saco.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Oooolha...o seu pai virou uma estrelinha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou muda. Mais pelo inusitado da metáfora que por outra coisa. A tia deve ter entendido como choque e completou, rápida:&lt;br /&gt;Você vai poder continuar a falar com ele sempre que você quiser!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Ele morreu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(É o porteiro na porta. Vai dizer que vai faltar água amanhã. A bomba pifou. Bem que eu ouvi um barulho. Foi isso que me acordou. Cobriu a cabeça com o edredom, como se isso fizesse a campainha parar de soar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A tia a abraçou e disse que sim, que o pai tinha morrido, mas que a mãe ia cuidar dela e a tia e os avós também e no final das contas ele estava sofrendo muito, e que a gente sempre pode conversar com a estrelinha do céu, você escolhe a que você acha mais bonita e conversa com ela que vai ser igual a falar com o seu papai, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Levantou-se. Não ia mesmo conseguir dormir com aquela campainha horrorosa. Olhou pelo olho mágico. Era mesmo o porteiro).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Dona Cláudia...&lt;br /&gt;– Eu sei, Antônio, é a mudança daquele dia, né? Pode ficar tranqüilo, ele só levou o que era dele.&lt;br /&gt;–  É que...&lt;br /&gt;–  Ah, pois é, eu falei pra ele que não pode fazer mudança à noite, mas ele insistiu, se algum vizinho reclamar fala que eu não tive culpa, tá?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O porteiro continuava encarando-a, com ar de semi-retardo. Amassava nervosamente com as mãos calosas um boné de promoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Han, o que é, Antônio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– É que ele... ele voltou... ele tá na frente do prédio... &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E essa agora. Voltou! Palhaçada!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;– Tá. E você quer que eu faça o quê? Que eu chame a polícia pra ele sair da frente do prédio? A rua é pública, sabia?&lt;br /&gt;– Dona Cláudia... É que... é que... ele voltou mas... mas...&lt;br /&gt;O olhar da mulher foi tão fuzilante que ele se assustou e falou rápido:&lt;br /&gt;- O carro pegou ele aqui em frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eugenia&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115626066241023431?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115626066241023431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115626066241023431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/acordou-com-tia-feia-mexendo-no-seu-p.html' title=''/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115616491825710830</id><published>2006-08-21T09:36:00.000-03:00</published><updated>2006-08-21T09:55:18.280-03:00</updated><title type='text'>Ao Tuti</title><content type='html'>Ele defendeu um amigo. Não entregou os parceiros em ideologia, não se rendeu às ameaças de um sistema doente e de uma classe de pobres de espírito loucos pelo poder. E morreu covardemente assassinado, torturado, rebaixado à condição de algo que não existe de tão desumano que é. E não só ele. Tuti foi um dos milhares homens que sofreram no poder pútrido dos capitães e generais de um Brasil equivocado, cheio de falsas pretensões e falsos ares de país democrático. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quantos artistas e quantos jornalistas foram pegos, sem contar qualquer tipo de cidadão que defendesse algo que estivesse fora do padrão republicano americanóide imposto pelo perverso imperialismo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sem apologias aqui ao socialismo, comunismo ou o que for. Radicalismos sempre são demais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a crueldade, a farda hipócrita de homens doentes e impotentes, porque é isso que devem ser e que foram esse militares reacionários imbecis, isso sim precisa ser lembradio e sem direito à censura. Isso sim deve ser registrado, seja como for. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque eu sou uma mulher que faria o que Zuzu fez pelo seu filho. Porque eu sou uma mulher que escreve em seu blogue na internet o que pensa e porque eu sou uma mulher que muito provavelmente teria levado pau na época dos movimentos estudantis. E mesmo os menos ousados do que eu, mesmo os que foram impedidos de cantar o que pensavam, de pensar o que sentiam, de expressar o que feria. Mesmo assim, todos temos o direito à liberdade, o direito à viver e acreditar naquilo que nos dê na telha. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém tem nada a ver com o meu jeito de vestir, de falar, com o sexo que eu faço e com o gênero que escolho para tal nem muito menos com a ideologia que eu prego, acredito e baseio minha existência. Nenhum militar da puta que pariu pode julgar se o que eu digo e o que eu quero está sob os moldes do que ele pensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos tinham e ainda têm (os que sobraram ou nascemos depois dessa chacina porca) consciência daquilo que fazemos. E se não têm a vida ensina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixem-nos viver em paz! Sejamos o que queiramos, digamos o que queiramos, cantemos o que queiramos, escrevamos o que queiramos. Ainda assim pelos que não estão mais aqui. Pra que pelo menos os Tutis do Brasil saibam que existe uma mulher como eu que em uma segunda-feira medíocre ainda pensa que vale a pena ser o que se quer.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115616491825710830?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115616491825710830'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115616491825710830'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/ao-tuti.html' title='Ao Tuti'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-115558263954302498</id><published>2006-08-14T16:01:00.000-03:00</published><updated>2006-08-14T16:10:39.583-03:00</updated><title type='text'>Ele voltou!</title><content type='html'>Nosso blogue desapareceu a coisa de um ano e pouco misteriosamente. Fomos obrigadas a deixar de lado nossos escritos de repente, vítimas de um sumiço sinistro. eis que o blogue voltou. Que maravilha! Sinal dos deuses, modéstia a parte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora? Vamos nessa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mariana emocionada&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-115558263954302498?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115558263954302498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/115558263954302498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2006/08/ele-voltou.html' title='Ele voltou!'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111457018972054477</id><published>2005-04-27T00:47:00.000-03:00</published><updated>2005-04-26T23:49:49.723-03:00</updated><title type='text'>Aprender a chorar</title><content type='html'>Um dia eu vou aprender a chorar. Vou deitar na cama e verter lágrimas uma noite inteira e acordar com a cara inchada e a alma renovada. Um dia eu vou saber desfazer o nó na garganta e as lágrimas vão escorrer livres. Um dia eu vou me emocionar com filmes, shows, declarações de amor, histórias tristes.&lt;br /&gt;Um dia eu vou saber transformar a angústia em uma crise de choro, vou até soluçar. Um dia eu vou chorar na frente de todo mundo e vão me oferecer lenços para secar o rosto. Um dia eu vou dizer, sim, que chorar é bom, que ajuda a desabafar.&lt;br /&gt;Mas quem ensina? Tem gente que faz isso fácil, chora à toa. E não faz a menor questão de esconder. Tem gente que não tem a menor vergonha da voz embargada, do nariz e dos olhos vermelhos. Tem gente que até se orgulha, vive dizendo que chora até em comercial de margarina. Tem gente que nunca se contém.&lt;br /&gt;A minha dor, porém, é sólida. Ela não se desfaz. Ela não se funde em líquido. É pedra que trava a voz, que fecha a glote. Tenho que engoli-la para voltar a respirar. Ela não sai pelos olhos, nem pela boca. Fica dentro de mim e de mim se alimenta.&lt;br /&gt;A minha dor é discreta e nunca se mostra. Ela não transparece nem deixa sinal aparente. Ela só permite uma ou duas lágrimas, ainda assim se não tiver ninguém olhando. Depois ela seca.&lt;br /&gt;Um dia eu vou aprender a chorar para dissolver a dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111457018972054477?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111457018972054477'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111457018972054477'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/aprender-chorar.html' title='Aprender a chorar'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111383562603049919</id><published>2005-04-18T11:40:00.000-03:00</published><updated>2005-04-18T11:47:06.033-03:00</updated><title type='text'>Recado à saudades</title><content type='html'>É de saudades que eu perco a cabeça, falo bobagenm.&lt;br /&gt;Perco o rumo, esqueço a prosa doce de todo dia.&lt;br /&gt;É de saudades que eu perco o sentido , faço esquisitice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E te aflijo, me constranjo.&lt;br /&gt;Me envergonho.&lt;br /&gt;Apenas pela saudades tola.&lt;br /&gt;Que interrompe o calmo fluxo do meu amor por você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É de saudades que eu digo besteira, choro,&lt;br /&gt;Encho o peito de aperto&lt;br /&gt;E peço que nem criança que você venha me fazer carinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E faço bico e cara de brava.&lt;br /&gt;Só por causa das saudades.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, saudades, faça-me o favor:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu amar o meu amor e não interrompe nossos planos,&lt;br /&gt;Não bagunça nossa ordem&lt;br /&gt;Que tá tudo bom demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não é você que vai me tirar o sono&lt;br /&gt;Que vai aboletar meu propósito&lt;br /&gt;Que vai me fazer desperdiçar todo o empenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso te sentir de leve, te receber mansa,&lt;br /&gt;Mas não me incomode!&lt;br /&gt;Não me arrebate, nem me entristeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vá prá longe de mim!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah! Só não se esqueça: Quando você voltar,&lt;br /&gt;Ponha ele na bagagem e deixe na porta da minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aos meus cuidados!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111383562603049919?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111383562603049919'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111383562603049919'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/recado-saudades.html' title='Recado à saudades'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111352417778963827</id><published>2005-04-14T21:13:00.000-03:00</published><updated>2005-04-14T21:16:17.793-03:00</updated><title type='text'>Alguma coisa está fora da odem!</title><content type='html'>&lt;em&gt;Pois é, andamos meio bagunçadas. No geral. E o Dedos sofre. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Eu em especial sem inspiração para escrever algo publicável, mas heis que surge algo de que gostei. Compartilho. Fora do meu dia, mas na hora certa!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;Meio ao meio&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desde muito jovens eles dividiam sonhos, ansiavam conquistas, partilhavam encantos. Desde sempre se quiseram de maneira bonita. Aos olhos dos amigos, sempre um casal feliz e cheio de vida.&lt;br /&gt;Ela sempre arrumava tudo. A casa, a viagem do feriado, o edredom confortável pra cama no inverno, o bolo de chocolate do final das tardes de domingo. As flores da mesa da cozinha, sempre foi ela quem comprou. O sabonete cheiroso do banheiro, era ela quem escolhia.&lt;br /&gt;O conforto das coisas práticas, o bem-estar da vida diária. Sempre ela.&lt;br /&gt;Ele fazia bonecos. Máscaras. E usava todas. Se vestia todo dia de um novo personagem. Se maquiava de menino, de ingênuo, de bom moço.  Sorria placidamente a todos na rua e atendia sempre cordialmente o telefone. Sempre solicito. Sempre muito bem-educado. Filho de família rica e de costumes nobres.&lt;br /&gt;Ela sorria por fora e chorava por dentro baixinho. Porque ela ficou doente. Porque ela percebeu há muito tempo que não era feliz ao lado desse meio homem ao meio. E ele dissimulava. Sorria e vestia as máscaras que passava o dia a modelar no quartinho do fundo da casa do sonho dos dois.&lt;br /&gt;E ela quis filhos. E ele não sabia nem sequer o real significado da palavra pai.&lt;br /&gt;E ela quis saltos. E ele não sabia nem sequer o real significado da palavra ar.&lt;br /&gt;E ela quis. Ela o quis. E ele nunca soube o real significado do nome dela. Nunca soube quem era ela de verdade. Nunca soube quem era a mulher que dormiu ao seu lado durante anos da sua vida.&lt;br /&gt;Hoje ela foi embora. E chorou ao ver quebrado o vaso de flores de todos esses anos. As quais ela regou pacientemente, as quais ela cuidou carinhosamente. Chorou por medo da solidão, embora saiba que a solidão já a persegue há tempo.&lt;br /&gt;E ele nem sequer deu um telefonema. Ele nem sequer sabe onde mora, onde está e o que é não tê-la mais em sua vida. Ele não sabe quem ele é. E não sabe pra onde ir.&lt;br /&gt;Ela segue assim. Cambaleante. Trôpega. Frágil. Sozinha. E triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das horas mais doloridas da vida da gente é quando a gente percebe que o momento de mudar é agora e que a gente acordou do sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E desde então a casa de janelas cor-de-rosa da rua tranqüila, do bairro arborizado, é só silencio. Por dentro e por fora de cada um.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111352417778963827?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111352417778963827'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111352417778963827'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/alguma-coisa-est-fora-da-odem.html' title='Alguma coisa está fora da odem!'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111296707071792332</id><published>2005-04-08T10:28:00.000-03:00</published><updated>2005-04-08T10:31:10.720-03:00</updated><title type='text'>A outra</title><content type='html'>Rosa sempre desejou ser Margarida. Quando ainda era criança, como era muito engraçadinha, as pessoas na rua paravam para brincar com ela e a pergunta era infalível: “ - Qual seu nome?” A menininha respondia: “-Margarida” A mãe, sorria e apenas dizia “-O nome dela é Rosa”. Assim a menina foi crescendo, se apresentado como uma, sendo outra. A mãe que achava muita graça no inicio, com o passar do tempo começou a ficar preocupada. E depois de muito brigar, a filha não mais se apresentou com outro nome.&lt;br /&gt;O que a mãe não sabia é que Rosa longe dos olhos de proteção da mãe assumia o nome que tanto gostava. E assim foi levando a vida, perto da Mãe: Rosa, longe: Margarida.&lt;br /&gt;As duas eram diferentes na essência. Rosa era submissa, tranqüila e tímida. Margarida muito extrovertida, não aceitava a opinião de ninguém.&lt;br /&gt;Rosa e Margarida só tinham a companhia uma da outra, ninguém conseguia entrar no mundo que só pertencia a elas. &lt;br /&gt;Conheceram muitos homens: baixos, altos, magros, gordos, ricos e pobres, mas os namoros eram sempre de um período muito curto. Rosa odiava os namorados de Margarida e vice-versa.&lt;br /&gt;A mãe de Rosa sempre muito preocupada com a solidão da filha tentava de todas as maneiras fazer com que a filha se arrumasse.&lt;br /&gt;Os vizinhos a achavam estranha. Em alguns momentos ela passava e era educada, conversava com todos, sorria e jogava conversa fora. Em outros, não dava a mínima bola, resmungava das pessoas nas calçadas, saia batendo os portões.&lt;br /&gt;Rosa/Margarida jamais se casaram,  tinham uma a outra para passar o tempo.&lt;br /&gt;Um dia Rosa que não era muito chegada a praia, mas cansada de passar a vida inteira discutindo com Margarida resolveu aceitar o convite e ir caminhar.&lt;br /&gt;Margarida com um pouco de compaixão por Rosa aceitou sentar um pouco para descansar, foi então no meio daquele cenário que ambas viram uma criança encantadora e como poucas vezes tinha se visto, ambas concordaram em brincar com o menino. Sorriram para ele e perguntou o seu nome, o menino rapidamente como era normal naquela idade, respondeu: “-José” . A mãe do menino corrige: -“ o nome dele é Jorge, não sei de onde ele tira essas coisas”.&lt;br /&gt;As duas sorriem. Elas sabem exatamente o que o menino sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111296707071792332?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111296707071792332'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111296707071792332'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/outra.html' title='A outra'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111278961428086680</id><published>2005-04-06T09:11:00.000-03:00</published><updated>2005-04-06T09:13:34.283-03:00</updated><title type='text'>Chacina</title><content type='html'>Corpos sangrando cheiram a carne de açougue. O odor de podre não vem nas primeiras horas, ainda é sangue fresco. Vendo apenas as mãos ou os pés, diria-se que eles estão só deitados, à toa. O esmalte nas unhas da moça, o tênis novo do rapaz. Os cabelos que fogem do saco plástico. Mas a morte tem seu odor.&lt;br /&gt;Corpos sem vida viram entulho. São revirados, embrulhados, empilhados. Deixam o chão sujo. O sangue teima em marcar sua trajetória. E atraem expressões de nojo, de horror. Mais que dor, é pavor. A morte salta aos olhos.&lt;br /&gt;Corpos aos montes deixam de ser pessoas mortas e viram chacina. Viram coletivo. São incluídos no mesmo pacote, amarrado com a mesma causa, o mesmo local, o mesmo tipo de arma, os mesmos suspeitos. Viram nomes numa lista. A adolescente que saiu de casa de roupa nova para encontrar o namorado, o menino que era avião do tráfico, o ladrãozinho, a jovem de calça colada, o homicida, o operário, o casal evangélico. A chacina de ontem, a de hoje. Dentro de uma kombi, ou largados no meio do mato, ou espalhados por um presídio, ou abandonados na rua, ou deixados numa favela. As histórias de vida sucumbem diante do cenário. A morte ensurdece os ouvidos&lt;br /&gt;Corpos varados de balas, cruzados por facas ou pedaços de pau viram notícia. Viram enterros em série. A mãe da adolescente enamorada, a mulher do traficante, o pai do ladrãozinho, o marido da moça de calça colada, os irmãos do operário, os filhos do casal evangélico, todos são só parentes. E não faz mais diferença se elas gostavam da Sandy ou de bailes funk, se eles estavam sendo esperados em casa, quando foi comprado aquele tênis, por que o esmalte rosa, para onde estavam indo. A morte cala as vozes.&lt;br /&gt;Corpos em caixões fechados, dispostos em capelas enfileiradas, são só vítimas. É só mais uma chacina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111278961428086680?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111278961428086680'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111278961428086680'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/chacina.html' title='Chacina'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111262262282428472</id><published>2005-04-04T10:49:00.000-03:00</published><updated>2005-04-04T10:50:22.823-03:00</updated><title type='text'>Shhhh....</title><content type='html'>Sem computador, direto de um cyber café.&lt;br /&gt;Sem vontade de nada&lt;br /&gt;Sem inspiração&lt;br /&gt;Sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por hoje, silêncio. Por favor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111262262282428472?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111262262282428472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111262262282428472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/shhhh.html' title='Shhhh....'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111236167549513718</id><published>2005-04-01T10:19:00.000-03:00</published><updated>2005-04-01T10:21:15.496-03:00</updated><title type='text'>Feitos um para o outro</title><content type='html'>Sempre sonhou em viver um grande amor, desses de filme mesmo. E por falar em filmes, todas as vezes que assistia um conto de fadas, saía da sala do cinema com os pés fora chão, imaginado o seu príncipe, encantado ou não. Com o passar dos anos, começou a chorar cada vez que assistia a um filme que o final era “e foram felizes para sempre”.&lt;br /&gt;Cada vez que amanhecia é um dia a mais a contar da sua procura. O tempo insistia em passar e ela não conseguia encontrar o seu grande amor.&lt;br /&gt;Mas no fundo sabia qual era o problema, ela é gaga. Era sempre assim, conhecia alguém muito interessante, ele agüentava por um tempo (no máximo 1 semana) e depois sumia, sem explicações.&lt;br /&gt;Alguém consegue imaginar uma historia de amor, onde a mocinha corre para os braços do mocinho e fica a gaguejar para dizer “eu te amo”, ela também não.&lt;br /&gt;No fundo já tinha se acostumado a não encontrar o seu príncipe, ficava com ele só nos pensamentos. Sonhava com ele toda noite e nos sonhos ele vinha ao seu encontro, montado num cavalo branco e, como nas cenas dos filmes, a puxava pela cintura, e os dois ficavam a galopar numa floresta encantada. Então ele parava o cavalo, descia e a puxando para junto dele, dava um enorme beijo. E quando ela começa a falar, as palavras saiam da sua boca sem gaguejar, como mágica.&lt;br /&gt;De certa forma, os sonhos ajudavam a continuar na espera daquele que seria o seu grande amor.&lt;br /&gt;Uma amiga telefonou convidando para uma festa da empresa em que trabalhava, e como meio de convencimento avisou que iriam muitas pessoas e que seria um meio de conhecer homens interessantes.&lt;br /&gt;Lembrou de uma frase lida em algum livro de auto-ajuda: Faça a sua parte e o universo conspira a seu favor. Pegou todo o dinheiro que vinha economizando e entrou em uma loja que sempre passava na porta, mas nunca teve dinheiro para comprar nada. Foi ao salão e fez tudo o que tinha direito. E na hora marcada com amiga estava mais linda do que nunca.   A noite foi seguindo e nada do príncipe aparecer. Diante dos seus olhos surge uma bandeja com bebidas que nunca se atrevera a beber, e já acostumada ao fato que não existia essa coisa de alma gêmeas, bebeu. No final da festa, já não era mais ela.&lt;br /&gt;Resolveu ir embora, suas esperanças tinham indo embora na ultima vez que tinha ido ao banheiro.&lt;br /&gt;Quando levantou o teto começou a rodar, seus pés não agüentaram o peso do corpo e mais rápido que pode pensar, desequilibrou.&lt;br /&gt;Já no chão, envergonhada com tamanho vexame, tentou se levantar e viu um homem que gentilmente ajudou.&lt;br /&gt;Olhos nos olhos. Parecia que no mundo só existia o dois, naquele exato momento tudo valeu a pena.&lt;br /&gt;— Obrigada, acho que bebi demais, foi à única coisa que Rosa conseguiu dizer.&lt;br /&gt;— Isso acontece. Carlos, ao se-se-seu dis-po-po-por&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111236167549513718?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111236167549513718'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111236167549513718'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/04/feitos-um-para-o-outro.html' title='Feitos um para o outro'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111215075731164544</id><published>2005-03-30T00:43:00.000-03:00</published><updated>2005-03-29T23:45:57.313-03:00</updated><title type='text'>E se</title><content type='html'>E se eu te disser todas as palavras que guardei? E se eu te falar todas as bobagens das quais me envergonhei? E se eu te afirmar todas as certezas que neguei? E se eu te confessar todos os sentimentos que escondi? E se eu te entregar todas as cartas que escrevi? E se eu te revelar todos os ciúmes que senti? E se eu te cantar todas as músicas que ouvi pensando em ti? E se eu te fizer todas as declarações que ensaiei? E se eu te explicar todos os planos que construí?&lt;br /&gt;E se eu te desenhar o vestido de noiva? E se eu te mostrar a nossa casa? E se eu te descrever os nossos filhos? E se eu te contar a nossa velhice?&lt;br /&gt;E se eu te escutar enumerando os meus defeitos? E se eu te der razão nas nossas discussões? E se eu te repetir todas as tuas qualidades? E se eu te satisfizer todas as vontades?&lt;br /&gt;E se eu te garantir que é para sempre? E se eu te detalhar cada um dos nossos anos? E se eu te informar do nosso futuro? E se eu te provar que é perfeito?&lt;br /&gt;E se eu te pedir para ficar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111215075731164544?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111215075731164544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111215075731164544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/e-se.html' title='E se'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111171730441319615</id><published>2005-03-24T23:00:00.000-03:00</published><updated>2005-03-24T23:21:44.413-03:00</updated><title type='text'>Poesia pra quê?</title><content type='html'>Pra falar de todas as linhas não-escritas de mim (coração enfurecido não pára de riscar);  para as horas em que sinto vontade de esbarrar, saindo do banheiro, chegando em casa, levantando os olhos do livro ou olhando pro lado no ônibus, com o texto nascido; pra saber que versos são vida espiando a vida, namorando a vida, rindo da vida, putos da vida;  pra fechar os olhos e dormir, pra acordar o coração e morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;POESIA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Carlos Drummond de Andrade)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gastei uma hora pensando um verso&lt;br /&gt;que a pena não quer escrever.&lt;br /&gt;No entanto ele está cá dentro&lt;br /&gt;inquieto, vivo.&lt;br /&gt;Ele está cá dentro&lt;br /&gt;e não quer sair.&lt;br /&gt;Mas a poesia deste momento&lt;br /&gt;inunda minha vida inteira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;NO CORPO&lt;br /&gt;(Ferreira Gullar)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De que vale tentar reconstruir com palavras&lt;br /&gt;         o que o verão levou&lt;br /&gt;         entre nuvens e risos&lt;br /&gt;junto com o jornal velho pelos ares?&lt;br /&gt;O sonho na boca, o incêndio na cama,&lt;br /&gt;o apelo da noite&lt;br /&gt;agora são apenas esta&lt;br /&gt;contração (este clarão)&lt;br /&gt;de maxilar dentro do rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A poesia é o presente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111171730441319615?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111171730441319615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111171730441319615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/poesia-pra-qu.html' title='Poesia pra quê?'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111154447558340220</id><published>2005-03-23T00:16:00.000-03:00</published><updated>2005-03-22T23:24:23.053-03:00</updated><title type='text'>A travessa</title><content type='html'>A travessa espatifou-se no chão. Estava com as mãos frouxas? Todos os pêssegos em calda espalhados pelo piso da cozinha. A travessa era tão bonita, herdada da avó, louça fina, decorada. Sempre teve tanto cuidado ao lavar. Agora ali, em pedaços pelos ladrilhos.&lt;br /&gt;Não havia como colar. Mas colar para que? A avó morrera fazia tempo, quem daria valor àquela travessa tão antiga? E quem comeria todos aqueles pêssegos?&lt;br /&gt;A calda melava as pernas das cadeiras. Sobre a mesa, a fruteira comprada numa loja de design. Havia sido tão cara e como era feia! Bananas, maçãs, ameixas, para saciar que fome? Segurou a futeira bem no alto e soltou. Mais cacos e frutas sobre os ladrilhos. Tudo misturado aos pêssegos, à calda e às partes da travessa da vovó.&lt;br /&gt;Pulou os cacos e abriu o armário. Pratos, dois conjuntos inteiros de jantar. Copos, taças, xícaras. Quem seriam todos aqueles convidados? Atirou um a um pratos, copos, taças e xícaras no chão. Louça, vidro, frutas e calda por toda a cozinha.&lt;br /&gt;Correu ao quarto. Separou do guarda-roupas as peças mais finas. Onde mesmo as usaria? Primeiro cortou-as com a tesoura, depois rasgou-as com as mãos. Tudo em tiras, retalhos pela cama.&lt;br /&gt;Por fim, se dirigiu à estante. Retirou das prateleiras os livros mais caros, as obras mais raras, os autores mais admirados. Quando leria aquilo tudo? Arrancou página por página. Amassou capa por capa. Um monte de papel no meio da sala.&lt;br /&gt;Foi dormir em paz no chão do banheiro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111154447558340220?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111154447558340220'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111154447558340220'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/travessa.html' title='A travessa'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111135119025566723</id><published>2005-03-21T08:38:00.000-03:00</published><updated>2005-03-20T17:39:50.256-03:00</updated><title type='text'>Clube das mulheres</title><content type='html'>Minha mãe é uma pessoa rara. Admito, embora me seja difícil. Porque é dessas raridades confusas, cheia de atributos, não-me-toques, tititis. Mas aprendi a me acostumar e até a gostar um pouco dessa forma sem forma de tentar viver.&lt;br /&gt;E dela tirei exemplos, ensaiei e esbravejei silêncios, calei dores, sangrei feridas e aprendi a amar assim desse jeito. Do jeito que ela é. Ponto final. Mudo de assunto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma das coisas que ela “inventou” agora é um clubinho de amigas. Trata-se de um grupo de mulheres super ocupadas com seus trabalhos, mas que têm habilidades manuais e se reúnem uma vez por mês para trocar informações a respeito e costurar, bordar, fazer croche, trico, pintura em seda e afins.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem estávamos juntas e ela saiu correndo. Tinha uma reunião do clubinho. Dei risada. De ternura. E porque lembrei de quando eu era criança e tinha um clubinho com minhas amigas que chamava Rainbow Bright e que tinha carteirinha e tudo mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As reuniões eram na escada do prédio, ou na garagem. Ali, bem escondidas, para não sermos notadas. Eu, Daniela e Elaine. Amigas inseparáveis, achando eterna a passagem das horas, naquele nosso oásis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E de fato foram horas eternas, porque as levo comigo até hoje, como lembrança em forma de tinta fresca. Nossos olhares, discussões sérias, a respeito de que produto usar para lavar os bichos de pelúcia, ou tratados enormes sobre as regras “reais” da queimada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tempo em que eram estas minhas preocupações. Tempo de ser criança. Tá certo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora passou. Vou seguir o exemplo da minha mãe a formar um clubinho pra discutir como se livrar da TPM e das dores de amor, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem quer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111135119025566723?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111135119025566723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111135119025566723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/clube-das-mulheres.html' title='Clube das mulheres'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111115813953363302</id><published>2005-03-18T12:02:00.000-03:00</published><updated>2005-03-18T12:04:24.740-03:00</updated><title type='text'>O despertar de Rosa</title><content type='html'>10 minutos para despertar. 12 para tomar banho. 08 para levantar as crianças. 15 para dar e tomar café da manhã. 18 levar as crianças para escola e chegar ao trabalho. 8 horas de trabalho. 42 minutos de almoço. 28 para o retorno para casa. 32 para conversar com a família. 13 trocar um carinho com o marido. 06 para pensar na vida antes de cair pregada no sono.&lt;br /&gt;Ouviu mais uma vez o relógio despertar e, dessa vez sabia que era a ultima chamada. Levantou e começou a sua rotina. Os rodoviários resolveram fazer greve , e quando Rosa parou num engarrafamento, lembrou que já foi a favor das graves. Hoje ela não tinha mais tempo para ser a favor de nada, sorriu e pensou no tempo. Na verdade não tinha tempo. Preocupada pensando de onde ela vai subtrair os minutos que estava sendo perdido no maldito congestionamento. Tocou o celular, era a secretária do chefe avisando que ela já estava muito atrasada para reunião. O relógio enorme na sua frente fazia ela se sentir muito pior. As crianças já cansadas de ficarem tanto tempo presas dentro do carro, começaram a chorar e gritar. Rosa teve vontade de acompanhá-las, mas lembrou das técnicas que aprendeu no livro de auto-ajuda que tinha acabado de ler: Como controlar as emoções.&lt;br /&gt;Alguma coisa entrou no seu olho e, ela que há muito tempo não dedicava a se olhar, teve que fazer. Quando olhou no espelho retrovisor, sentiu uma certa tristeza: quando se transformou nesta mulher grisalha? O restante do dia passou conforme os minutos já programados. Quando chegou em casa, 02 minutos atrasada, todos já estavam à mesa esperando para o jantar. Quando estava tomando banho, o marido que há muito tempo não dividia aquele cômodo da casa com ela, pediu para pegar alguma coisa. Rosa fingiu ter escutado o que era, e fez um hum, hum para não perder seus 25 minutos de banho (um pouco mais do que o da manhã), fechou o chuveiro e quando abriu a porta do Box o marido ainda estava lá, com uma cara que a muito tempo não via. Namoraram como há muito tempo não faziam e, quando estavam colocando a roupa par ir dormir, o marido de Rosa deu sorrisinho e disse – Já foi flor do campo, agora ta mais para tiririca do brejo. Você ta precisando malhar, deixa de ser preguiçosa.&lt;br /&gt;Rosa nada falou, mas a vontade foi de matá-lo ali mesmo, a sangue frio. Lembrou das crianças e das técnicas de relaxamento.&lt;br /&gt;Tentou dormir. Decidiu que daquele momento em diante faria tudo diferente. Acordou cedo, antes do despertador tocar, colocou uma roupa de ginástica e antes de sair deixou um bilhete para o marido:&lt;br /&gt;- Meu amor, fui malhar. Quando levantar dê café para as crianças, confira se elas colocaram o material correto dentro da mochila e as leve para escola e não esqueça de buscá-las.&lt;br /&gt;Só volto quando voltar a ser flor do campo.&lt;br /&gt;Beijos com amor, Rosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111115813953363302?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111115813953363302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111115813953363302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/o-despertar-de-rosa_111115813953363302.html' title='O despertar de Rosa'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111108328083685889</id><published>2005-03-17T15:12:00.000-03:00</published><updated>2005-03-17T15:14:40.840-03:00</updated><title type='text'>Arroz com feijão</title><content type='html'>E ela se lamentava, quando da menor referência de um amigo, parente, conhecido ou desconhecido a assunto correlato ou nem sempre, com sua voz de experiente no assunto:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não há nada pior para uma mãe do que ver um filho doente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema agravara-se com o passar dos anos abatidos, não há como deixar de escrever aqui.  Tão notório que a própria protagonista da história podia vê-lo na marca religiosa da balança:  o menino estava, em seus 12 anos completos, pesando 28 quilos.&lt;br /&gt;A condição de funcionária do Banco do Brasil com dez anos de casa permitia que ela, mediante determinados acertos com a chefia, almoçasse com o garotinho, mais um artifício para tentar contornar o agora já preocupante quadro.  Também o levava e buscava na escola, até porque o menino, de tão leve, não tinha forças para levar seu material escolar sozinho.  “Para que tantos livros, meu Deus?  No meu tempo, não tinha nada disso!.”  Estava pensando já em auxílio profissional, mas ainda relutava.  Como era possível que seu carinho e amor de mãe não fossem suficientes?&lt;br /&gt;Ocorre que seu filho único tinha sérias dificuldades alimentares.  Dificuldades alimentares talvez seja um eufemismo, poder-se-á pensar ao conhecer o caso melhor, o que faremos dentro em breve.  Digamos, então, que o rapazinho sofra de graves distúrbios psicológicos, talvez.  Bem, deixemos de elucubrações e vamos direto aos fatos.&lt;br /&gt;O problema oscilava de acordo com uma lógica não conhecida.  Havia dias em que tudo transcorria bem e o garoto comia tanto que até passava mal – seu organismo enigmático não estava acostumado.  Parecia querer aproveitar uma oportunidade.  Em outros, mal se colocava a comida no prato e seus olhos eram de terror e asco, ao que seguia um choro convulsivo e horas de isolamento no quarto.  Levava algum tempo para que ele desejasse comer novamente.  A explicação não seria fácil.  Digna de historinhas policiais pseudo-capciosas.&lt;br /&gt;Certo dia, a pesarosa porém terna mãe perdeu o controle.  Num desses episódios, agarrou o braço esquálido do filho e o segurou na mesa.  Ele, todo pavor, gritava menos que ela.  Lágrimas e berros, caos e cristais.  A singela mesa de copa-cozinha da família média era sôfrega.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;-  São as baratas, mãe, são as baratas!  No feijão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes, o prato vinha servido da cozinha para o anexo onde o filho já estava sentado à mesa aguardando a comida.  Dia sem dor.  Noutros, geralmente nos de mais paciência e desejo de vencer a loucura, o repasto era cuidadosamente transportando das panelas para as melhores louças, as de enxoval, e posto na mesa esperançosa.  Se o menino chegasse e seu prato estivesse pronto, certo.  Caso contrário, menos um dia.  Com os olhos revirados como quem sofre convulsão, o pobre vomita a explicação.  Arroz no prato de vidro transparente, duas colheres.  Concha de feijão derramando durante anos a fio as baratas por cima.  Ao alcançar o prato, elas rapidamente se proliferavam e tomavam conta de toda a toalha florida, da ardósia do chão, do conjunto de saia e blusa de botão da mãe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em dois meses, Robertinho já ia sozinho para o colégio, as faces bem coradinhas.  A mãe, contente, já até arrumara um namorado no trabalho.  O discurso mudou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que uma mãe não faz por um filho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois da conversa definitiva que teve com as baratas, a vida de todos na casa clara da Tijuca era enfim uma vida normal.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111108328083685889?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111108328083685889'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111108328083685889'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/arroz-com-feijo.html' title='Arroz com feijão'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111098293036908711</id><published>2005-03-16T11:20:00.000-03:00</published><updated>2005-03-16T11:25:53.526-03:00</updated><title type='text'>História de amor</title><content type='html'>Ela vai tomar um avião amanhã para viver com o seu amor. O amor dela não estava ali na esquina, não passou caminhando, não estava dançando numa boate. O amor dela estava bem longe, mas ela o achou. Numa tarde modorrenta, sem nada para fazer no escritório, ela encontrou o seu amor. Pela internet, numa sala de bate-papo, quem estaria batendo papo àquela hora? Ele estava e ela também. Em comum, tinham apenas a língua: ela falava o português do Brasil, ele o de Portugal. Mas o papo foi se tornando tão bom, tão bom, que se repetiu por vários dias, semanas, meses.&lt;br /&gt;Ela atravessou o oceano pela primeira vez para abraçar o seu amor. O mais perto que haviam chegado eram conversas por telefone. Mesmo sem nunca terem se tocado, já eram íntimos. E ela soube que era mesmo o seu amor. Só que ela precisava voltar e ele devia ficar.&lt;br /&gt;Mas, como se o amor não pudesse ser tão perfeito, eles tiveram dúvidas. Como se histórias assim fossem coisa mesmo de cinema, eles sentiram medo. E ela cruzou outro continente para tentar ficar longe dele. E tão distantes eles constataram que estariam sempre perto. Então ela venceu o oceano outra vez.&lt;br /&gt;Ele fez o pedido, ela aceitou. Ele construiu uma casa lá, ela desfez a vida aqui. Amanhã, eles começam juntos outra vida lá. Eles já não têm dúvidas, nunca mais sentiram medo. Ela vai embarcar amanhã e ele a espera.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111098293036908711?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111098293036908711'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111098293036908711'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/histria-de-amor.html' title='História de amor'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111091325592662506</id><published>2005-03-15T15:42:00.000-03:00</published><updated>2005-03-15T16:00:55.930-03:00</updated><title type='text'>Pressentimento</title><content type='html'>&lt;i&gt;"Tudo faz pressentimento&lt;br /&gt;que esse é o tempo ansiado&lt;br /&gt;de se ter felicidade" &lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(verso de "Pressentimento", de Elton Medeiros e Hermínio Bello de Carvalho)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mudou-se para o apartamento da mãe assim que esta morreu. Trouxe seus próprios móveis, doando tudo o que estava dentro da casa para os irmãos. Manteve apenas o grande baú de jacarandá, velho feito trapo, do tempo dos bisavós. É que era bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era feliz, nem triste. Já tinha se acostumado a apenas ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dias depois começou a ouvir um barulho que vinha da direção do baú. Achou que estava ficando maluca. Naquela época os amigos trocavam receitas de remédios para a cabeça, será que ela iria para o mesmo caminho? O que teria lá dentro, ratos comendo um velho vestido de noiva? Traças se locupletando com bíblias tão antigas quanto são as crenças? Não, traça não faz barulho, era rato, rato, rato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa noite, bateram na porta. Tão dentro dos pensamentos que esqueceu que existe ladrão e abriu sem olhar no olho-mágico. Vizinho novo, pedindo abridor de garrafa. Emprestou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã tomou coragem e girou a chave do baú. O barulho parou. Ficou com medo de levantar a tampa, como se rato fosse um bicho esperto o bastante para ficar quietinho só de ouvir barulho de chave girando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, o vizinho devolveu o abridor, junto com seis margaridas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã abriu a tampa e quase cegou. Era luz, forte, forte, forte. Fechou rápido, vista escura como são escuros os segundos antes do desmaio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De noite o vizinho veio e ficou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De manhã, bem devagar para não acordá-lo, ela abriu de novo a tampa. Os olhos foram aos poucos se acostumando com aquela luz branca, fortíssima, quente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando conseguiu olhar dentro do baú, sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do baú tinha um arco-íris.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111091325592662506?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111091325592662506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111091325592662506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/pressentimento.html' title='Pressentimento'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111054658362563686</id><published>2005-03-11T09:59:00.000-03:00</published><updated>2005-03-11T10:11:42.963-03:00</updated><title type='text'>A tristeza de um adeus</title><content type='html'>&lt;em&gt;Marmelada de banana /Bananada de goiaba /Goiabada de marmelo /Sítio do Pica-pau-amarelo Boneca de pano é gente /Sabugo de milho é gente //O sol nascente é tão belo /Sítio do Pica-pau-amarelo / Rios de prata piratas /Vôo sideral na mata /Universo paralelo /Sítio do Pica-pau-amarelo /No país da fantasia /Num estado de euforia /Cidade Polichinelo /Sítio do Pica-pau-amarelo&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quinta-feira, dia 10 de março de 2005, vai ficar na minha memória. Abro o jornal on-line e fico por uns segundos parada. Morre no Rio a atriz Zilka Sallaberry. Para os mais velhos, a Dona Benta. Essa noticia me levou para um tempo esquecido na minha memória. Fui parar na frente da Escola Municipal Barão do Amparo, aguardando o ônibus que me levaria à primeira aventura. Destino: O Sitio do pica pau Amarelo. Todos nervosos, eufóricos e até um pouco tensos. Eu não cansava de abrir a minha mochila que foi recheada de muito carinho com forma de biscoitos, bolo, sanduíches e refresco. Os momentos de espera foram uma eternidade. O ônibus ali parado e a gente ainda do lado de fora. Quando uma voz anunciou que era a hora de despedir dos nossos pais, porque já iríamos sair. Não consigo cumprir essa ordem, de tão apressada que eu estava para entrar, naquela que seria a primeira parte da historia. Fui para janela do ônibus, sonhando com tudo o que ainda iria acontecer. Olho o rosto da minha mãe a sorrir, compartilhando comigo toda aquela magia. A visita foi maravilhosa, durante muitos dias foi nosso assunto preferido. Fui parar também na sala do apartamento da Rua Pinto Teles, lá que foi palco de muitas brincadeiras entre eu e meus irmãos. Uma das nossas brincadeiras prediletas era teatrinho, depois de assistir ao programa que começava com um menino pegando um livro de Monteiro Lobato e começava a contar as aventuras de Pedrinho e Narizinho, de dona Benta e tia Anastácia, e da inteligente Emília, na nossa velha Telefunken. E era a nossa hora de interpretar os personagens, eu sempre era a Narizinho. Depois fui parar na comemoração do dia das mães. Eu ia dançar. Com um vestido e peruca de retalhos, feitos com muito amor pela minha mãe, lá estou eu toda serelepe. Minha mãe sorria e dizia – Você é a Emilia mais linda desta escola. Hoje ao lembrar de cada sorriso que dei, senti uma certa alegria. A morte a levou, mas sei que ela vai ficar para sempre nas paginas da minha vida. Obrigada Dona Benta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(As palavras em itálico, é a letra da musica de abertura do programa infantil Sitio do Pica-Pau Amarelo – Letra Gilberto Gil)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111054658362563686?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111054658362563686'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111054658362563686'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/tristeza-de-um-adeus.html' title='A tristeza de um adeus'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111033940507705780</id><published>2005-03-09T00:32:00.000-03:00</published><updated>2005-03-09T00:36:45.076-03:00</updated><title type='text'>A escolha foi sua</title><content type='html'>A escolha foi sua. E, de repente, a liberdade virou prisão. Foi você que quis. E, agora, a independência é um fardo. Ninguém o impediu ou tolheu. E não há abrigo para se esconder. Você aceitou os riscos. Não sobrou ninguém para salvá-lo.&lt;br /&gt;Para ser livre, você criou amarras. Para sustentar suas opções, você fechou contratos. Para não depender de ninguém, você assumiu compromissos.&lt;br /&gt;E você não enxergou as grades que se erguiam à sua volta. Não notou que a cela ficava cada vez mais apertada. Nem que eram cada vez mais raras as vezes em que a chave estava na sua mão.&lt;br /&gt;Então já havia um carcereiro na sua porta. E um livro de regras para você cumprir. Você tem direito a ficar calado. E sinta-se satisfeito por estar ali, por ter seu colchão, sua comida e seu uniforme.&lt;br /&gt;Foi você quem escolheu. Ninguém o empurrou, você andou com seus pés, nunca precisou de guias. Você sabia o que era melhor, nunca precisou de conselhos.&lt;br /&gt;Agora você se dá conta de que há uma sentença e uma pena, que você não foi informado de quando termina. E os muros são altos demais para serem vencidos. Ninguém vai defendê-lo, ninguém vai facilitar sua fuga.&lt;br /&gt;Você esolheu e agora não tem escolha. Você se esqueceu das letras miúdas e assinou seu nome. Você jogou tudo o que tinha e hoje não tem mais o que apostar. Você acreditou e o futuro nunca veio.&lt;br /&gt;Você não tem dúvidas de que é o único culpado. Você e só você vai carregar o peso. Você vai contar os dias. Foi você que quis assim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111033940507705780?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111033940507705780'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111033940507705780'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/escolha-foi-sua.html' title='A escolha foi sua'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111030831358091856</id><published>2005-03-08T15:09:00.000-03:00</published><updated>2005-03-08T15:58:33.583-03:00</updated><title type='text'>Paixão</title><content type='html'>A estagiária do meu trabalho está apaixonada. O carinha faz Medicina na UFRJ e já veio aqui algumas vezes. Nem o achei grande coisa, mas a menina fala nele horas e horas. Que é o primeiro aluno da sala, que parece o Luciano Szafir (nada a ver, só os olhos), que sabe tocar violão. Ela tem só 20 anos e é sua primeira paixão. Outro dia ela perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eugênia, se você tivesse que escolher entre um cara que não namora há muitos anos e um que acabou um namoro de dois anos, você escolheria quem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tirei os olhos do processo que examinava e respondi, pacientemente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Com o segundo,  Aline. Porque isso indica que o cara é capaz de ter relações estáveis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Pois eu preferiria o que não namora há um tempão. Antigamente não, mas agora eu bem que preferiria namorar um ex-galinha. É que o Pedro acabou um namoro de dois anos há pouco tempo e eu fico pensando se ele gosta de mim mais do que gostou dela...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, ela de novo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eugênia, você leva a sua mãe ao cinema?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, Aline, esqueceu que ela mora em Mato Grosso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ih, é! É que o Pedro me disse ontem que ia levar a mãe ao cinema e eu achei estranho, você não acha também? Ai, eu tô com medo de ele ter ido me chifrar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não tem nada de estranho, fofa. Se a minha mãe morasse aqui eu juro que a levaria ao cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje, porém, foi a gota d´água. Ela veio trazer um parecer para eu ler, mas, mal eu comecei, lá veio:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eugênia, você acha estranho o Pedro nunca dizer "eu te amo"? Em quatro meses de namoro?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirei fundo e respondi:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você já disse isso a ele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não... Eu acho que o homem é que tem que dizer primeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aline, pelo visto, também lê a "Nova".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vai ver ele está justamente esperando você dizer antes, Aline.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela pensou, pensou e disse:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ai, Eugênia, eu amo o Pedro, mas às vezes eu penso em terminar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei admirada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ué, Aline, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou sem-graça, mas respondeu:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que eu não agüento mais viver nesse desespero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111030831358091856?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111030831358091856'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111030831358091856'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/paixo.html' title='Paixão'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-111015897937692059</id><published>2005-03-06T22:26:00.000-03:00</published><updated>2005-03-06T22:33:48.643-03:00</updated><title type='text'>HELLena*</title><content type='html'>Quem dera fossem só as sensações de riso fácil. De alegria instantânea. De poder, autoconfiança, auto-estima elevada, bem-estar. Quem dera...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vendo aquela garota, tão linda, tão inteligente, potencialmente brilhante, com os olhos verde oliva perdidos, o equilíbrio físico e total ameaçado, ou até mesmo arruinado, a falta de coerência nas palavras voltei pra casa sem saber o que sentir, o que pensar. Uma porção de porquês e de não-explicações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se perdeu de si mesma. Como muitos outros.&lt;br /&gt;A droga é ganha pão de muitos.&lt;br /&gt;É sistema de controle de uma porção perversa da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É fuga fácil pra qualquer angústia porque leva pra longe, pro lado de fora onde não há sofrimento, sem deixar perceber que há dentro da gente um refúgio seguro, intacto, à espera de uma visita nossa. Sempre. Por pior que seja, por maior que seja a dor. Sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente soubesse como usar, se a gente não se perdesse, se a gente não fosse dado à excessos, se a gente se conhecesse mais. Se a gente sofresse diferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se a gente tivesse coragem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com os olhos rasos d’água me despedi dela, indiquei onde era o banheiro, que ela havia esquecido, entrei na sala de aula e chorei baixinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu emprestasse pra ela um pouco de mim? Adianta?&lt;br /&gt;E se ela se matar amanhã?&lt;br /&gt;E se eu tentasse fazer alguma coisa?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E concluo que o caminho é dela, que cada um sente de um jeito, que cada um tolera de um jeito o que pode e deve tolerar, que cada um tem sua fatia nessa Torre de Babel que é a nossa existência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que é triste a vera se sentir impotente diante de uma situação dessas. Que é perturbadora a sensação de revolta com relação a tudo de mal que há pra se viver. Que não há nada que eu possa fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por ela, absolutamente nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*Porque ela gosta de ser chamada assim: HELL&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-111015897937692059?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111015897937692059'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/111015897937692059'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/hellena.html' title='HELLena*'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110994280797926658</id><published>2005-03-04T10:23:00.000-03:00</published><updated>2005-03-04T10:26:47.980-03:00</updated><title type='text'>Chegar a algum lugar</title><content type='html'>Se o alvo não for fruto da ilusão, chegar a algum lugar faz a diferença. E quanta diferença, principalmente quando você sabe o alvo. Há quem passe pela vida, sem nunca ter tido um alvo. Para eu ter um alvo não é excêntrico e sim concêntrico. E não é preciso de nenhum livro de auto ajuda para saber que o alvo não está fora, mas dentro de você. E não é preciso deslocar o alvo para atingir o centro, basta conduzir a seta, treinar muito e executar bem o tiro.&lt;br /&gt;Treinar muito pode ter significação especial para um recém-chegado.&lt;br /&gt;Pode dar habilidade para desenvolver relacionamentos, para sobreviver ao primeiro choque e depois até ser feliz. Chegar a algum lugar é encontrar algo porque prosseguir e dar  prosseguimento, isso porque tudo está sempre começando, recomeçando eterna e diferentemente: há esperança.&lt;br /&gt;Jogar fora os excessos, desfazer as malas das lembranças, limpar a vida, dar espaço para o novo entrar. &lt;br /&gt;Chegar a algum lugar com muitos conceitos na bagagem, representa a oportunidade de fazer algo que se temia e então humildemente dar de ombros pensando: como é simples!!&lt;br /&gt;Basta começar a fazer. O único problema é esse: começar. Tem algo que nos prende no pé da mesa, alguns diriam o medo de não dar certo, outros a certeza do que se tem, mas o certo afirmar: é prossiga! Não deixe que os medos e as incertezas te prendam a onde você não quer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110994280797926658?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110994280797926658'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110994280797926658'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/chegar-algum-lugar.html' title='Chegar a algum lugar'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110978708451044769</id><published>2005-03-02T15:05:00.000-03:00</published><updated>2005-03-02T15:14:56.220-03:00</updated><title type='text'>Língua mãe, língua casa</title><content type='html'>O meu idioma é a minha casa, o meu aconchego. É meu lugar seguro, onde estão guardadas todas as minhas lembranças.&lt;br /&gt;A língua de que sou filha sabe bem da minha personalidade e reconhece o meu estilo em cada expressão. É uma mãe generosa, que sempre me presenteia com novas formas e que me deixa brincar com os seus pertences.&lt;br /&gt;O idioma no qual eu aprendi a falar são os meus sonhos, o meu inconsciente. E também os meus desejos, os meus planos, as minha dúvidas. É no meu idioma que eu sinto e penso, que sou feliz e sofro, que quero ou repudio.&lt;br /&gt;A língua que me pariu deu à luz também Pessoa, Drummond, Bandeira, Quintana, Vinícius, Leminski. Trouxe ao mundo Graciliano, Rachel, Machado, Rosa, Saramago, Lygia. Ensinou os primeiros passos a Chico, Caetano, Gil, Renato, Cazuza, Herbert. E é por ela que sou tão próxima deles para chamá-los sempre que preciso. Graças a ela, entre mim e eles há tanta intimidade que o entendimento é imediato.&lt;br /&gt;O idioma que me criou nunca me abandona. Ele me mostra a palavra certa para cada momento, mesmo que seja um palavrão. Se não a tiver, deixa que eu crie uma nova. Ele compartilha comigo segredos intraduzíveis e tolera meus desvios.&lt;br /&gt;A língua que eu trago na minha língua é puro prazer. É feita de ãos e ões que só pronuncia quem repete desde pequeno. É cheia de pessoas e tempos verbais, de concordâncias, de acentos. É meu orgulho e minha identidade. É minha.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110978708451044769?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110978708451044769'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110978708451044769'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/lngua-me-lngua-casa.html' title='Língua mãe, língua casa'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110970066330532655</id><published>2005-03-01T14:42:00.000-03:00</published><updated>2005-03-01T15:11:03.306-03:00</updated><title type='text'>Marte e Vênus, Vênus e Marte</title><content type='html'>Outro dia estava lendo a "Nova" (sim, claro que eu leio a "Nova") e a discussão era sobre homens que desaparecem depois de alguns dias. Dei várias risadas durante a matéria (haha, tô podendo, dá licença?) mas o que me impressionou foi como nós todos, homens e mulheres, somos babacas. Pô, olha só, tinha uma hora no debate (a matéria era um debate com homens e mulheres) em que o assunto era quem deveria ligar depois da primeira transa. Dos três homens da mesa, dois afirmaram que era a mulher. As mulheres, claro, ficaram chocadas, inclusive eu. Mas depois pensei bem  e concluí: ué, por que TEM que ser um ou outro? Que diferença faz? Se foi ruim, não é melhor que ninguém ligue?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outro momento interessante foi: como descobrir se o cara está mesmo a fim de você? Ou seja, que a coisa não vai parar naquele primeiro, segundo ou terceiro encontro? Uma das meninas se animou: &lt;i&gt;"Eu sei! É quando ele começa a fazer planos, como ir juntos a um show próximo! Não é?"&lt;/i&gt; Eu ia concordar com essa linha de raciocínio, quando um dos rapazes jogou um balde de água fria: &lt;i&gt;"Fazer planos no primeiro encontro pode ser só um jeito de conseguir transar com a garota."&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Engraçado, também, como os homens nos surpreendem. A gente se acostumou a pensar e dizer que mulher se arruma para as outras mulheres e que homem não repara muito em roupa, e sim no recheio. Mas um dos caras foi taxativo ao dizer que a primeira coisa que repara numa mulher é se ela se veste bem, está com as unhas feitas e os cabelos tratados. E ainda disse achar horrível calça muito justa e muito corpo à mostra. Seria ele um metrossexual?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um homem explicou que não telefona para uma menina que freqüente os mesmos ambientes que ele, já que irá reencontrá-la com facilidade. Caraca, o cúmulo do comodismo, não?! E se ele a encontrar, mas aos beijos com outro? Uma menina reclamou do fato: &lt;i&gt;"eu tenho um vizinho que nunca me ligou, mas quando me encontra nas baladas chega cheio de gracinha... Nunca aceito ficar com ele!&lt;/i&gt;"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma coisa que não entendi, ou melhor, achei uma contradição: os três caras do debate juraram que não acham uma menina assanhada porque deu no primeiro encontro. Mas, logo depois, perguntados se existe uma "mulher para namorar e casar" e uma "mulher para uma noite só", foram unânimes em concordar que existe! Pode?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, uma parte bacana da matéria foi quando os meninos disseram o grande sinal de que estão realmente interessados numa garota: quando circulam com ela nos seus próprios ambientes. &lt;i&gt; "Nenhum cara apresenta uma menina à sua turma ou a seus lugares favoritos, onde mantém interesses e até casos pendentes, se não estiver muito a fim dela."&lt;/i&gt; Bingo!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110970066330532655?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110970066330532655'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110970066330532655'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/03/marte-e-vnus-vnus-e-marte.html' title='Marte e Vênus, Vênus e Marte'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110954282010162046</id><published>2005-02-28T08:19:00.000-03:00</published><updated>2005-02-27T19:21:23.976-03:00</updated><title type='text'>Dos raros acontecimentos</title><content type='html'>Há coisas que acontecem muito de vez em quando. Chuva de granizo e arco-íris, por exemplo. Marginal Pinheiros sem trânsito às seis da tarde, programa bom na televisão aberta, acordar cedo sem morrer de sono, grana sobrando na conta. Raridades no nosso humano cotidiano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentre tantas, existem os encontros. Assim casuais, no meio da rua, com aquela pessoa que você não via há anos e que é uma agradável surpresa. Ou não. Encontro de amor. Enlouquecido, apaixonante, inesquecível. Encontros mais maduros, mais serenos e talvez um pouco menos "destruidores".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas falo explicitamente do encontro de pessoas que têm afinidades. No gosto musical, na maneira de viver e de entender a vida, nos filmes que assistem e nas coisas que pensam e concluem disso tudo que a gente faz, dessa lida diária.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E são essas as pessoas que a gente chama de amigo. Porque entendem sim, aquela dor no peito, aquele medo louco de madrugada, aquela solidão insuportável dos momentos de anoitecer dentro da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entendem a piada e se não, riem junto, porque gostam de você e tiram um sarro da sua incapacidade irônica e sarcástica. Gostam de comer as mesmas coisas que você, de andar pelos mesmos lugares, de visitar as mesmas esquinas de si mesmo. Bebem no mesmo copo, fumam do mesmo cigarro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes últimos tempos, tive a felicidade (sim, é felicidade. Sorte sei que não é!) de encontrar um punhado de pessoas assim e que por isso estão sempre juntas e que não se cansam de dizer o quão especial é estar perto. E eu que ando longe, pois moro em outra cidade, sei que estão todos ali naquele bar, tomando chopp, batendo papo, tirando onda, se encontrando na casa de um ou de outro e eu me sinto lá. Não menos aqui, no meu mundo, na minha casa, na minha cidade, mas ali do lado de cada um. Porque eles me fazem presente e porque eu os sinto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;São parecidos comigo. Variantes inevitáveis de temperamento e escolhas, mas desejo, intenção e compreensão quase idênticas, têm esses meus amigos da vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E sei que posso correr pro colo de cada um, quando a dor apertar. Sei que posso ligar pra contar da minha alegria, sei que posso aparecer de surpresa e que serei bem recebida. Sei que aquele disco raro, com aquela faixa que falta no meu repertório, certamente um deles têm. Aquele poema, aquele verso, aquela frase que me encanta. Um deles a tem, guardada na memória, na alma ou num livro na estante de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles têm um pouco de mim dentro deles. E eu os tenho aqui. Em pensamento, em saudades, em telefonema no meio da tarde, em e-mail, em post, em visitas, em feriados, em noites e dias de chuva ou sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atribuo a esse raro acontecimento, pela magnitude que tem a diminuição da minha sensação de estranheza com relação ao mundo em que sempre vivi. Encontrei nesses meus amigos, meus pedaços esquecidos, minhas crenças abandonadas, minha fé abalada, meu sorriso apagado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encontrei no momento exato o mote para a continuidade da vida, da renovação necessária, do acreditar de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se isso for um privilégio, agradeço a quem for. E se for merecimento, aceito-o por reconhecer-me capaz de tê-los ao meu lado. E se sonho for, que eu durma anos ao lado deles, mas se realidade for e sei que é o que é, que seja assim como agora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Que siga me preenchendo, me iluminando, me abençoando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À todos, meu sincero amor!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110954282010162046?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110954282010162046'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110954282010162046'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/dos-raros-acontecimentos.html' title='Dos raros acontecimentos'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110939096328262717</id><published>2005-02-26T01:05:00.000-03:00</published><updated>2005-02-26T01:09:23.283-03:00</updated><title type='text'>Amanhã</title><content type='html'>Amanhã vou começar uma dieta. Isso mesmo, preciso emagrecer, dar uma melhorada no visual, respeitar meu corpo. Esta é a última taça de sorvete de chocolate que comerei até o final do ano. Amanhã vou ligar para aquela menina que meu deu seu telefone durante a festa. Ela é linda, gente boa pra caramba...e que beijo. Não posso deixá-la sumir. Eu disse que ligaria hoje. Ah, pra quê? Ainda dá tempo. Amanhã eu falo com ela. Amanhã vou dizer a ele que o perdôo a sua traição. Eu pensei bem no assunto e acho que ele merece uma segunda chance. Estamos juntos há tanto tempo e não vale a pena jogar fora uma relação tão longa por contade um deslize. Vou aparecer na casa dele bem cedo,amanhã pela manhã. Amanhã vou visitar meu tio no Hospital. Talvez seja aúltima vez que eu o veja, pois é um caso grave.Câncer. Dói muito vê-lo assim, frágil. Gosto tanto dele e não imagino perdê-lo sem trocarmos algumaspalavras. Será que vai dar tempo? E se acontecer algo com ele esta noite? Ah, bobagem, por que não daria?Amanhã eu passo por lá. Amanhã eu direi a meu pai que o amo. Estamos brigados desde o ano passado e sinto tanta falta de deitar minha cabeça em seu colo, ouvir as mesmas histórias que sempre me fazem rir. Pensei em procurá-lo hoje, mas não é preciso ter pressa. Amanhã eu faço isso. Amanhã eu vou sair à noite, ver gente bonita, paquerar. Quem sabe eu descolo alguém legal? Estou recluso há tanto tempo por conta do fim de um namoro doentio. Não posso mais ficar desse jeito. Há tanta coisa bonita pra se fazer, tantas pessoas interessantes a conhecer. Bem, meus amigos disseram que vão sair hoje, mas não vou com eles, só amanhã. Por que sempre marcamos uma data para o início de nossas vidas? Por que não enxergamos que todo o não-vivido de hoje é um pouco de vida que jogamos  fora? Viver não tem uma data pra começar, já está acontecendo. Agora mesmo, enquanto você lê estas poucas linhas. Por que desenhamos uma linha imaginária de tempo a partir da qual tudo, magicamente, estaria resolvido? Ah, não tenho uma resposta. Amanhã a gente pensa nisso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bruno Cunha&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110939096328262717?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110939096328262717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110939096328262717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/amanh.html' title='Amanhã'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110939061390600415</id><published>2005-02-26T00:57:00.000-03:00</published><updated>2005-02-26T01:03:33.906-03:00</updated><title type='text'>Demorou, mas chegou</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Caros leitores,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Esta semana a Pati, nossa colunista de quarta-feira esteve viajando a trabalho. Ela deixou seu texto conosco para que postássemos, mas como podem notar, não tivémos tempo nem organização suficiente para tal. Eis que aí vai o texto da Pati, com atraso, porém lindo como sempre. &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Saudações,&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#666666;"&gt;Nós&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;Como é que chama? &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;Como é que se chama aquela sensação de espera infinita, de que o mundo nunca vai estar completo se você não chegar?&lt;br /&gt;Qual é o nome daquela vontade de ficar perto como se o tempo não passasse e como se não houvesse nada mais importante?&lt;br /&gt;Tem denominação para aquele apertar de braços que faz tudo desaparecer e faz acreditar que nada poderá fazer mal?&lt;br /&gt;O que é que se fala daquela linguagem de olhar e de tocar e de sentir e de adivinhar antes que a voz saia?&lt;br /&gt;O que é que se diz daquela cisma de abandono se o telefone não toca ou se a campainha não soa?&lt;br /&gt;Como é que se explica aquela lembrança de cinco sentidos, que é visão, olfato, tato, audição, paladar, tudo inscrito na memória?&lt;br /&gt;Qual é mesmo a palavra para aquela mistura de insatisfação e dor que começa na despedida e só termina no reencontro?&lt;br /&gt;Tem definição para aquela certeza de que se for sempre assim sempre vai ser e eu sempre vou estar?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110939061390600415?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110939061390600415'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110939061390600415'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/demorou-mas-chegou.html' title='Demorou, mas chegou'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110933356805914229</id><published>2005-02-25T09:12:00.000-03:00</published><updated>2005-02-25T09:14:02.040-03:00</updated><title type='text'>Crescer não é fácil</title><content type='html'>Crescer não é fácil e quem disse que seria? Tudo o que eu mais desejava era ser adulta para poder fazer as minhas próprias escolhas.&lt;br /&gt;Só não me avisaram o quanto difícil seria. Escolher e decidir, verbos tão fáceis de serem conjugados, hoje a todo o momento conjugo esses mesmos verbos que tanto me fizeram sonhar, mas agora não nos exercícios de fixação, mas na prática. Onde apagar os erros dos verbos conjugados sempre é possível. E não adianta trocar de borracha! Verde, branca, de duas cores, nenhuma delas serve na vida adulta. Me deram um corretivo, mas quando eu viro a pagina, lá está o erro no verso, como se nunca houvesse sido apagado.&lt;br /&gt;Deveríamos escrever nossas vidas de lápis, assim seria mais fácil na hora de conjugar os verbos. Não fez certo? Borracha nas palavras e começa tudo de novo.&lt;br /&gt;Quando nos tornamos adultos a escrita é sempre a caneta, por isso é tão difícil.&lt;br /&gt;Hoje penso o quanto as escolhas de uma criança são fáceis, fazem isso de propósito! Assim você entra na fazer adulta cheia de esperanças, vontades e acreditando que o mundo é do jeito que você quer.&lt;br /&gt;Com o tempo você se depara com as dificuldades, os medos e as incertezas das escolhas e não dá mais para voltar. Você pode até tentar apagar, usando a borracha ou o corretivo, mas a marca do erro fica lá.&lt;br /&gt;A vida adulta a brincadeira é um ditado. Você tem a chance da palavra ser ditada mais uma vez, mas o erro fica lá registrado no seu caderno que é a vida.&lt;br /&gt;Quero de volta o meu caderno de caligrafia, quero também minha tabuada, livro de cobrir e o de colorir. Quero escrever a lápis e apagar , sem deixar marcas, sempre que for preciso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110933356805914229?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110933356805914229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110933356805914229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/crescer-no-fcil.html' title='Crescer não é fácil'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110908437963504735</id><published>2005-02-22T11:10:00.000-03:00</published><updated>2005-02-22T12:04:50.426-03:00</updated><title type='text'>História suburbana</title><content type='html'>A mãe de Nair descobriu que o marido tinha outra família e quase morreu de desgosto. O advogado acabou indo morar com a outra e Nair jurou que nunca passaria pela mesma situação. Escolheu como namorado Heitor, o rapaz mais feio da sala de aula e talvez de todo o Valqueire, onde moravam. "Homem bonito dá trabalho", pensava, lembrando do charmoso pai. Heitor planejava estudar Direito, mas a moça o pressionou para que fizesse Ciências Contábeis. "É mais tranqüilo, meu filho!" ela repetia, carinhosa. Mentira: era porque lhe parecia mais seguro um homem que passasse o dia todo num escritório - advogados estão sempre passeando pelo Fórum. Além disso ganham mais, e dinheiro chama mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mesmo sendo feio, Heitor sofria com os ciúmes da agora esposa. Para ela, todo rabo-de-saia era uma rival em potencial - da faxineira cinqüentona à filha adolescente do vizinho. Se o marido admirasse a vista da janela, queria era aparecer para as transeuntes; se cogitava aprender violão, era porque músicos atraíam com facilidade o sexo frágil. Heitor não brigava, mas reclamava: "Naná, pelo amor de Deus, eu te amo, minha rainha!" Mas ela não se convencia: "Homem é que nem leite no fogo, tem que ficar de olho!" Levava o marido até o portão todas as manhãs e corria para esperar o telefonema dele do trabalho, avisando já ter chegado. Esperava-o todo dia às seis e meia para jantar. Ai dele se pegasse engarrafamento e chegasse meia hora mais tarde no escritório ou em casa - era briga na certa. Também obrigava o moço a almoçar em casa durante a semana, alegando que, além de tudo, saía muito mais barato. Faziam tudo juntos; até a pelada dos sábados era acompanhada por ela, enquanto fazia crochê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia Heitor morreu. Novo, novo, nem quarenta anos tinha. Coração. Nair não se conformava. Suburbana que era, batia no caixão e gritava: "Eu quero ir junto! Eu quero ir junto!".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até que apareceu a - (esta expressão seria repetida muitas vezes em Vila Valqueire nos dias que se seguiram) - "dama de preto". Feia de cara, mas dona de fartos quadris, chamava a atenção não só pelo choro sentido, mas também porque ninguém no velório a conhecia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nair não tardou a notá-la. Furiosa, botou as mãos na cadeira e perguntou:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E você? É o quê dele, minha filha?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça respondeu com calma, enquanto enxugava uma furtiva lágrima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nair... Eu não vou mentir pra você... Eu era amante do Heitor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amante? - a viúva gritou (agora uma rodinha havia se formado em torno das duas. Ninguém ousava dizer nada, com medo de apanhar). - Amante como, sua vagabunda? Se eu não tirava os olhos do meu marido?! Anda, responde, sua cachorra!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A moça continuou serena:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Na hora de almoço do trabalho dele, Nair, nós...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Hora do almoço?! Hora do almoço?! Como assim? Meu marido almoçava em casa todo santo dia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu sei, eu sei que ele almoçava em casa todo dia. Mas é que... é que...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Todos aguardavam sem respirar a revelação. Como, meu Deus, como foi possível ao morto ser infiel?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É que a sobremesa era sempre na minha casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;i&gt;(inspirado livremente no samba "O velório do Heitor", de Paulinho da Viola)&lt;/i&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110908437963504735?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110908437963504735'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110908437963504735'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/histria-suburbana.html' title='História suburbana'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110900810200345134</id><published>2005-02-21T14:46:00.000-03:00</published><updated>2005-02-21T14:48:22.003-03:00</updated><title type='text'>Nossa flor</title><content type='html'>Meu amor é velho.&lt;br /&gt;Pinta(va) o cabelo.&lt;br /&gt;É meio mal-humorado.&lt;br /&gt;Meu amor fere com as palavras, quando perde a razão.&lt;br /&gt;Tem outro tempo. É de outro tempo.&lt;br /&gt;A barba do meu amor cresce rápido demais.&lt;br /&gt;Meu amor sabe mentir. E ele sabe que eu sei disso.&lt;br /&gt;Meu amor tem mágoa e é tímido demais quando não deve ser.&lt;br /&gt;Meu amor tem medo. De muita coisa.&lt;br /&gt;É inseguro. Modesto demais.&lt;br /&gt;Meu amor é ansioso e vive planejando tudo. Exageradamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o meu amor é doce.&lt;br /&gt;É sincero e intenso.&lt;br /&gt;Mergulha quase que sem mascara lá no fundo de nós dois.&lt;br /&gt;Ele é poeta. Vive como quem escreve o tempo todo.&lt;br /&gt;Cita poesias e palavras suas e dos outros a cada momento.&lt;br /&gt;Meu amor é encantador. Tem brilho nos olhos e sorri que nem menino.&lt;br /&gt;É malandro e sedutor. Na medida exata do meu desejo.&lt;br /&gt;Meu amor me faz mulher. Mais do que eu achava ser.&lt;br /&gt;Ele me visita manso, me percorre íntegro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu amor não tem medo da vida.&lt;br /&gt;Que nem eu, ousa e arrisca o viver logo agora.&lt;br /&gt;Meu amor dá risada da própria dor.&lt;br /&gt;Transforma em verso a amargura e a vivacidade do seu dia e noite.&lt;br /&gt;Meu amor canta no meu ouvido as palavras de amor que eu mereço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sabe, e ainda descobre aos poucos, onde mora o valor que eu tenho.&lt;br /&gt;E se admira. E me incentiva. E me respeita como iniciante na vida que teço.&lt;br /&gt;Ele olha no fundo dos meus olhos. E eu me vejo refletida no mel daquele mar.&lt;br /&gt;E encontramos a sabedoria de cada um, num sorriso cúmplice e silencioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desejo, meu manso e intenso amor, que sejamos atores de uma história sincera. Que façamos da vida juntos, uma esperança renovada e uma descoberta surpreendente.&lt;br /&gt; Porque você já é primavera dentro de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110900810200345134?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110900810200345134'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110900810200345134'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/nossa-flor.html' title='Nossa flor'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110873356115553096</id><published>2005-02-18T11:31:00.000-02:00</published><updated>2005-02-18T11:32:41.156-02:00</updated><title type='text'>Perfeita Harmonia</title><content type='html'>Depois de ter você: os meus lábios não param de sorrir; os meus olhos não ficam mais a procurar; as minhas mãos insistem em repousar no seu corpo; os meu ouvidos só querem ouvir a melodia que sai da sua boca; os meus lábios já combinaram de só ficar colocados aos seus; as minhas pernas só conseguem dormir tendo as suas como companhia; os meus pés procuram os teus todas as noites e  só querem trilhar o seu caminho; o meu suor só quer ser misturado ao seu; os meus cabelos insistem em brilhar sobre o seu corpo; o meu corpo fica muito mais bonito entre as suas mãos; a minha pele fica muito mais macia na sua boca; os meus dedos só querem te tocar, a minha língua exige o seu gosto; o coração só deseja você e a alma está mais tranqüila com você ao meu lado. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110873356115553096?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110873356115553096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110873356115553096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/perfeita-harmonia.html' title='Perfeita Harmonia'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110868802021996021</id><published>2005-02-17T22:43:00.000-02:00</published><updated>2005-02-17T22:53:40.220-02:00</updated><title type='text'>Acordar</title><content type='html'>É parte do seu corpo tocando o meu.  O calor, desconhecendo proporcionalidades, me toma.  Que sorte te ter por aqui, ao alcance das minhas mãos e dos meus olhos, depois de tanto tempo.  Em silêncio, acreditei nisso todos os dias.  Mas bem calada, sim, fazendo fé em garantias fictícias, como o compromisso que têm os desejos, quando são assim enormes, de se realizarem, por exemplo.  Que pretensão, na verdade, é achar que o meu corpo é o lugar exato pro seu.  Só digo, então, para disfarçar minha alegria, que ele é um ninho feito e refeito desde e para sempre pra te acolher.  Ah, que coisas lindas são as do amor.  Dar o pincel nas mãos de alguém para que faça da tela em branco, escancarada como é o ser que ama, a pintura que bem entender, rezando para a santa inspiração guiar seus movimentos.&lt;br /&gt;Enquanto pensa, ainda sem querer despertar completamente, vai sentindo as pernas (mãos?  peito?) dele roçando em suas costas.  Espera, aflita, pela felicidade.  E se vira, enfim, para o novo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você na cama de novo, não é?  Nada de querer dormir no seu cestinho!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Às vezes o dia amanhece enigmático como os olhos de um gato.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110868802021996021?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110868802021996021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110868802021996021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/acordar.html' title='Acordar'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110856528699039824</id><published>2005-02-16T12:45:00.000-02:00</published><updated>2005-02-16T12:48:06.993-02:00</updated><title type='text'>O bicho, meu Deus, era um homem *</title><content type='html'>O homem defecava na calçada, encostado ao muro de um prédio, no domingo à noite. Calças arriadas, posição de cócoras, ele sequer esquivava o olhar de quem passava. E passava muita gente na rua movimentada, passavam ônibus, carros. O homem ali, fazendo sua necessidade a céu aberto.&lt;br /&gt;O homem não tinha casa, não tinha banheiro, não tinha vaso sanitário, não tinha sequer uma fossa. Só tinha a calçada. O que ele teria perdido primeiro, a dignidade ou a vergonha? A bunda exposta para os pedestres, não havia mais o que perder.&lt;br /&gt;E se ele sofresse de prisão de ventre, quanto tempo ficaria ali? E se fosse diarréia, quantas vezes precisaria voltar? Será que o homem recolheria as próprias fezes e jogaria numa lixeira, como fazem os donos de cachorros com os dejetos de seus animais de estimação? Ou a tarefa ficaria para os garis, no dia seguinte? Ao homem não era possível nem seguir o exemplo dos gatos e enterrá-las.&lt;br /&gt;Quem via a cena podia sentir nojo, podia ter pena, podia ser tomado pelo horror. Podia até fingir não ver. Podia se indignar. Podia esquecer. Podia chegar em casa e se trancar no seu banheiro, com papel higiênico, pia e chuveiro, para fazer o "número dois".&lt;br /&gt;O homem só podia levantar as calças e seguir. E fazer de outro pedaço de calçada, adiante, a sua cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt;Verso de "O bicho", de Manuel Bandeira&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110856528699039824?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110856528699039824'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110856528699039824'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/o-bicho-meu-deus-era-um-homem.html' title='O bicho, meu Deus, era um homem *'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110849133866235402</id><published>2005-02-15T15:22:00.000-02:00</published><updated>2005-02-15T16:15:38.663-02:00</updated><title type='text'>O mar sem fim</title><content type='html'>Tenho vários amigos de fora, com os quais me comunico graças à rede. Mora na Itália um dos mais queridos, o Egidio, que tanto me ajudou na viagem à Europa no ano passado. Todos eles, sem exceção, são apaixonados pela nossa música. Admiram a sofisticação das melodias do Tom. Encantam-se com as baterias das escolas de samba. Tentam, desajeitados, dançar no compasso do forró.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas só os poucos que dominam o português podem singrar os mares das nossas letras de música. Tem tanta coisa bonita que dá vontade de chorar ao saber que uma vida é pouco para ouvir todas. E tem aquelas cuja letra a gente esqueceu, e então tem que recorrer ao Santo Google. Você tem boa memória, mas por acaso saberia cantar &lt;i&gt;"A bela e a fera"&lt;/i&gt;, d´&lt;i&gt;"O Grande Circo Místico"&lt;/i&gt;? Lembra, a fera era o Tim Maia. Olha a última frase: &lt;i&gt;"Abre teu coração / Ou eu arrombo a janela."&lt;/i&gt; (Chico Buarque e Edu Lobo). Demais, demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, eu estava pensando nisso no domingo, durante o show da Fernanda Cunha na Lagoa. Tudo estava perfeito: a voz linda da moça, o violão preciso do Zé Carlos, o visual deslumbrante. E... tem as letras. O repertório de seu último disco,  &lt;i&gt;"Dois Corações"&lt;/i&gt;, homenageia Sueli Costa e Johhny Alf. É para se ouvir, decerto, mas também para deitar na cama e ficar lendo e relendo o encarte, meditando acerca de versos como  &lt;i&gt;"Luzes negras são como faróis a me guiar&lt;/i&gt;"  (&lt;i&gt;"Olhos Negros"&lt;/i&gt; - Johnny Alf/Ronaldo Bastos).  E  &lt;i&gt;"Ah... essas palavras banais/dos boleros sensuais/são verdades diárias/são dores tão normais."&lt;/i&gt;. E &lt;i&gt;"Somente um dia longe dos teus olhos / Trouxe a saudade do amor tão perto."&lt;/i&gt;.  Às vezes não é nem um verso, é uma expressão:   &lt;i&gt;"Entre o copo, a vitrola e a fumaça."&lt;/i&gt; (em &lt;i&gt;"Cão sem Dono"&lt;/i&gt;, de Sueli e PC Pinheiro). E tem horas que nem dá para destacar um verso porque o verso é a música toda e tudo ficaria sem sentido &lt;i&gt;"Amor, Amor"&lt;/i&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, quando um amigo de fora cantarola: &lt;i&gt;"Poeiraaa..."&lt;/i&gt; (TODOS eles adoram esta música), eu falo: você tem que aprender português, porque nossas letras são as melhores do mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E me pergunto se elas seriam esse mar sem fim  tão belo se não fossem em português.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110849133866235402?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110849133866235402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110849133866235402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/o-mar-sem-fim.html' title='O mar sem fim'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110832533151860170</id><published>2005-02-14T08:04:00.000-02:00</published><updated>2005-02-13T18:15:03.640-02:00</updated><title type='text'>Como do deserto uma flor</title><content type='html'>Daquele que dá do escuro, da luz apagada de dentro pra fora. E aquele de barata? No meio da noite, com sede na cozinha anoitecida?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem também aquele de ir pra escola, no primeiro dia de aula, na primeira série. De ficar longe da mãe, de sentir falta do cheiro da casa antiga que abriga as lembranças da infância dolorida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O do irmão, quando a gente pega escondido aquele disco preferido e sem querer some com ele pra nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o de altura. Da falta do chão nos pés, da sensação de insegurança que é ver o mundo pequenininho na palma da mão. De estremecer. De não se reconhecer tamanha magnitude, ali sozinho, na beira do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem aquele de gente esquisita. Que gela a barriga e as mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O do perigo. Dos sinais fechados na madrugada fria, da miséria humana e da culpa secreta de se sentir partícipe do apanhado de revolta que habita as avenidas moribundas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o de cachorro? Da doçura ou da fúria do animal que mora na gente. Da candura dos olhos pedintes, da braveza do latido rasgado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o de elevador, de metrô, de ponte. Tem o do desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem o da gente mesmo. E esse é brabo. Apavora. Paralisa. Desintegra. Desordena. Ou recupera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De uma vez por todas. Reconstrói os cacos de vida irresoluta, de dias insuficientes. E a hora de encarar chega certeira. Quando tem que ser. E destrói pra renascer flor, logo em seguida, como primavera suave e poderosa. Se renasce fênix que se é. Se assim for.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E antes que eu me esqueça, o mote das minhas palavras, princípio ativo das linhas aqui dispostas, na mesa do meu interior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O eterno e universal medo de amar. De não ser correspondida, de que acabe de repente, que faça estrago nos beirais do coração apaixonado. Medo sim de ser feliz, com a serenidade que isso possa significar realmente. Medo de se pegar dormindo e acordando pensando no amor de agora.&lt;br /&gt;Medo de caminhar lado a lado, de sonhar junto, de escrever a música do nosso feliz tempo de almas amantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo de sofrer insano, de se entregar com tudo, de derrapar sem freio, de perder a cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo irrefutável de sentir saudades, de esmagar contra o peito todos os nossos momentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Medo de ter que jogar fora, ver voar pela janela, os planos que construímos sem querer, no arrebatamento de se sentir enluarado, enfeitiçado, ensandecido. Medo indecisivo da falta de conclusões, das não-explicações, das fugas repentinas. Medo do poder transformador do amor na vida da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que invariavelmente habita e constrói o mosaico dos nossos passos. Relutantes e tortos passos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parcos desejos escondidos sob o véu do terror à integridade, à beleza, ao fascínio de se viver amando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recomendo copos de coragem. Que sejam de líquido frio ou quente, mas eficazes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se acaso alguém souber onde se encontram, queira logo me mostrar o caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu nobre agradecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;*O título do texto é uma frase da música "Medo de Amar" de Vinicius de Moraes.&lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110832533151860170?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110832533151860170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110832533151860170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/como-do-deserto-uma-flor.html' title='Como do deserto uma flor'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110812425779821804</id><published>2005-02-11T10:15:00.000-02:00</published><updated>2005-02-11T10:17:37.800-02:00</updated><title type='text'>Amor não é fácil de achar</title><content type='html'>Fomos apresentadas quando eu era ainda muito criança. Você me encantou com toda a sua luz, seu calor e sua vontade de vencer. O balanço do seu corpo encantou os meus olhos de menina, que atentamente observava cada gesto, cada movimento, cada passo seu.&lt;br /&gt;Assim nasceu o meu amor por você. No inicio aquilo que era apenas admiração foi crescendo e tomou conta de mim.&lt;br /&gt;Vivemos tantas coisas juntas. Você me viu crescer e eu presenciei suas conquistas.&lt;br /&gt;Mas como qualquer relação, algumas vezes nos desentendemos e alheias a nossa vontade nos separamos.&lt;br /&gt;Uma separação que foi muito dolorosa, mas que hoje sei que não conseguiu acabar com tudo que foi construído entre nós.&lt;br /&gt;Às vezes nossos olhos se encontravam, mas por medo de sofrer de novo, fiquei afastada.&lt;br /&gt;Mesmo sem saber,mantive o amor por você guardado, eu que muitas vezes pensei que ele não mais existia.&lt;br /&gt;E com tanto amor guardado, nosso reencontro era inevitável.&lt;br /&gt;Recomeçamos devagar: um sorriso tímido, encontros de vez em quando e quando dei por mim, estava de novo com o coração disparado ao te ver.&lt;br /&gt;Agora basta pensar em você, que o meu corpo e a minha alma caem na gargalhada de tanta felicidade.&lt;br /&gt;Meu amor por você, minha querida Estácio de Sá, nunca deixou de existir. O que sinto por você  faz meu coração acelerar e ter a certeza que um amor assim não acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Por motivos diversos por 10 anos fiquei afastada da escola do meu coração. No ultimo dia 08 desfilei mais uma vez pela minha escola de coração. Fizemos as pazes.A Estácio de Sá nasceu da fusão das mais tradicionais escolas de samba existentes no morro de São Carlos: Paraíso das Morenas, Recreio de São Carlos e Cada Ano Sai Melhor. Os componentes da Estácio de Sá são, em sua maioria, da Cidade Nova, Saúde, Morro da Favela, Gamboa, Catumbi, Morro da Providência, Estácio e Morro de São Carlos.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110812425779821804?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110812425779821804'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110812425779821804'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/amor-no-fcil-de-achar.html' title='Amor não é fácil de achar'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110803850118855369</id><published>2005-02-10T10:27:00.000-02:00</published><updated>2005-02-10T11:53:35.913-02:00</updated><title type='text'>Magia do Carnaval</title><content type='html'>É fácil saber quando chega o Carnaval no Rio de Janeiro. É só ligar a televisão e ver as alegorias e adereços das escolas de samba mostradas a todo momento. Mostrados também, aliás, são os corpos das sambistas de última hora em suas ínfimas fantasias – é a sensualização que de certa forma faz parte da festa e contagia a todos os foliões. Pra ver que estamos nos quatro dias de folia, pode-se também pegar o metrô. Componentes das agremiações rumo ao desfile na Marquês de Sapucaí não raro estarão cantando o samba-enredo de sua escola numa prévia ansiosa do que acontecerá nos instantes de euforia única em que pisarão na passarela. Dependendo do lugar onde você more, fica ainda mais fácil: basta chegar à rua e rir inevitavelmente dos cidadãos de respeitos em trajes inesperados, como aquele senhor muitíssimo sério, seu vizinho da frente, de vestido coladinho, peruca loira e batom, a sua senhora, mais séria ainda, arriscando uma flor nos cabelos e um sorriso de libertação no rosto brilhoso de suor e glitter. Olha a professora de fantasia! (alunos deveriam ser tirados de circulação no Carnaval) A festa está, enfim, brincando pelo ar da cidade.&lt;br /&gt;Na terça-feira, eu vi o Carnaval de dentro pra fora. Foi no desfile de uma escola de samba do grupo de acesso B, a Unidos do Jacarezinho. Onde essa escola sai, meu Deus? No Sambódromo, sim senhor. Lá estava eu, com a nem de perto glamourosa indumentária: uma camiseta estampada com o nome da ala e do sambista que foi enredo, o Monarco, e um chapéu. Tudo bem baratinho. O carro alegórico onde vinha o homenageado, eu vi. E confesso que senti medo: será que vai agüentar? Mas o detalhe maior não era nenhum de nós.&lt;br /&gt;Pense na função daqueles homens que empurram os carros alegóricos. Talvez os mais desavisados nem tenham conhecimento do trabalho dessas pobres criaturas. Pois existem pessoas que fazem muito esforço (físico!) em prol da festa de outros, daqueles que estarão lá em cima, em destaque. Nervosismo dos diretores de harmonia: corre, espera, segura, o tempo está esgotando! Em nome de um belo desfile. Se você achou uma tudo isso um trabalho que, parafraseando a sabedoria popular, ninguém merece, é porque não viu a alegria genuína daquele simples que estava bem à minha frente. Nos olhos, o orgulho de estar colaborando. Quando os modestos fogos de artifício foram estourados, a vibração. Como ninguém, ele vibrava, com os braços para o alto, como quem vence. Quem era ele? Muito provavelmente, um morador da comunidade maltratada do Jacaré, bairro quase miserável, tido como um dos pontos mais violentos desta Cidade Maravilhosa. As dificuldades de sua vida, em meio a esta pobreza, as menores, as do dia-a-dia, as dos mínimos detalhes de carência de todas as espécies, não poderão ser imaginadas por nós. Essa humilhação do não vivida nos 364 dias de luta cega pela dignidade desconhecida, não teve sentido nem razão de ser naqueles segundos de êxtase. Não havia. Acho que entendi o que é a tal magia do Carnaval.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110803850118855369?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110803850118855369'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110803850118855369'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/magia-do-carnaval.html' title='Magia do Carnaval'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110796982487292240</id><published>2005-02-09T15:19:00.000-02:00</published><updated>2005-02-09T15:23:44.873-02:00</updated><title type='text'>Pedro II tudo ou nada?</title><content type='html'>Saia de pregas, blusa com o emblema, meia branca, sapato de boneca. Blusa para dentro da saia, sempre. Mas essa saia é muito comprida! Duas dobras no cós e ela fica do tamanho ideal, dois palmos acima do joelho.&lt;br /&gt;- Menina, esta saia está muito curta.&lt;br /&gt;- Ah, dona Geralda, fui eu que cresci.&lt;br /&gt;- Tem que comprar outra então.&lt;br /&gt;Desfazer uma dobra para fazer a vontade da Dona Geralda. Sem muita escolha, ou isso ou um pito da chefe de disciplina na caderneta. Ou pior, uma conversa lá dentro da Chefia de Disciplina, ao lado da Bedelaria. Deus me livre!&lt;br /&gt;Quarta-feira, descer para cantar o hino. Hino Nacional, Hino do Colégio, Hino do Sesquicentenário. Pedro II tudo ou nada? Tudo! Então como é que é? É tabuada! Três vezes nove vinte e sete, três vezes sete vinte e um, menos doze fica nove, menos nove fica um. Zum, zum, zum, paratibum, Pedro II!&lt;br /&gt;Prova de Francês da Jurema. Cem questões, quem consegue? Cola de todos os verbos dentro do estojo. No dia seguinte, cola substituída pelas fórmulas de Matemática da Norma. Ufa! De raspão! Menos um ponto e era recuperação em fevereiro.&lt;br /&gt;Anhangá fugiu. Anhangá hehe. Ah, foi você. Quem me fez sonhar. Para chorar a minha terra.&lt;br /&gt;- Quem vai ao Fogo Simbólico? Vale um ponto em Música.&lt;br /&gt;- É lá em São Cristóvão, preguiça.&lt;br /&gt;Afronta se lava com fibra de herói, de gente brava. Bandeira do Brasil ninguém te manchará. Teu povo varonil isso não consentirá&lt;br /&gt;Latim na 8ª série, haja estojo para tanta cola de declinação. Roosevelt, como um menino tão bonito pode ter um nome desses? Bem, ele nem olha para mim mesmo.&lt;br /&gt;CPII Centro. Pode a blusa para fora da calça. E dá para voltar a usar saia, não tem Dona Geralda para fiscalizar o comprimento. Tem gente até de tênis!&lt;br /&gt;Química, Paulo Roberto: "se vira", ele diz! Dá para matar aula lá na quadra, mas se um inspetor pega, é direto para o SOE. Física, Monken, "só a dor é positiva, o prazer é mera cessação da dor". Vamos comprar ração para os gatinhos da escola? Mas vem Maria Helena e faz gostar de Orgânica e lá vou fazer vestibular para Engenharia Química. Tem passeta na Rio Branco, não disseram por que, mas todo mundo vai: Fora Collor! Zenaide e seus erres retroflexos bem que avisou, você escreve bem, não faz isso, tenta jornalismo. Arroz, feijão e farofa, macarrão com almôndega, almoço na merenda. As provas desse maluco de História são todas de múltipla escolha, então é só combinar o código.&lt;br /&gt;Passei! Faculdade, adeus calça azul-marinho. Já se vão dez anos. Mas por que é que ninguém esquece aquelas letras? Por que de vez em quando "Oh, manhã de sol. Anhangá fugiu. Anhangá hehe. Ah, foi você", com duas vozes, como na aula de Música? Eia pois Pedro II. Em vitórias mil amigo. Salve Sesquicentenário. Para honra do Brasil. Cê Cê Cê Pê Dois. Cê Cê Cê Pê Dois. Cê Cê Cê Pê Dois…&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110796982487292240?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110796982487292240'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110796982487292240'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/pedro-ii-tudo-ou-nada.html' title='Pedro II tudo ou nada?'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110788245258401654</id><published>2005-02-08T15:02:00.000-02:00</published><updated>2005-02-08T15:07:32.583-02:00</updated><title type='text'>Das coisas que não se dizem</title><content type='html'>Quando era criança, li que os judeus não pronunciam o nome de Deus. Fiquei intrigada com isso, ainda mais que no Brasil a gente ouve a toda hora &lt;I&gt;“meu Deus”, “graças a Deus”, “se Deus quiser”&lt;/I&gt;... E não sei se você sabe, mas antigamente as pessoas não falavam a palavra câncer. Diziam só: &lt;I&gt;“Fulano está com aquela doença”&lt;/I&gt;. Ah, e sabe que durante um tempo era crime, na Grécia antiga, dizer a palavra &lt;I&gt;“Eróstrato”&lt;/I&gt;? Porque era o nome do homem que tinha incendiado o templo dedicado à deusa Diana na cidade de Éfeso. Isso me lembra &lt;I&gt;“A história de Adèle H.”&lt;/I&gt;. É um filme do Truffaut sobre a filha do escritor Victor Hugo. Repare que o título do filme abrevia o sobrenome da triste moça. O peso do nome é resumido na cena em que um homem pergunta a Adèle, interpretada por Isabelle Adjani, quem é seu pai. Ela não ousa pronunciar o nome do escritor: escreve com o dedo numa janela empoeirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E os minutos de silêncio. Sempre fico nervosa quando pedem um minuto de silêncio em homenagem a alguém. Nessa hora me dá uma vontade louca de falar qualquer coisa. Também acho engraçado como as pessoas têm implicância com certas palavras. Dizem que dá azar falar a palavra azar (ih, falei). Tem que dizer má-sorte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não entendo os pais que dão seus próprios nomes aos filhos. Coitada da Mônica, tendo que ouvir todo santo dia sua própria voz gritando: &lt;I&gt;“Romarinho, hora de dormir!” “Romarinho, limpa o nariz!”&lt;/I&gt; Ela nunca vai se libertar desta palavra. Que chato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tem vezes em que as palavras estão tão presas que é necessária uma barreira física para que elas se libertem. Em &lt;I&gt;“Paris, Texas”&lt;/I&gt;, os personagens de Harry Dean Stanton e Nastassja Kinski estão muito próximos, fisicamente. Mas separados por um vidro e por um telefone, e é através deste vidro e deste telefone que travarão um dos mais doloridos e esperados diálogos do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E há ocasiões em que nada precisa ser dito. Para o bem ou para o mal. Em &lt;I&gt;“Closer – Mais perto”&lt;/I&gt;, o personagem de Jude Law pergunta a Julia Roberts, no teatro, se ela transou com o ex-marido, após encontrá-lo para que este assinasse os papéis do divórcio. Meus Deus, por que ela não mentiu? Seria tão fácil dizer a palavra não, a palavra que os salvaria! Mas ela olha para ele sem nada dizer (com as palavras, porque sua fisionomia espelhava o sim). E então virão a discussão e o término. Depois dos segundos de silêncio que selariam mais uma das impossibilidades do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110788245258401654?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110788245258401654'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110788245258401654'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/das-coisas-que-no-se-dizem.html' title='Das coisas que não se dizem'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110751607785508199</id><published>2005-02-04T09:20:00.000-02:00</published><updated>2005-02-04T09:22:38.290-02:00</updated><title type='text'>Ir embora</title><content type='html'>Ir embora é sondar o desconhecido, convidá-lo ao encontro;&lt;br /&gt;Ir embora é aceitar a solidão e buscar o relacionamento;&lt;br /&gt;Ir embora é sofrer por ter de separar-se do que é confortável e envolvente&lt;br /&gt;e desenvolver-se, ter que berrar novamente como se fosse um primeiro choro&lt;br /&gt;e um último, de adeus ou até quem sabe;&lt;br /&gt;Ir embora é perceber que ainda há muito chão e vale a pena tentar;&lt;br /&gt;Ir embora é abrir-se para quem está lá, onde se vai;&lt;br /&gt;Ir embora é dizer fui e pronto.&lt;br /&gt;Tudo aquilo que passou valeu&lt;br /&gt;Todos os que estavam ao longo do caminho são importantes&lt;br /&gt;Todas as conversas, todos os olhares, todos os gestos&lt;br /&gt;Tudo marcou. E a marca também vai. . .embora, junto com a recordação&lt;br /&gt;Ir embora é saber que todos os dias vamos embora&lt;br /&gt;que eternamente vamos embora&lt;br /&gt;e que essa jornada prossegue indo, sabe-se lá até quando, até onde.&lt;br /&gt;Certamente, se houver um paradeiro definitivo, ir embora chegará ao fim&lt;br /&gt;e se poderá ir a muitos lugares, sem ir embora novamente.&lt;br /&gt;Ir embora é o mesmo ponto da chegada, em outro ponto, em outro lugar.&lt;br /&gt;Estou indo embora, saindo um pouco de cena, reavaliado as coisas, porque aqui dentro está tudo muito difícil.&lt;br /&gt;Estou indo embora, para ficar um pouco de fora, daqui a pouco eu volto e quem sabe para nunca mais precisar ir embora de novo.&lt;br /&gt;Estou indo embora, porque afinal é carnaval e só volto na quarta-feira de cinzas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110751607785508199?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110751607785508199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110751607785508199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/ir-embora.html' title='Ir embora'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110745580841154494</id><published>2005-02-03T16:33:00.000-02:00</published><updated>2005-02-03T16:36:48.410-02:00</updated><title type='text'>Por que eu amo, adoro, sou louca por futebol</title><content type='html'> Olhando de fora, parece ingênuo:  vinte e dois homens em função de uma bola.  Olhando de longe, parece simplório:  vinte e dois homens correndo atrás de uma bola com a finalidade de acondicioná-la em um depositário que consiste em um retângulo composto por três traves fazendo ângulos de noventa graus entre si e com o solo gramado, sendo que tão somente dois deles têm a prerrogativa de impedir (utilizando-se das mãos, eis o particular) que os demais dez esquematizados em uma equipe atinjam o objetivo.  Chegando mais perto, parece até bárbaro:  vinte e dois trogloditas numa disputa que não raro desperta os sentimentos mais primitivos da espécie, adormecidos pela hipocrisia do dia-a-dia, a favor dela, a vitória, a supremacia de um grupo sobre os demais.  Quase fascista.  Abominável.&lt;br /&gt;O que faz com que, olhando de dentro (do meu coração), pareça balé, pareça sublime, pareça formador de minha identidade?&lt;br /&gt;A coisa, ao que parece, independe de sexo.  Ou não tem aí um determinante.  Conheço vários homens – e suas variantes – que não gostam de futebol.  Ou pior, como (muito bem observando) disse um amigo meu, que “não ligam pra futebol”.  Sim, posso conceber os que não gostam, têm uma posição.  O incompreensível são os indiferentes.  Os que desconsideram.  O que me faz deduzir que, para além da questão cultural que explica que haja muito mais homens torcedores que mulheres, alguns seres humanos são epifanicamente tocados pelo sublime dom de ver poesia numa partida de seu time.  E só assim podem sentir a emoção tresloucada do grito de gol.  Da perfeita satisfação de passar dois tempos de 45 minutos assistindo a um bom jogo de futebol.  Sobre ser mulher e gostar tanto do esporte, devo anotar aqui as piadas contumazes sobre a beleza física dos jogadores como único atrativo possível para esta classe.  Como adicional de entretenimento, os atributos das beldades são devidamente considerados, obrigada, muito embora as pernas bem torneadas sejam quase sempre visadas pelas belas jogadas que podem produzir,&lt;br /&gt;Intelectual, está longe de ser a questão.  Mentes privilegiadas se entregam ao contentamento de pisar num estádio e torcer por seu time, formando uma massa uniforme com pitadas de raciocínios mais modestos.&lt;br /&gt;A idade, por sua vez, não desempenha papel dos mais relevantes.  Dados que posso acrescentar, a título de ilustração apenas, são os casos inúmeros de que se ouve falar de pessoas idosas que enfartam coladas ao radinho de pilha ou nas arquibancadas dos estádios.  Imagem que contrasta com a lembrança de mim muito criança, sentada ao lado da caixa do aparelho de som na casa da Abolição ouvindo um jogo do Fluminense, inebriada com o ritmo da narração típica dos comunicadores de AM, sem, por certo, me dar conta racionalmente do significado formal daquilo.  Devo dizer que até hoje a sensação de encantamento é a mesma diante das transmissões.&lt;br /&gt;Esgotadas algumas possibilidades, que seria então essa força capaz de mover tantas emoções?  Este texto, senhores, como se vê, não elucida.  Não dá explicações racionais além das constatações e delírios de alegria de uma alma arrebatada.  Quem esperaria lógica, aliás, dentro das quatro linhas que delimitam o campo das paixões?&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110745580841154494?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110745580841154494'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110745580841154494'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/por-que-eu-amo-adoro-sou-louca-por.html' title='Por que eu amo, adoro, sou louca por futebol'/><author><name>Luise</name><uri>http://www.blogger.com/profile/18083008529281270435</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110731077531313371</id><published>2005-02-02T01:16:00.000-02:00</published><updated>2005-02-02T00:19:35.313-02:00</updated><title type='text'>Eu vou para Paraty, você para o Cacique de Ramos *</title><content type='html'>Ele vai para a quadra da Mangueira, eu vou dançar na Soudtrack.&lt;br /&gt;Ele vai para o ensaio do Salgueiro, eu vou ao shopping.&lt;br /&gt;Ele sabe os sambas-enredo de cor, eu fico apontando os clichês nas letras.&lt;br /&gt;Ele diz que vai desfilar em três, quatro escolas, eu faço cara de desdém.&lt;br /&gt;Ele conta como vai ser a fantasia, eu garanto que vai ficar ridícula.&lt;br /&gt;Ele sonha com a Sapucaí iluminada, eu sonho com uma cidade perdida no interior de Minas.&lt;br /&gt;Ele se emociona com as velhas guardas, eu acho todas um bando de velhos chatos.&lt;br /&gt;Ele comparece a todos os ensaios técnicos na avenida, eu fico estudando.&lt;br /&gt;Ele vai para os Escravos de Mauá, eu vou dormir cedo.&lt;br /&gt;Ele vai para a feijoada da Portela, eu vou comer pizza com os amigos.&lt;br /&gt;Ele lembra que no meu aniversário tem ensaio, eu juro que se ele for não volta mais.&lt;br /&gt;Ele torce por tempo bom nos quatro dias, eu faço figa para chover.&lt;br /&gt;Ele desfila no grupo de acesso, eu pego uma pilha de DVDs na locadora.&lt;br /&gt;Ele resolve sair até no grupo de acesso do acesso, eu reclamo que ele é doente.&lt;br /&gt;Ele pula de bloco em bloco, eu saio de uma sessão de cinema para outra.&lt;br /&gt;Ele veste a fantasia, eu tenho certeza de que está ridícula.&lt;br /&gt;Ele fala do desfile, eu conto das dezenas de filmes a que já assisti.&lt;br /&gt;Ele aposta numa campeã, eu resmungo que todas as escolas são iguais.&lt;br /&gt;Ele lamenta que os dias passem tão rápido, eu agradeço a Deus quando acaba.&lt;br /&gt;Nós dois nos encontramos na quarta-feira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*&lt;em&gt; Sobre verso de "Catavento e girassol", de Guinga e Aldir Blanc&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110731077531313371?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110731077531313371'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110731077531313371'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/eu-vou-para-paraty-voc-para-o-cacique.html' title='Eu vou para Paraty, você para o Cacique de Ramos *'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110726981894875753</id><published>2005-02-01T13:49:00.000-02:00</published><updated>2005-02-01T12:56:58.950-02:00</updated><title type='text'>Julia</title><content type='html'>O roteiro era cinderelamente bacana e Richard Gere é um charme. Mas a graça de &lt;I&gt;”Uma Linda Mulher”&lt;/I&gt; era aquela ruiva de cabelo enorme e cacheado. Julia Roberts estava engraçada, linda, cativante, e tornou verossímil a história do executivo bem-sucedido que se apaixona por uma prostituta, pedindo-a em casamento. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Julia é assim. Em Hollywood há muitas atrizes lindas e algumas muito talentosas, mas ela tem essa qualidade que não se adquire com cirurgiões plásticos nem em aulas na Actors Studios: carisma. Ela é muito, muito carismática. Tem uma sintonia com o público que faz com este sofra com ela, torça por ela. E tudo o que ela diz na tela parece natural; parece o que nós, mortais, diríamos em certos momentos de nossas vidas. Lembra &lt;I&gt;”Notting Hill”&lt;/I&gt;? Então, perto do final, o personagem do Hugh Grant diz à atriz interpretada por Julia, de nome Anna Scott, que eles não têm futuro juntos, porque ela é uma estrela famosa, e ele um livreiro... Ela fica triste, e diz a ele estas frases, que transcrevo de memória: &lt;I&gt;“Essa coisa toda de fama... Isso não é REAL, entende? No fundo eu sou só uma garota, em frente do homem que ela ama, pedindo que ele a ame também.”&lt;/I&gt; Nossa, nesse momento tudo o que queremos é pular na tela e confortá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi corajosa a opção de Julia em filmar &lt;I&gt;“Closer – Perto demais”&lt;/I&gt;. Embora todos os atores estejam bem, a fotógrafa vivida pela atriz é a menos interessante dos quatro personagens, e ela deve ter sacado isso.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, ela está maravilhosa mesmo em &lt;I&gt;“O Casamento do Meu Melhor Amigo.”&lt;/I&gt; Aliás, esse filme é todo bom: roteiro, trilha sonora, texto... Ela interpreta uma crítica gastronômica mazinha, que tenta sabotar o casamento do amigo do título, por quem se descobre apaixonada a dias da cerimônia. Um dos momentos mais tocantes é quando ela está com seu querido num passeio de barco. Ele fala da importância de se fazer e falar a coisa certa no momento certo e a tira para dançar, cantarolando um clássico da canção americana, ”&lt;I&gt;The way you look tonight&lt;/I&gt;":&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;”Someday&lt;br /&gt;when I´m awfully low&lt;br /&gt;and the day is cold&lt;br /&gt;I´ll feel a glow just thinking of you&lt;br /&gt;And the way you look tonight...”&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo deixava a ocasião perfeita: o diálogo que estavam travando anteriormente, a música cantada por ele, o dia ensolarado... Ela sabe que é aquele o momento, a deixa, para ela dizer o que sente, mas... não consegue! As palavras não saem! O barco passa sob uma ponte, tudo escurece e então... o sol volta e o momento passa. Ela fica com os olhos cheios de lágrimas, arrasada com a oportunidade perdida.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas nossa heroína se declarará ao rapaz mais tarde (ah, se você não viu dane-se, eu vou contar o final, sim!). Isso dentro de um romântico coreto em meio a um campo verde, a algumas horas do casamento do moço com a patricinha vivida por Cameron Diaz. Nervosíssima, ela diz:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;“Eu te amo. Eu sempre te amei, mas sempre fui muito idiota e medrosa para admitir, e agora estou só medrosa. E então eu quero te pedir este favor, este GRANDE favor... Escolha a mim... Case comigo... Deixe que eu te faça feliz.... Ai, acabei pedindo três favores, não é?”&lt;/I&gt; (ela ri desesperada). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gente, esse momento é tão, mas tão bonito. A estrela está tão natural e entregue. Sempre que revejo o filme fico com vontade de chorar, não só pela emoção da cena mas por saber do final, em que o moço se decide pela personagem da Cameron.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem sempre vence o (a) melhor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110726981894875753?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110726981894875753'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110726981894875753'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/02/julia.html' title='Julia'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110713808769189127</id><published>2005-01-31T01:20:00.000-02:00</published><updated>2005-01-31T00:21:47.513-02:00</updated><title type='text'>Eterno menino</title><content type='html'>Vem&lt;br /&gt;Eterno menino&lt;br /&gt;Que a doçura dos meus beijos precisa do mel dos seus olhos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem&lt;br /&gt;Arlequim dos meus sonhos&lt;br /&gt;Que o sal do meu ventre precisa do toque da sua calma&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixa eu amar você&lt;br /&gt;Sem espaço pra razão&lt;br /&gt;Sem limite pra paixão&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora que eu descobri&lt;br /&gt;O que é viver enluarada&lt;br /&gt;Toma conta das minhas fases&lt;br /&gt;E se refaz do cansaço que a vida te ensinou&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem,&lt;br /&gt;Meu homem de delicadeza&lt;br /&gt;Nomeia meus caminhos&lt;br /&gt;Revela meus segredos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda há tempo sem pressa&lt;br /&gt;Relógios sem hora&lt;br /&gt;Ainda há sol de amanhecer&lt;br /&gt;Na luz do nosso amor&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vem,&lt;br /&gt;Além dos olhos do mundo&lt;br /&gt;E me presenteia com o calor do seu verso&lt;br /&gt;Que eu deitei na sua alma&lt;br /&gt;E desejo repousar.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110713808769189127?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110713808769189127'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110713808769189127'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/eterno-menino.html' title='Eterno menino'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110701086074791789</id><published>2005-01-29T13:59:00.000-02:00</published><updated>2005-01-29T13:01:58.330-02:00</updated><title type='text'>Conto de Natal</title><content type='html'>Aquela mulher sim sentia dor, intrínseca. Uma dessas dores que seca as tripas, resseca o ventre e não explica o porquê. Doía na profundeza de suas entranhas e um grito mudo rasgava sua garganta e engasgava em soluço seco, sôfrego, delirante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não havia explicação e ela era apenas mais uma mulher em um quarto úmido a sentir dor. Uma entre milhares espalhadas pela cidade, ou talvez pelo bairro. Quem sabe no mesmo prédio não havia mais uma, semelhante?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era natal e era uma mulher e era sozinha e o quarto vazio era úmido e escuro, apesar da grande janela com vista pro mar em plena Zona Sul do Rio de Janeiro. Tantos gostariam tanto de uma janela assim para ver o mar! Tantos se satisfariam com tão pouco. Pouco?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela mulher já não via o mar, os vidros da janela eram foscos. A luz do sol incomodava tanto pela manhã! Maresia com cheiro de mofo. E os vizinhos de elevador, cachorro em punho, bicicleta a postos... eram tão felizes... Horas ao cair da tarde tomando água de coco nos quiosques da orla e ela nunca foi sequer convidada. Gente metida. De certa forma era bom manter distância, sem fofocas, preservar sua privacidade. Assim ninguém nem chegava perto. Por falta de coragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E era natal. Quando menina chegou a ganhar alguns presentes, mas começou a trabalhar e trabalhar era importante. Sua família era pequena, até que acabaram morrendo, era o natural. E ela não comprava presentes, não tinha mesmo para quem dá-los. Nada ganhava, tampouco. Também, de quem ganharia? Mais um natal, e nem o carteiro passava pedindo a caixinha de natal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, não fosse o porteiro e a faxineira aparecerem vez ou outra, capaz de pensarem que o apartamento estava vazio. Todo fim-de-semana era a mesma coisa, viva o desespero dos que dependem da tv. E agora, um mês inteiro: férias enlouquecedoras. Antes passar o dia inteiro fazendo contas em uma sala gelada. Ganhava bem, era competentíssima. Mas não tinha trabalho no fim-de-ano. Então... férias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia já uma semana, a dor era insuportável. E nenhum médico explicava direito e ela não explicava também direito a nenhum. Onde doía? Ela não saberia responder. Os médicos então vinham com uma história de análise, essas besteiras, e ela nunca tentou. Um médico um dia descobriria a verdade. Afinal, obviamente, ela devia ter era câncer... Sim... Câncer? Lógico, só podia ser câncer! Aquela tia velha tinha mesmo morrido de câncer. Mas, então, não havia mais jeito... Ela ia morrer logo, tinha câncer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou então uma atitude. Era natal e a janela enorme estava lá, e ela abriu os vidros foscos e dava para ver o mar. Não teve dúvidas, escreveu um bilhete no espelho com um batom velho vermelho-cor-de-escritório que ela nunca ousou usar no trabalho: "Vôo de vista para o mar tentando me libertar deste câncer que acaba comigo". Achou brega, mas daria muito trabalho limpar e reescrever. Foi novamente até a janela e pulou, sem pestanejar. Talvez tenha experimentado um leve sorriso nos lábios, apenas. Pulou do décimo andar e era natal e ela sentia dor e era sozinha e "morreu na contramão atrapalhando o tráfego" tocava ao longe numa vitrola atemporal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No seu apartamento, agora iluminado, nada: apenas o vazio, maior que antes. No banheiro, um bilhete no espelho falando de um câncer... Que câncer? Autópsia: ausência de tumores, malignos ou benignos. Notícias nos jornais: nenhuma. Apenas mais uma mulher sozinha pulou de um apartamento vazio na Zona Sul do Rio e era natal e os vizinhos pararam para olhar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Beatriz Fontes&lt;br /&gt;(28/12/1998)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adendos:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas e se essa mulher não se matasse assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se ela abrisse a janela, olhasse o sol, visse o mar e resolvesse apenas dar um mergulho? Aí, vai que ela fecha a porta, de maiô, e atravessa a rua e é atropelada. Não, é natal e se não há suicídio, atropelamento é desperdício... Pouparia o trabalho dela. Então, ela atravessa e pisa a areia e entra no mar e... a dor sumiu! Tomou Doril? &lt;a name="PVW"&gt;Argh&lt;/a&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, talvez, esquece isso e volta pra janela aberta e ela pula e cai no toldo e não morre, só fica toda quebrada e vai pro hospital e é internada em uma clínica... Louca, completamente. Falando num câncer imaginário, sentindo a dor cada vez mais forte... Mas aí era a dor da pancada, do tombo... Suicida incompetente. Aí ela se enforca com seus lençóis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou de repente, vira uma artista plástica bem sucedida, reconhecida em todo o mundo... Ou talvez, ao tentar morrer enforcada, quebra a perna... ou... morre de câncer... ou... melhor deixar pra lá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Maria Beatriz de Andrade&lt;br /&gt;(28/12/98 – minutos depois)&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110701086074791789?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110701086074791789'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110701086074791789'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/conto-de-natal.html' title='Conto de Natal'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110691870737117903</id><published>2005-01-28T11:24:00.000-02:00</published><updated>2005-01-28T11:25:07.376-02:00</updated><title type='text'>É preciso ter esperança</title><content type='html'>É  preciso ter esperança quando:&lt;br /&gt;O Papai Noel não aparece, ele vem no ano que vem;&lt;br /&gt;Você não recebe o presente que tanto queria, o que você recebeu vai ser muito útil;&lt;br /&gt;Você não recebe a carta que você esperava, o carteiro volta amanhã;&lt;br /&gt;Você muda de escola, vão surgir novos amigos;&lt;br /&gt;Você chora pela primeira vez; sorrisos irão surgir;&lt;br /&gt;Você recebe uma bronca, só as pessoas que nos amam tem coragem de criticar;&lt;br /&gt;Aquele menino não te tirou  para dançar, ele não te viu;&lt;br /&gt;O rapaz não retorna a sua ligação, não deram o recado;&lt;br /&gt;O seu primeiro beijo não foi  tão bom como o suas amigas descreveram, ainda aconteceram outros;&lt;br /&gt;O seu primeiro amor vai embora, outros virão;&lt;br /&gt;O amor da sua vida não chega, outros existirão,&lt;br /&gt;O garoto no sinal te pede esmola, as coisas vão melhorar;&lt;br /&gt;O seu olhar cruza com o de alguém te roubando, ele não teve outra forma de sobreviver;&lt;br /&gt;Não ouviu um adeus, não ouve tempo para despedidas;&lt;br /&gt;Você sente medo das escolhas, você fez o melhor que pode;&lt;br /&gt;É preciso escolher entre coisas que você gosta, sempre tem o depois;&lt;br /&gt;Você é traído, a pessoa também está enganada;&lt;br /&gt;Você é decepcionado, sempre há uma explicação;&lt;br /&gt;Você fica com raiva de alguém, dê a oportunidade de vocês conversarem;&lt;br /&gt;Tudo parece desmoronar, durma,  no dia seguinte tudo parece melhor ;&lt;br /&gt;Alguém te machuca, não foi a intenção;&lt;br /&gt;Você sente saudades, ele vai voltar;&lt;br /&gt;Você se sente sozinho, alguém vai surgir;&lt;br /&gt;A esperança tiver para acabar, renove-a.Porque a esperança não pode ser a ultima a morrer, é preciso que ela não morra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110691870737117903?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110691870737117903'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110691870737117903'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/preciso-ter-esperana.html' title='É preciso ter esperança'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110674193184149614</id><published>2005-01-26T10:13:00.000-02:00</published><updated>2005-01-26T10:18:51.843-02:00</updated><title type='text'>A Miséria</title><content type='html'>A Miséria vive em barracos de madeira erguidos ao lado de um enorme cano de ferro, parte de uma adutora. A Miséria mora colada a um valão fétido. A Miséria pisa em chão de terra. A Miséria não tem água nem luz em casa. A Miséria nunca teve rede de esgoto. A Miséria já pariu muitos filhos e emenda uma gravidez atrás da outra. A Miséria deixa as suas crianças se divertirem na água suja e permite que elas façam do lixo seus brinquedos. A Miséria não veste os pequenos, que andam pelados pela lama. A Miséria não trata os vermes que fazem crescer as barrigas da sua prole. A Miséria tem dentes faltando e rosto enrugado. A Miséria é gorda mas subnutrida. A Miséria tem a pele marcada. A Miséria tem as unhas sujas. A Miséria está sempre com trajes mínimos. A Miséria cheira forte a suor. A Miséria coabita com baratas, ratos, moscas e mosquitos. A Miséria cria urubus no quintal. A Miséria não trabalha nem estuda. A Miséria passa o dia vendo a vida passar. A Miséria sempre guarda um trocado para a cachaça. A Miséria é vizinha da Violência. A Miséria entrega para a Violência tomar conta os filhos que não pode criar. A Violência recebe de boa vontade os filhos da Miséria. A Violência dá presentes aos filhos da Miséria. A Violência adota os filhos da Miséria. A Miséria, porém, sabe que seus filhos sempre voltam quando chega o fim. A Miséria chora por eles e espera resignada pelos outros que outros virão. A Miséria raramente briga com a Violência. A Miséria e a Violência ontem estavam juntas nos barracos sobre a lama de Manguinhos.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110674193184149614?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110674193184149614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110674193184149614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/misria.html' title='A Miséria'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110661848028131945</id><published>2005-01-25T01:00:00.000-02:00</published><updated>2005-01-25T00:05:56.263-02:00</updated><title type='text'>Morte</title><content type='html'>De repente, ficou obcecado pela idéia da própria morte. Todos os dias de manhã, antes de pegar o metrô para o trabalho, olhava os trilhos com desejo. Ao passear com a família pelo Aterro (moravam na Marquês de Abrantes), fantasiava que iria largá-los e correr para as pistas, a fim de que o primeiro carro ou ônibus o carregasse. Um dia viu um filme em que viciados assaltavam uma drogaria. Imaginou quantos vidros de tranqüilizantes eram capazes de fazê-lo empacotar: dez, quinze, vinte? A esposa se enternecia ao vê-lo contemplar a paisagem da varanda do apartamento. "Será que aqui do sexto andar eu conseguiria me matar ou só se eu morasse depois do décimo?" era no que o homem pensava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema era que faltava coragem. Ou talvez faltasse medo - suicídio é ato de força ou fraqueza? Imaginou que poderia acabar tetraplégico ou retardado, e imagina só a cara da mulher, tendo que dar banho nele todo santo dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Que é que você tá pensando, Arthur? - ela quis saber, enquanto faziam supermercado. - Tá esquisito...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tô é chocado com o preço desse inseticida - disfarçou. - Oito reais e cinqüenta e quatro centavos!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia, assistiam ao "Fantástico" sozinhos, enquanto os gêmeos jogavam videogame no quarto. O programa noticiou que uma adolescente havia se matado com a arma do pai, no Leblon. O médico do pronto-socorro sentenciou para a câmera:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É impossível escapar de uma bala na têmpora. Não é à toa que Getúlio Vargas escolheu esta forma para sair da vida e entrar na História!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era tudo o que precisava ouvir. Então um tiro na cabeça, logo acima da orelha, é batata? Cem por cento? Satisfação garantida? Pois seria assim. E ó, tinha antecessores ilustres. Subiu o Dona Marta e comprou com facilidade uma Taurus, que veio com silenciador e balas de brinde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensou nas providências a serem tomadas antes do fatídico dia. Dinheiro para o enterro? Havia na conta. O escritório? O estagiário já sabia tanto quanto ele. O vice-síndico era de sua inteira confiança e tinha a senha da conta-corrente do prédio. Não tinha ninguém a perdoar ou pedir perdão. Ficou impressionado ao ver que não era necessária nenhuma providência antes de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, uma carta - deixar ou não uma carta? Dizem que quem fica se sente culpado. Melhor deixar claro que não era nada pessoal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inventou para a mulher que trabalharia até tarde naquele dia. Depois que os colegas foram embora, afrouxou a gravata e pegou a sacola de supermercado que colocara no frigobar do escritório, retirando a garrafa de Black Label. Enquanto bebericava o uísque, criou no computador um arquivo com o nome "suicídio.doc". Começou a escrever: "Rio de Janeiro, 25 de janeiro de 2005".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem deveria aparecer primeiro dentre os destinatários da carta? Os pais eram criaturas excepcionais. Vieram do Nordeste sem nada, e foi com sacrifício que pagaram colégio particular para Arthur. O único filho honrou o dinheiro gasto, passando em quinto lugar para Ciências Contábeis na UFRJ. Por outro lado, a mulher também era ótima: carinhosa, inteligente e trabalhadora, dava aula em três colégios. Mas talvez devesse digitar primeiro o nome dos filhos, pois, embora saudáveis e espertos, eram a parte mais frágil naquela história toda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensar nos destinatários trouxe lembranças felizes: o feriado em São Lourenço em que os gêmeos andaram pela primeira vez a cavalo, a mulher entrando de branco na igreja, olhando para baixo com medo de tropeçar, o pai ensinando-o a jogar xadrez. Os garotos no último aniversário, rindo banguelas para as câmeras, os pais cozinhando juntos no último domingo, a mulher mordendo seu pescoço na noite anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saiu do escritório com a maleta numa mão e a garrafa de uísque na outra. "Mas como é que eu pude pensar nisso?!" murmurava, incrédulo, entre lágrimas e risadas. A vontade de abraçar a mulher, os filhos e os pais era tão concreta quanto aquela rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não viu o caminhão. As testemunhas deram razão ao motorista, dizendo que o homem que atravessou a rua parecia bêbado. No outro dia, o chefe viu o arquivo que estava aberto na tela do computador, relatando o fato, pesaroso, à família de Arthur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então todos tiveram certeza de que ele queria mesmo ir embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110661848028131945?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110661848028131945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110661848028131945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/morte.html' title='Morte'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110658068033419851</id><published>2005-01-24T13:15:00.000-02:00</published><updated>2005-01-24T13:31:20.336-02:00</updated><title type='text'>Caligrafia</title><content type='html'>Ele autografa em todos os cantos do corpo dela o seu nome de homem famoso e reconhecido. Ele autografa na alma dela a cadência do seu samba e a poesia de suas letras. Ele inebria os lábios dela com seu beijo doce e manso. O jeito malandro de falar, o traquejo, o jeito avoado. A seduzem. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele a cobre de elogios e a chama de rainha. Ele a incentiva. Diz que quer que ela cante as músicas dele. Ele a envolve, a preseteia, a quer por perto, a acompanha, a faz rir. Ele já dá vexame de ciúmes, já fica bravo e preocupado. Porque ela não vai amá-lo como ele vai amá-la. Ele faz planos. Conta com ela e pra ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele anda assim. Apaixonado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela só de olho. De canto de olho. Resabiada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas ela quer. Ela arrisca. Ela samba ao som da voz cálida desse homem doce, dos olhos de mel e da alma de menino.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ele autografa o coração dela. Com caneta de saudades e letra de lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110658068033419851?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110658068033419851'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110658068033419851'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/caligrafia.html' title='Caligrafia'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110640702935290885</id><published>2005-01-22T13:15:00.000-02:00</published><updated>2005-01-22T13:32:17.656-02:00</updated><title type='text'>Mamãe, papai...eu sou...</title><content type='html'>&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;"Como dois e dois são quatro sei que a vida vale a pena, ainda que o pãoseja caro e a liberdade pequena"&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;(F. Gullar)&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;É chegou o grande dia! Após muita terapia, muito pensar e debater, pesar os prós e os contras, você irá enfim dizer para a tua família: "mamãe, papai...eu sou..." Você está namorando sério, apaixonada, tem certeza que ela é a mulher da tua vida e começou a se questionar: "por que não assumir? Sair do armário pelo menos aqui em casa?" Ora, você não tem problemas em aceitar o que escolheu e todos já têm quase certeza mesmo! A mamãe pergunta pelo namorado que nunca apareceu, o papai repara tua tristeza depois da briga com aquela "amiguinha", embora pai sempre desconfie por último. Está decidido e é agora ou nunca, já até bolou como será. Papai e mamãe jantando. Não jantando não...o assunto pode lhes causar indigestão. É melhor falar depois da novela, chegar e ir dizendo na bucha: "papai, mamãe...eu sou...", sou o que? Qual a melhor palavra? Não, sapatão definitivamente não! É tão grosseiro e além do mais você só calça 37 e não usa pochete. "Eu sou lésbica", é um pouco melhor, você já se vê na ilha deLesbos, rodeada de mulheres guerreiras em seus cavalos brancos. Humm, mas lésbica soa tão mal, parece uma patologia, algo como "eu sou diabética",viu até termina igual! "Eu sou homossexual" é outra opção, mas e se teu pai perguntar: "peraí, teu irmão também não é isto? Será genético?"Claro!! Você já sabe como irá falar...Papai e mamãe estão no sofá, você os olha, sente aquele frio na barriga e pensa em desistir. Mas quem disse que você é mulher de correr da raia?Não, já não dá mais pra segurar e se eles te amam, blá, blá, blá, blá,blá, desfia novamente todos os teus argumentos. O medo, no entanto, diz lá do outro lado: "mas será que tem mesmo que contar?&lt;br /&gt;" T - E - M! tem porque tem, tem porque já não dá mais, é uma necessidade pessoal, nem todos querem falar, nem todos tem a coragem necessária para falar e arrumam mil desculpas para não dizer. Então, decidida você vai e diz: "papai, mamãe...eu namoro uma mulher, eu amo uma mulher!!"Viu! Não foi fácil?? Fácil não foi, mas você fez assim mesmo e agora sente até um tiquinho de orgulho pela própria coragem. Não se trata de ser panfletária ou sair na parada gay, não é sair dizendo para todo mundo que prefere mulheres, nem carregar uma carteirinha do sindicato lés . É algo mais profundo que isto, uma busca de respeito pela liberdade de ser o que é.&lt;br /&gt;Agora é só dar água com açúcar para a mamãe e esperar um mês para o papai voltar a falar contigo.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110640702935290885?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110640702935290885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110640702935290885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/mame-papaieu-sou.html' title='Mamãe, papai...eu sou...'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110630792316907141</id><published>2005-01-21T09:42:00.000-02:00</published><updated>2005-01-21T09:45:23.170-02:00</updated><title type='text'>Ter esperança</title><content type='html'>Se eu fosse um poeta, agora escrevia o mais belo poema com todas as lágrimas que escorrem no meu rosto.&lt;br /&gt;Se eu fosse um compositor faria a mais bela musica, que tocaria em todas as rádios o som da minha dor.&lt;br /&gt;Se eu fosse um escritor faria o mais belo texto com as mais dolorosas declarações de dor.&lt;br /&gt;Se eu fosse um artista plástico então faria a mais bela exposição da tristeza.Mas sou apenas eu. Eu o que me faz companhia: a dor de uma ausência, o choro de uma saudade, a lagrima de um amor que não está aqui.&lt;br /&gt;Um amor que se foi, sem ao menos se despedir, sem dar tempo de me acostumar com a sua falta.&lt;br /&gt;Um amor que é o meu amor de verdade, um amor de menina, moça e de mulher.&lt;br /&gt;Um amor companheiro, amigo, amante. Um amor das palavras certas, do carinho na hora correta, do aconchego necessário.&lt;br /&gt;Um amor de silêncios e vozes. De risos e lágrimas. De alegrias e tristezas. Um amor de guerra e paz. De chegadas e partidas. De idas e vindas. De muito e pouco. De tudo e de nada. &lt;br /&gt;Um amor que é só meu e por isso se foi, como tantas outras vezes. Porque no amor é preciso ser dois, é preciso se amar junto, para formar um.&lt;br /&gt;Então choro, um choro já derramado, mas que agora as lágrimas dificultam avistar outros amores, outros desejos, outras esperanças.&lt;br /&gt;É necessário ter esperança porque ela limpa os olhos e nos faz entender que tudo vai passar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Michele&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110630792316907141?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110630792316907141'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110630792316907141'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/ter-esperana.html' title='Ter esperança'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110609704851654297</id><published>2005-01-19T01:05:00.000-02:00</published><updated>2005-01-18T23:15:15.180-02:00</updated><title type='text'>De frente</title><content type='html'>Deram-se dois beijinhos cordialmente. Ela não deixou de notar como ele estava magro, ele continuava achando ela linda de cabelos curtos. Nada disseram. Sentaram-se na roda. Amenidades em discussão. Ela em frente a ele. Sim, eles podiam participar da mesma reunião, ainda tinham os mesmos amigos e, afinal, terminaram tudo sem brigas. Ela nem tinha nada contra a nova namorada dele, a moça era até simpática.&lt;br /&gt;Mas quem eram eles naquele momento? Ela não era mais um diminutivo, ele não era mais um apelido. Ela não havia perdido o gosto pela argumentação, ele não tinha abandonado o costume de levantar a voz para defender suas idéias. Eram os mesmos, no entanto não se reconheciam. Que mãos, que olhos, que lábios eram aqueles?&lt;br /&gt;Sabiam-se tanto e naquela sala se sentiam tão estranhos. Tinham tanta intimidade e naquela noite não conseguiam ficar à vontade. O que era tão natural parecia quase forçado. Os olhares fugiam de se cruzar, as vozes calavam-se para não se misturar. Será que ele ainda bebe cachaça pura? Será que ela ainda cata as folhinhas verdes de tempero no prato? E esse All Star, ele nunca gostou de tênis. E esse esmalte vermelho, ela sempre achou muito chamativo.&lt;br /&gt;Vergonha de perguntar sobre as notícias que tinham pelos amigos. Ele não indagou se ela havia melhorado da alergia. Ela não o interrogou sobre o projeto do mestrado. Ele hesitou em servi-la da carne que cortava, ela recuou quando ia oferecer a ele mais cerveja. Comeram como se jamais houvessem partilhado o mesmo prato, a mesma cama, os mesmo planos. Conversaram como se jamais tivessem passado a madrugada em claro escolhendo os nomes dos futuros filhos. Evitaram chegar muito perto como se jamais tivessem esquadrinhado o corpo um do outro.&lt;br /&gt;Despediram-se, outra vez com dois beijinhos. Ele mandou um beijo para a mãe dela. Ela lembrou que precisava devolver um livro para a irmã dele. Foram. Sem dor, sem amor, sem mágoa, sem desejo. Levaram só saudade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110609704851654297?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110609704851654297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110609704851654297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/de-frente.html' title='De frente'/><author><name>Patricia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110608378645098367</id><published>2005-01-18T18:55:00.000-02:00</published><updated>2005-01-18T19:32:08.056-02:00</updated><title type='text'>Macau, Tóquio</title><content type='html'>&lt;I&gt;"Tão limitado, estar aqui e agora&lt;br /&gt;dentro de si, sem poder ir embora.&lt;br /&gt;Dentro de um espaço mínimo que mal&lt;br /&gt;se consegue explorar, esse minúsculo império&lt;br /&gt;sem território, Macau"&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei de ler &lt;I&gt;"Macau&lt;/I&gt;", de Paulo Henriques Britto, no mesmo dia em que revi &lt;I&gt;"Encontros e Desencontros"&lt;/I&gt; (&lt;I&gt;"Lost in Translation"&lt;/I&gt;), dirigido por Sofia Coppola. As duas obras teriam em comum apenas o ano de lançamento no Brasil, 2004, e o Oriente: o livro tem o nome da colônia portuguesa na China e no filme o cenário dos - ah, tradução... - encontros e desencontros vividos pelos protagonistas é o Japão contemporâneo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela é Charlotte, interpretada pela novata Scarlett Johansson. Tem vinte e poucos anos e está acompanhando o marido, um fotógrafo ocupadíssimo, em Tóquio Japão para fazer fotos de uma banda de rock. Recém-formada em Filosofia, não sabe muito bem o que fazer da vida. É linda, de uma beleza anti-passarela (li que na época do lançamento a discreta barriguinha fez a imprensa americana especular se ela estaria grávida. Selvagens...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele é Bob Harris, ator cinqüentão e decadente que está na cidade  para filmar um comercial de uísque. É vivido por Bill Murray em seu melhor papel até agora: cínico e melancólico na medida certa. A própria diretora declarou que escreveu o roteiro pensando em Bill. O personagem é casado há vinte e cinco anos e tem dois filhos, mas ficamos sabendo pelos poucos faxes e telefonemas que troca com a mulher que andam bem distantes – sem trocadilho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os personagens nos são apresentados de forma lenta, elegante, sutil. Aliás, eles demoram a se conhecer; o espectador já sabe um pouquinho sobre cada um antes do primeiro encontro. O Japão é mostrado em todos os seus contrastes: imensos anúncios em neon, delicados arranjos de ikebana, apartamentos com paredes transparentes, dos quais se vê a cidade, cerimônias de casamentos tradicionais. Mas os signos da globalização também foram filmados: a boate das &lt;I&gt;strippers&lt;/I&gt;, o apresentador de TV imbecil e o punk que canta &lt;I&gt;"God save the Queen"&lt;/I&gt;, dos Sex Pistols, existem no Rio, em Estocolmo e em Casablanca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;"Também já estive aí, no não-lugar&lt;br /&gt;onde você agora não se encontra.&lt;br /&gt;Também não me encontrei."&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bob e Charlotte estão perdidos. Em suas vidas pessoais e profissionais, na cidade, na língua. Mas, assim como a China nos é  familiar em Macau, os personagens deste filme se tornarão, um para o outro, lares, através do milagre da cumplicidade. Que é construída de forma delicada, através de olhares, sorrisos tímidos, diálogos enxutos, toques discretos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seqüência do karaokê é uma das mais lindas do cinema. Charlotte, de peruca rosa – e ela só fará o que se segue porque está com a peruca rosa, assim como os super-heróis precisam de uniforme para salvar o mundo – canta &lt;I&gt;"Brass in Pocket"&lt;/I&gt;, dos Pretenders, para Bob. Sua performance é sexy e graciosa: &lt;I&gt;"I´m special...  So special!"&lt;/I&gt;... E então é a vez do ator. &lt;I&gt;"Essa é difícil"&lt;/I&gt;, ele comenta, antes de soltar a voz. À primeira vista pensamos que a dificuldade está no tom agudo da música escolhida. Mas talvez o problema esteja no fato de que a letra de &lt;I&gt;"More than this"&lt;/I&gt;, do Roxy Music, antecipa o final de sua história com a moça (é, se você não assistiu ao filme é melhor parar de ler): &lt;I&gt;"More than this / You know there is nothing..."&lt;/I&gt;  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No final do filme, ele diz algo a ela no ouvido que não sabemos o que é; ouvimos apenas um &lt;I&gt;"...OK?"&lt;/I&gt; e a concordância dela: &lt;I&gt;"OK!"&lt;/I&gt;. Os românticos de plantão têm o direito de imaginar que ele sussurrou seu número de telefone, mas acredito que, parafraseando a música escolhida, Bob preferiu confirmar para a moça que não seria possível nada &lt;I&gt;"mais que aquilo"&lt;/I&gt;. Nada mais que a memória daqueles momentos mágicos - a magia do que está fadado a não permanecer. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;I&gt;"Que precisão tem o amor de linhas retas&lt;br /&gt;se paralelas afinal são nada mais&lt;br /&gt;que a garantia do infinito desencontro?"&lt;/I&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Todos os trechos em itálico são de &lt;I&gt;"Macau"&lt;/I&gt;).&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110608378645098367?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110608378645098367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110608378645098367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/macau-tquio.html' title='Macau, Tóquio'/><author><name>Eugenia</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110590694359783933</id><published>2005-01-17T09:18:00.000-02:00</published><updated>2005-01-16T18:27:26.836-02:00</updated><title type='text'>2005</title><content type='html'>Caros leitores,&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começa então nosso ano-novo aqui no Dedos das Moças. Esperamos contar com a visita de todos e que nossos textos contribuam para dias mais felizes, bons momentos e boa leitura na vida de cada um de vocês!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem-vindos ao nosso 2005!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#cc6600;"&gt;&lt;strong&gt;O que nunca te direi&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim construo a colcha de retalhos da minha dor. Te procurando em cada rosto, em cada beijo. Te encontrando em cada lágrima e em cada grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quisera me submeter a rituais de esquecimento, te apagando dos meus dias, te afastando da minha vida. Quisera não sofrer pelo amor que te sinto. Quisera uma imensidão de atitudes, que meus ossos não alcançam e que meu ser não reconhece. Quisera ignorar o sofrimento, como tenho feito, mas hoje-agora, ele é muito maior do que eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Te guardei em segredo durante tanto tempo. Tentando quem sabe, me convencer de que tudo entre nós não passava mesmo de uma ilusão longínqua de amor verdadeiro. De nada adiantou amar em estradas de mão única. De nada adiantou desejar que você trilhe comigo passos que não estão marcados pelo seu caminho, por não pertencerem ao rol do nobre sentimento que te tenho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperei durante dias e noites a fio, que você me procurasse, que você me dissesse que eu realmente sou quem você procura. Mas não atendi a nenhum telefonema, não recebi nenhuma carta, não presenciei nenhuma surpresa. Louca ilusão essa minha de querer acreditar que o amor pode tudo, que pode ultrapassar o que a gente não vê. Louca e triste ilusão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora é como se meu peito se rasgasse aturdido pela ausência do seu sorriso, de suas palavras, de suas promessas não cumpridas. E se não fosse física a dor, talvez fosse mais suave. Mas é aqui, dentro de mim, em cada canto dos meus músculos que mora todo o amor que sonhei em te dar um dia. É em cada poro da minha pele que está escrito o seu nome, insistentemente na minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não consigo te esquecer. Ainda não sei se quero. Talvez não. Mas é como ter uma obrigação. Pra mim você virou tarefa a ser cumprida. Lição pra aprender de cor e salteado. Pra mim você é folha caída num jardim de esperança. Pra mim você é página rasgada pelas mãos velhas de um sábio esquecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E você insiste em visitar meus pensamentos. Em invadir outros rostos e outros olhos. Você insiste em se parecer a metade das pessoas que conheço, você insiste em pensar em mim e não se desligar da minha alma. E eu sofro. Porque te quero. Sempre comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Inútil mania egoísta essa dos apaixonados de acreditar que o meu amor por você é talvez um dos únicos que já sentiram por ti e o mais bonito. E você nem sequer conhece minhas frestas, minhas janelas, meus jardins. Não sentiu o perfume do meu corpo. Não visitou meus caminhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E nem visitará, nem desejará, nem sentirá. Porque além de você não querer, hoje o que havia entre a gente se quebrou. É caco de vidro que corta profundo. Que deixa marca e cicatriz aparente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E porque hoje você partiu meu coração em mil pedaços e a dor que eu sinto é indizível e agora prefiro mesmo te apagar da minha história.&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110590694359783933?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110590694359783933'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110590694359783933'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/2005_17.html' title='2005'/><author><name>Mariana</name><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://img.photobucket.com/albums/v215/dedentro/rosto4.jpg'/></author></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6992657.post-110579360109547512</id><published>2005-01-15T10:47:00.000-02:00</published><updated>2005-01-15T11:04:26.073-02:00</updated><title type='text'>A Miopia de Íris</title><content type='html'>A cidade onde Íris morava era diferente de todas as cidades do mundo. Os habitantes já nasciam com graves problemas de visão. Íris era privilegiada: apenas oito graus de miopia a separavam das esquinas, dos postes e dos meio-fios espalhados pelas ruas de argila e guache de Miopiópolis. Por essa razão, a menina cresceu ajudando os mais velhos a realizar pequenas tarefas cotidianas que exigissem o uso de um olho mais apurado. Ela, por exemplo, era a única cidadã apta a badalar o sino da igreja, já que enxergava como poucos as horas no relógio de pulso. E assim toda a população se orientava dia após dia. Acontece que a menina, talvez pelo dote extraordinário de ver melhor que seus pares, sentia-se compelida a buscar novos horizontes. Numa bela manhã, reuniu seus pertences na mochila e entrou no primeiro trem que encontrou pela frente, sem saber ao certo aonde chegaria. Desembarcou numa grande metrópole, repleta de arranha-céus, veículos cruzando avenidas em alta velocidade, pessoas se locomovendo de um lado para o outro e cores, muitas cores. A primeira vontade de Íris foi procurar um orelhão para contar aos pais as novidades. Sentiu um tremendo remorso por ter partido em segredo, mas quem disse que encontrava um telefone público entre tantas motocicletas estacionadas na calçada, tantos vendedores ambulantes e canteiros diante de construções vistosas? Íris bem que tentou puxar conversa com um engravatado, mas ele estava mais preocupado em calcular o salário daquele mês que em ajudar a pobre moça. Depois entrou numa banca de jornal e o atendente também foi grosseiro. Reclamou que o trabalho dele era vender revistas e jornais, não prestar informações bobas como aquela. Foi quando Íris pensou em como seus olhos turvos eram importantes à população de Miopiópolis e no quanto amava aquela gente. E arrependeu-se profundamente por ter abandonado a sua cidade. Lembrou do quanto se divertia tocando o sino e pregando botões, catando arroz e lendo em voz alta para as famílias os livros que eram impressos em letras miúdas. Íris quis voltar, mas descobriu que ninguém ali fazia idéia de onde ficava Miopiópolis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faz alguns dias que a moça espera, na mesma estação, ser capaz de avistar o caminho de casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Monica Ramalho&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6992657-110579360109547512?l=dedosdasmocas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110579360109547512'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6992657/posts/default/110579360109547512'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://dedosdasmocas.blogspot.com/2005/01/miopia-de-ris.html' title='A Miopia de Íris'/><author><name>Dedos das Moças</name><uri>http://www.blogger.com/profile/15681524599169231720</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='16' height='16' src='http://img2.blogblog.com/img/b16-rounded.gif'/></author></entry></feed>
